14 - Belo inferno

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🎵 Música: Beautiful Hell - Adna


Fiquei ajudando as meninas a embalarem as lembrancinhas e quando começou a escurecer, tia Valquíria nos chamou para ir lá fora comer. Uma música ambiente estava tocando e a mesa estava linda, com velas espalhadas, pães, vinhos, cerveja, patês e queijos. A família estava feliz e agitada com a proximidade da festança.

— ... Viu, amora? Amanhã os arrumadores vão chegar cedinho... E nós temos que fiscalizar né... O altar principalmente... Se você quer igual o da revista vamos ter que ficar em cima... — Tia Valquíria disse.

— Aí, mãe, mas pra que tão cedo? — Susana protesta.

— Ué... E se faltar alguma coisa da arrumação? Pelo menos vamos ter tempo para ir até à cidade se for o caso...

— É mesmo, melhor remediar sempre, lindinha. — Tio César concorda e Susana lançou um olhar suplicante a Rafael, que se limitou a dar uma risadinha.

Eu ainda estava tensa com toda a história da ducha e olhava de um para o outro tentando decifrar suas expressões. Alguém naquela mesa talvez soubesse nosso segredo mais sujo e pretendia usar isso contra nós a qualquer momento. A questão que não saía da minha cabeça era quando...

— E aí, estressadinha, agora tá feliz né... — Alex diz em voz baixa e dá um sorriso debochado para mim.

— Como assim?

— Ué... Pelo menos parou de atacar a gente...

Reviro os olhos.

— Eu só estava com TPM, já disse...

— Aham...

— Aí, por que você tem que ser tão chato?

— Gosto de implicar com você só...

— Acho maravilhoso... Né? Tem que fazer uma sessão sim... — Entreouço a conversa de tia Verônica.

— Nunca vi fazer sessão depois do casório... — Tia Elisabeth intervém.

— Ah, a gente faz nossa regra, né mor? — Susana entrelaça o braço no de Rafael e lhe planta um beijo estalado na bochecha.

— Com certeza, linda — Ele retribui sorridente e eu fecho a cara.

— ÔH mãe! Passa o patê aí! — Emanuel grita e tia Verônica franze os lábios.

— Precisa falar gritando?

— Aí, credo, Êh, fala baixo! Daqui a pouco elas começam a chorar... — Sabrina reclama com o irmão.

— E daqui a pouco vão ser elas que vão estar gritando assim com a gente... — Ítalo diz e começa a rir, sendo acompanhado por poucos.

— Que horror... Minhas filhas vão ter educação!

— Credo, filha! Então eu não te dei educação? — Tia Verônica pergunta levando a mão ao coração.

— Ai, não foi isso que eu quis dizer...

— Xih... — Tio César coloca lenha na fogueira.

— Gente, licença, preciso atender... — Pablo sai apressado da mesa agarrado ao celular, e como eu estava entediada, não podia perder a oportunidade de ver a quantas andavam seu caso com a mulher grávida. Então, após esperar uns segundos balançando o pé embaixo da mesa, digo em tom casual:

— Licença, gente, vou no banheiro rapidinho.

Levanto sem fazer alarde e entro na casa na ponta dos pés, apurando os ouvidos para detectar onde Pablo estava. Assim que chego ao corredor, ouço sua voz abafada vindo de um banheiro próximo e, após conferir se não havia ninguém por perto, encosto meu ouvido na porta.

Perfeito ProibidoOnde histórias criam vida. Descubra agora