🎵 Música: Free Animal - Foreign Air
DIA 4
Sabem, ao contrário do que todos possam pensar, acho que ser vadia é algo maravilhoso.
Ser vadia significa muito mais do que poder sair com quantos homens você quiser, do jeito que quiser, quantas vezes quiser. Ser vadia significa liberdade. Significa não ter que prestar satisfações, significa não se importar, poder fazer o que quiser e quando quiser.
Mas é claro que a sociedade condena as vadias. Não poderia ser diferente. Eles condenam porque, no fundo, temem as vadias, porque são elas que movimentam as coisas. Elas são o tempero de toda comida sem graça. Elas são o coração acelerado da vida, a montanha russa, a curva perigosa, a porta desconhecida. E o que seria de nós se não fossem as vadias, se são elas que fazem tudo acontecer? O que seria do mundo se fosse constituído apenas de santinhas? Provavelmente a humanidade nem existiria mais...
Porém, eu preciso ser sincera... Eu nunca tinha sido uma vadia de fato, embora, é claro, já tenha sido rotulada como uma (e que mulher nunca foi?). Enfim, eu nunca tinha sido uma vadia, nunca tinha saído dos trilhos... Nunca tinha experimentado o agridoce da vida até aquele momento. E posso contar uma verdade?
Eu nunca tinha provado algo tão bom e libertador.
*
O dia seguinte amanheceu nublado e, apesar de minha terrível visão noturna, acordei animada e cheia de tesão, por isso deixei meus cabelos bagunçados jogados nos ombros, e escovei os dentes sem tirar a camisola só para descer e deixar o Rafael babando em mim. O tio podia até ter atrapalhado nossos planos, mas eu não ia deixar que ele o fizesse de novo. Mamãe não estava no quarto e havia vozes alteradas do lado de fora, e assim eu fui, pé ante pé, ver o que estava acontecendo.
A porta da suíte de Rafael estava entreaberta. Susana não estava lá, mas de onde eu estava podia ouvir o chuveiro ligado. Continuo meu caminho até chegar à saleta da escada e apuro o ouvido. Pelo visto, a tia Elisabeth já tinha voltado arrumando confusão.
— Mas não pode! — A voz dela era inflexível e mandona.
— Tia, mas ela já tem 3 meses! — Sabrina tenta argumentar, já irritada.
— Mas não pode!
— Mas a nossa médica disse que podia!
— Não pode!
— Ai, gente, deixa a criança experimentar, se ela não gostar não come! – Susana se intromete na conversa.
— Mas não pode!
— Tá bom, tia. Tá bom, não vou dar, viu?! Não vou dar! – Sabrina disse por fim, já com a paciência no limite.
Fiquei imaginando o que elas estariam discutindo, mas minha mente trabalha rápida e não perdi tempo. Uma faísca de energia percorreu meu corpo e então entrei no quarto de Rafael, trancando a porta atrás de mim.
— Su? — Ele pergunta, e logo eu estava entrando no banheiro.
— Surpresa... — Digo numa voz manhosa.
Ele tinha acabado de sair do banho e estava se barbeando, com metade do rosto coberto pela espuma branca. Vou chegando perto e passo os dedos pela espuma em volta de sua boca, pronta para beijá-lo, mas ele protesta.
— Ei, ei, ei, linda... Ficou doida? O que tá fazendo aqui? — Ele pergunta de olhos arregalados, esticando a cabeça para conferir o quarto.
— Vim te ver.
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Perfeito Proibido
RomansaIsabela Ferrarezi sempre andou na linha... Até ser convidada para passar uma semana na fazenda de sua família para comemorar o casamento da prima. Perdida entre seus desejos e frustrações, ela vê uma oportunidade perfeita de conquistar o homem dos...
