Capítulo XV: Nova Casa

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— Por que não me falou antes, Bel? — Questionou Grace no outro lado do telefone com o tom de voz preocupado.

— Não queria incomodar seus pais, Gray — respondeu Bel enquanto enrolava o fio do telefone público em seus dedos. Uma das poucas coisas que Belle sabia lidar no mundo trouxa era o telefone público que Grace havia lhe ensinado a usar. Apesar das corujas serem o meio de comunicação bruxa, nada era mais rápido que esse tal telefone trouxa.

A Carter havia saído para a Londres trouxa com o intuito único de telefonar para a melhor amiga. Estava há dois dias hospedada no quarto de hóspedes da casa de Fleur que ela havia ajudado a escolher. A francesa havia se mudado por arranjar um trabalho de meio período no banco bruxo britânico Gringotes.

— Mas você está bem? Tem lugar para ficar? — Grace perguntou desenfreada, fazendo a Carter rir do desespero de sua amiga.

— Estou bem — respondeu a garota enquanto via as pessoas passando na rua e lhe encarando através do vidro da cabine. — Estou hospedada na casa de Fleur por enquanto.  Mas será por pouco tempo. Logo voltaremos para a escola e depois arranjarei algum lugar para ficar.

— Me avise se precisar de qualquer coisa, Bel. Não hesite em fazer isso — pediu a Parker do outro lado da linha e Belle assentiu, mesmo sem a amiga poder ver.

— Pode deixar, Grace. Nós nos vemos quando as aulas voltarem.

— Até semana que vem, amiga — despediu-se Grace e o telefone começou a fazer um som que indicava o fim da ligação.

Belle então colocou o telefone de volta no gancho. Respirou fundo e abriu a porta para sair, vendo a pequena fila do lado de fora de pessoas esperando para usarem a cabine. A jovem acenou em cumprimento e os trouxas olharam de maneira estranha para si. Acreditava que fosse por conta de suas vestes bruxas totalmente diferente dos padrões deles.

A garota usava um vestido com a saia cheia e tule em vários tons entre azul, roxo e verde, além de uma capa longa negra. Apesar do calor que fazia por ainda ser verão e o tempo seco, naquele dia ameaçava chover. Pegou o capuz da capa e colocou por sobre a cabeça enquanto se distanciava deles caminhando.

Não precisou se distanciar tanto do Beco Diagonal para achar uma cabine telefônica e por isso acabou voltando rapidamente de onde veio. Em passos rápidos ela chegou ao Caldeirão Furado, bar e hospedaria de Tom. Entrou no estabelecimento acenando para o proprietário e seguindo para a parede de tijolos que era a porta de entrada.

Tirou sua varinha do bolso interno da capa e tocou um dos tijolos, vendo o portal se abrir e em seguida atravessou, entrando na movimentada rua de comércio bruxo. Seguiu andando pelos paralelepípedos enquanto cumprimentava alguns rostos conhecidos. Andou até a loja de Madame Malkin e foi até a porta verde que ficava ao lado do estabelecimento.

Retirou a chave do bolso de sua saia e abriu a porta, adentrando no corredor de escadas. Fechou-a e subiu até o andar de cima onde uma singela casa de dois quartos bem aconchegante se encontrava.

— Já está de volta? — Perguntou Fleur sentada no sofá de dois lugares Branco. Ela sorriu e logo voltou sua atenção para suas unhas. Estava sentada confortavelmente no sofá pintando as unhas. — Pensei que passaria o dia inteiro fora.

A Carter soltou um som em concordância enquanto retirava sua capa e pendurava no aparador. Em seguida se aproximou e sentou ao lado da loira, puxando as pernas da amiga para seu colo.

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