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Capítulo 8 — P.O.V Marcus: Vermes
A situação está piorando cada vez mais, sons de tiros já se tornaram frequentes, o céu que antes era azul, agora é coberto com as cinzas vindas do centro da cidade, foligens estão pelo passeio, um verdadeiro inferno para asmáticos.
Acordei, como sempre, o primeiro. Me levantei cuidadosamente para não acordar Maria e Paulo, vou indo em direção ao banheiro para tomar uma ducha, mas percebo que não sai água da torneira, mesmo estando aberta no máximo.
"Deve ser algum problema no encanamento." - pensei.Descendo as escadas do segundo andar, abro os armários da cozinha e pego um dos galões de água reserva que Maria havia separado, coloco em uma panela de pressão e após esquentar vou para o segundo andar novamente, tomar um banho na banheira, apesar de eu preferir o chuveiro. Despejo a água fervendo na banheira, enchendo apenas sua metade, e vejo que está tudo bem, já que quando eu entrar o volume da água vai aumentar significativamente. Espero alguns minutos e coloco minha mão na água, medindo a temperatura. Está quente, mas não fervendo, olho na estante alguns sais de banhos, e pego o que tem a logo " paz interior ", despejo alguns na banheira e entro, tentando praticar um pouco de meditação.
Após meu banho pego uma das toalhas no cabideiro do banheiro e me seco, após perceber que não havia pego roupas limpas coloco meu roupão e caminho até meu quarto, no primeiro andar.Após colocar uma blusa longa de lã e uma calça que quase arrastava no chão, coloco uma meia ridícula com a estampa de um foguete, e vou em direção a cozinha, pego um galão e despejo um pouco menos que a metade numa jarra, e começo a fazer um café.
Ao ver que está pronto, boto na cafeteira cuidadosamente, que tem compartimento térmico, e no outro compartimento coloco leite que estava a pouco tempo na geladeira, meio gelado meio quente.
Coloco minha caneca no compartimento indicado e pressiono o botão de fazer um café com leite, enquanto espero tento ligar o rádio, um longo chiado percorre pela cozinha, e eu desligo o rádio. Pego minha caneca com o café com leite já misturados, e coloco sob a mesa. Pego torradas integrais e Nutella no armário, me achando no direito de fazer um pequeno estrago com carboidratos.
Pego meu mp3 e coloco uma música "Head e Heart", entrando no clima para ler um livro enquanto tomo meu delicioso café da manhã.
Eu já tinha acabado meu café a tempos enquanto lia o livro e o silêncio percorria pela casa, mas logo é quebrado com um barulho vindo das grades do portão da entrada da minha residência. Vou em direção as janelas, que estão repletas de tábuas e grades, mas tem uma pequena fresta proposital que fica coberta com um pedaço de pano, pregado. Eu levanto o pano e observo uma senhora de aparência bem velinha, com as costas curvadas para frente, cobertas com fios de seu cabelo grisalho, de um coque que se desmanchou.
Seu rosto todo parecia em estado de decomposição e quanto mais eu encarava, mais podia ver algumas larvas andando sobre sua pele, deslizando...
"Qualquer som, iria chamar a atenção dos outros" - pensei.Sinto duas mãos encostando em meus ombros. Eu pulo para trás, chocado, num grito mudo, o silêncio e preenchido com baixas risadas.
- Marcus, seu bobo, o que está fazendo? - disse Maria sorrindo, sussurrando baixo.- Veja... - disse recuperando o fôlego.
Maria observa a pobre velha se batendo nas grades e logo fala:
- Quer que eu cuide disso? - ela diz, sem esperar minha resposta, subindo as escadas.
Ela volta com a luva que eu a dei nas mãos.
Desligando a armadilha de choque na porta, Maria corre pra fora silenciosamente, a velha demora para a perceber, e quando a vê, Maria com um único golpe certeiro, enfia o metal pontudo contra a testa da velha, acabando com seu sofrimento.
A velha cai de costas contra o chão, com sua testa perfurada, nenhum sangue saí apesar do buraco causado, fico chocado observando atentamente a espera de uma rajada de sangue, invés disso uma grande criatura do tamanho de um dedo midinho saiu sobre o buraco causado. A criatura pula para o lado, caindo no bueiro.
- Não sabia que havia uma espécie de vermes tão grande assim. - disse Maria vindo em minha direção, fechando a porta.
- Deve ser consequência da decomposição e da radiação. - completei, ligando a armadilha.
Logo vejo Paulo descendo as escadas, perguntando o que estava acontecendo.
Maria explicava enquanto tirava as luvas.
Após alguns minutos de descanso Maria e Paulo vem em minha direção me perguntando sobre a água.
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Parada Zumbi - A Infecção
Mystery / ThrillerParada Zumbi - A Infecção: "O Trem saí a meia noite, apenas sobreviventes estão aptos a embarcar." Era mais um ano normal, quando surgiu na China um vírus, que matava os mais velhos. Apenas os jovens e os fortes, sobreviviam. A febre era terríve...