Capítulo XIV: Problèmes

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Os dias se passaram de maneira lenta e irreal. No mesmo dia que Belle saiu da enfermaria teve que lidar com a realidade forçada goela a baixo. Encarar os pais de Cedric foi pior do que se encontrar com Grace. E, diferente da madrugada anterior, Bel não podia ceder ao capricho de ficar mal. Tinha que ser forte pelos outros.

Fleur veio ficar consigo e com Grace naquele momento de luto. A francesa estava extremamente chorosa e abatida, sendo sempre consolada por uma Carter que se esforçava ao máximo em permanecer firme. Amos Diggory e sua esposa estavam devastados. O único filho havia morrido.

A competição havia sido vencida por Harry e isso havia deixado a garota mais irritada com toda a situação. Não culpava o menino pelo ocorrido, mesmo não sabendo o que havia acontecido dentro daquele maldito labirinto. Só achava que seria decente não declararem ele vitorioso. Sua raiva era única e exclusivamente direcionada ao diretor. Por culpa dele tudo aquilo estava acontecendo.

No dia seguinte foi o enterro de Cedric. Apenas as pessoas mais próximas tiveram permissão para deixarem a escola para comparecer a cerimônia. Belle, Grace, Cho e mais uns três lufanos foram liberados. A cerimônia foi simples e reservada, como o próprio rapaz. O ambiente só era preenchido por lágrimas e lamentos, algumas vezes palavras de consolos entre os parentes.

Sua mãe compareceu para prestar apoio, acolhendo a filha em um abraço amoroso. Foi o único momento que se permitiu chorar como uma criança mais uma vez, pois tudo o que precisava era o colo de sua amada mãe. Seu pai não se deu o trabalho de aparecer, mas talvez fosse melhor daquele jeito.

Diggory estava bonito, vestido em um traje a rigor caprichoso. Parecia em um sono profundo, entregue aos braços de Morfeu. Aquele foi o momento mais irreal de todos para a garota. Parecia simplesmente impossível imaginar seu melhor amigo morto. Velou seu corpo ao lado do caixão bonito coberto com flores, sua mão sobre a fria do rapaz que guardava a varinha.

Não havia se permitido chorar mais na frente dos outros após seu surto na noite da última prova e o pequeno momento com sua mãe. Era extremamente notável seu estado mórbido, as olheiras fundas e a expressão apática, mas não se via mais rastros de lágrimas. 

— Você iria gostar de como está vestido — cometeu encarando o rosto sereno, implorando internamente que ele abrisse os olhos e ela pudesse visualizar as íris cor de mel. — Espero que não se importe de eu ter ajudado sua mãe a lhe vestir — um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. Aproximou-se e se inclinou sobre o caixão, beijando a têmpora do rapaz enquanto uma última lágrima percorriam seu rosto.

“Não se preocupem, Dig — sussurrou próxima ao ouvido do rapaz. — Seu segredo estará sempre seguro comigo — e afastou-se enquanto se endireitava. — Adeus, amigo. Estará sempre em meu coração.”

Após o velório os dias se tornaram cinzas e apáticos. Mal reagia direito ao que acontecia em sua volta, pois nada mais lhe atraía os olhos. Não sentia fome, sede ou qualquer coisa. Temia fechar os olhos e encarar o rosto morto e olhos sem vida de Cedric em seus pesadelos. Preferia sua apatia melancólica presa em seu dormitório a encarar olhares de pena pelo seu estado horrível.

O último dia chegou rápido. Sua malas já haviam sido despachadas para o trem, quase não prestava atenção às conversas ao seu redor e nem notou quando o diretor da escola iniciou um discurso. Apenas teve sua atenção tomada quando o diretor ousou dizer quem lhe havia tirado alguém importante: Voldemort.

Então era isso. Isso que estava acontecendo. Desde a Copa Mundial de Quadribol onde a marca negra havia sido posta nos céus. Como podia ser tão estúpida! Sua letargia havia impedido que reparasse no óbvio. O professor falso de DCAT, o nome por acaso de Harry Potter e a morte de Cedric tinham ligação. Sua mente fervia com informações.

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