CAPÍTULO 07💜

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"Eu queria que o amor fosse perfeito por si só Queria que todas minhas fraquezas pudessem ser escondidas." - Fake love, Bts.

/ Jungkook /

O dia estava ensolarado e era primavera, a minha estação preferida. Grandes árvores floridas em um rosa claro se espalhavam por aquela rua. Pessoas de todas as idades andavam felizes pela calçada. Alguns me desejavam bom dia, enquanto sorriam pra mim. Eu me escondia por trás de um moletom, mas nenhuma daquelas pessoas me reconheciam ou me olhavam estranho.

Caminhei por alguns minutos e a felicidade me tomava por ver um lugar tão bonito e alegre. Me permiti sorrir largo e abrir os meus braços sentindo a brisa leve. Aquele era o melhor lugar que já fui, ali havia o gostinho de liberdade.

Ao avistar um pequeno parquinho pude me lembrar de minha infância e de meus pais. A muito tempo não os via e sentia saudades. Mas ninguém ligava para o que eu sentia ou deixava de sentir. 

Balançei a cabeça numa tentativa de fugir dos meus próprios pensamentos e voltei a olhar para o pequeno lugar. Muitas crianças brincavam alegres por ali, uma garotinha de cabelos castanhos me viu. Eu acenei para ela e sorri. Mas ela tinha os seus olhos verdes arregalados e apontava o seu dedo para mim.

— Aquele é o Jungkook do Bts! — gritou.

Foi questão de segundos para que o lugar fosse tomado de pessoas. Muitos apontavam câmeras e celular em minha direção. Gritavam meu nome e pediam fotos e autógrafo. Outros, invadiam o meu espaço pessoal e me tocavam.

Eu estava sozinho e assustado, nao tinha ajuda e não sabia como sair daquela multidão.

Ouvi mais gritos.

"Ele está gordo!"

"Que garoto feio! Ele não pode ser idol!"

Olhei para o meu corpo e o mesmo estava inchado, minhas roupas rasgavam e minhas mãos estavam grandes. Aquele não era eu. Queria correr dali o mais rápido possível, mas minhas pernas não me obedeciam. Encarei a multidão e ali no meio das pessoas vi o meu pior pesadelo, me encarando com um grande sorriso perverso.

— Não, NÃO! 

Tampei os ouvidos e fechei os olhos com força, senti mãos passando pelo meu corpo e era empurrado vez ou outra. Minhas lágrimas caíram descompassadas e eu soluçava alto. Estava com tanto medo.

— Jungkook!

Tropecei em algo e senti meu corpo cair, mas não ousei abrir os olhos ou chamar por alguém. Uma voz feminina sussurrava em meu ouvido palavras sujas e preconceituosas. Tentei fazer a pessoa parar mas não conseguia. O abismo já me consumia aos poucos. 

— Jungkook! 

Era o meu fim e eu estava decidido a progredir com isso. Minha coragem de mover pelo menos um dedo se esvaiu. Então, permaneci encolhido e abracei os meus joelhos. Sentindo a escuridão me tomar.

— JUNGKOOK! ACORDA!

Abri os olhos e vi Jimin me olhar assustado, segurando a gola da minha camiseta. O abracei e afundei o meu rosto na dobra de seu pescoço. Chorei e molhei toda a sua camisa, apertando o contra mim.

— 'Tá tudo bem agora, foi só um sonho. — sussurrou.

— H-hyung, e-ela estav-va lá… — eu disse, tremendo por inteiro. 

— Shhh… já vai passar.

Eu sabia que Jimin queria respostas e o porquê aquela pessoa foi proferida depois de anos. Mas ele permaneceu me abraçando e não reclamou em momento algum. Permanecemos em silêncio, somente o som do meu choro soava pelo quarto. Enquanto aos poucos fui confortado por Jimin que estava sentado no chão comigo encolhido em seu colo.

Sempre foi difícil fugir das más lembranças, relembrá-las me causava arrepios e medo.

Quando parei de chorar, Jimin me levou até o banheiro e me fez tomar um banho, por estar ensopado de suor. Voltei para a cama e prometi a ele que estava tudo bem e que iria dormir. Mas o sono não veio. Passei mais uma madrugada sem dormir.

💜

/ Lisa /

— Eu nunca vi uma pessoa tão assustada, em toda a minha vida. — mordi os lábios para não rir alto, já que era tarde da noite.

— Ele só é exagerado mesmo. — mostrou o adorável sorriso quadrado.

Algumas horas atrás, quando saí do salão caminhei até o meu quarto a encontro das meninas que me esperavam. Mas no meio do caminho encontrei Hoseok com a toalha no quadril, pulando para fora de seu quarto. Ele segurava Taehyung como escudo que ria sem parar.

— Mata! MATA! — Hoseok gritava, apontando para algo ali dentro.

— Gente, o que está acontecendo? — Me aproximei.

Os dois homens me olharam surpresos.

— Aquela coisa asquerosa está no banheiro, eu não vou entrar lá — o mais velho se pronunciou, cruzando os braços. — Não, não. Não vou mesmo.

Taehyung ainda ria e tentou entrar no quarto, mas Hoseok o impediu.

— Como é que você quer que eu mate a aranha, se você não me deixa sair?

Hoseok  tentava se esconder ainda mais atrás de Taehyung, com uma mão segurando a toalha.

— A Lisa pode ir — me olhou com o rosto vermelho de vergonha.

— Eu vou, eu vou — disse, rindo da situação.

Aquilo demorou mais do que eu imaginava e depois de levar a aranha para um lugar seguro, Hoseok me agradeceu e correu para dentro do banheiro. Taehyung ofereceu para me levar até o meu quarto, já que estava muito tarde. No fim, rimos mais que conversamos.

— Ah, mas a coitada é só um bichinho pequeno e indefeso — eu disse quando cheguei até a porta.

— Você tinha que ver quando deram uma cobra para ele segurar — soltou uma risada rouca.

— Nunca imaginei que por debaixo daquele tamanho de homem tinha um garotinho indefeso. 

Taehyung mudou de expressão e coçou a nuca, parecendo se lembrar de algo. Um sorriso quadrado lhe curvava os lábios.

— Acho que está muito tarde, vou voltar — disse, desconcertado.

— Tudo bem, minhas unnies devem estar preocupadas.

Girei a maçaneta mas a mão grande segurou em meu braço, era suave o seu toque.

— Lisa?

— Sim? — me virei.

Ele encarou o chão e se afastou.

— Vou a um museu amanhã à tarde, quer ir comigo? — disse com receio.

— Claro! — sorri.

Levantou o rosto, surpreso.

— Mesmo? Wow, achei que não aceitaria.

— Ué por que não? Gosto de conversar com você, podemos nos tornar grandes amigos.

— Amigos, claro.

Night Stars [CONCLUÍDA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora