Qual seu número?

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"Ei gata, pega o número do gatinho *---* sabe que eu te amoo né?!

         Sofi "

  Cara, ela deve mesmo achar que eu vou chegar em um garoto que eu nunca vi na face da Terra e pedir o número! Eu não sou tão cara de pau. Então apenas dei um sorriso e coloquei o fone encostando a cabeça no vidro do ônibus. O trânsito estava bom, então faltava menos de 10 minutos para chegar a casa do meu pai. Ah, esqueci de contar, meus pais são separados, então passo uma semana em cada casa, por parte de mãe tenho duas irmãs mais novas, e por parte de pai não tenho irmãos nem nada, nem madastra eu tenho, mas assim fica melhor, pois ai tenho meu pai só pra mim. Sim! Eu sou ciumenta.

  -Alguém vai descer no ponto da padaria - gritou o cobrador.

   Olhei ao redor e ninguém disse nada, então eu apenas levantei a mão.

    Faltava um ponto para o meu, mas mesmo assim me levantei.

    -Ei, vem aqui - disse o cobrador apontando para mim.

    -Eu?

    Ele apenas balançou a cabeça confirmando, dei alguns passos a frente até chegar próximo a eles.

    -Qual seu nome? - perguntou. Não pude deixar de observar os olhos do gatinho em mim, mas não encarei ele.

    -Dayanna, prazer - dei um sorriso de lado deixando à mostra uma de minhas covinhas.

     -Prazer, eu sou o Josh e ele é o Jake - disse apontando para o seu amigo que apenas sorriu, então sorri de volta. - Então qual seu número?

       Cara, acho que as forças do universo estão conspirando ao meu favor, oportunidade perfeita para conseguir o número do gatinho, ou melhor, do Jake. Peguei uma folha do meu caderno e uma caneta, anotei e o entreguei. Já estava no meu ponto.

         -Tchau garotos, foi um prazer conhecer vocês. - disse sorrindo e acenando.

        -Tchau - responderam em coro - Te chamo no WhasApp - dessa vez somente o cobrador, Josh, respondeu.

        Cheguei na minha rua e minhas amigas estavam lá, a Gabi veio correndo me abraçar.

         -Branquela - apelido que ela me deu - que saudades.

         -Menos amor por favor - falei rindo.

         - Tava demorando, você tem que ser sempre convencida?

          -Convencida não gata, realista.

        Fomos andando em direção a minha casa, eu e a Gabi nos conhecíamos a 8 anos, somos o "Trio Parada-Dura" eu, ela e a irmã dela, a Paula, que com toda certeza do mundo já estava dormindo, acho que na vida passada ela foi um colchão.

        Paramos antes de chegar no meu portão e ficamos conversando, meu celular começa a tocar e olho quem é, minha vó.

       -Ligação on-
   Eu: Fala comigo.

   : Onde você está?

   Eu: Tô aqui na rua já, daqui a pouco chego ai.

  : OK, amo você, beijos.

   Eu: Todos me amam querida.

   : Day...

   Eu: Eita carência Senhora Vera haja, amo você também, beijos.

    -Ligação off-

    Fiquei conversando com a Gabi até umas 21:40, então entrei. Passei pela sala comprimentei meu vô que estava vendo TV, comprimentei minha vó que também estava vendo TV, dei oi para os meus cachorros, entrei no quarto taquei a mochila no chão, joguei o tênis longe e liguei o celular no carregador que havia descarregado.

       Liguei o celular e vi que havia algumas mensagens no WhatsApp, entre elas de um número desconhecido que dizia o seguinte:

      " Ei, aqui é o Josh, boa noite "

        Josh? Quem é Josh meu Deus? Ah, o cobrador. Respondi:

        "Ei, tudo bem? Boa noite :)"

        Minha vó entra no quarto perguntando se vou querer algo pra comer falo que não. Pego minhas coisas e subo para o quarto, meu pai não tá aqui no quarto dele, então deve ter saido com os amigos.

         Deixo meu celular carregando e vou tomar meu banho, tomo um banho demorado e relaxante. Saio do chuveiro após uns 20 minutos, estou cansada, mas quero sair um pouco, tipo eu quero dá uma volta, pelo bairro mesmo. Mas não agora, são 22:20, vou comer primeiro, como não sei se vou mesmo sair coloco uma calça de moletom cinza e uma camiseta justa branca, prendo meu cabelo em um coque e coloco meus chinelos, desco pra cozinha e faço um misto quente com suco de uva, como, lavo as vasilhas e subo.

        Fico olhando pro teto e vejo que preciso sair, essa semana foi cansativa, sei que apenas estudo, mas cansa ficar 5 dias por semana confinada em uma escola. Então levanto, escovo os dentes, abro o guarda roupa e fico olhando pra dentro dele como se a roupa fosse cair de lá de dentro automaticamente, se bem que, relativamente falando elas iam, pois meu guarda roupa tava uma zona, preciso arrumar ele. Nem sei para onde ir, como vou pensar na roupa.

         Olho no espelho que tem em uma das minhas portas do guarda roupa e vejo meu skate, faz uma semana que não ando, estou sentindo falta dele, de subir nele, parece que quando subo o mundo para e é somente eu e ele, nada mais. Problema resolvido, vou andar de skate.

          Pego uma camiseta branca, um short jeans rasgado, uma meia pequena e meu vans preto, visto e amarro uma blusa xadrez preta e branca na cintura. Solto meu cabelo deixando ele com os cachos naturais, passo desodorante, perfume e creme, passo um rímel e um brilho básico, pego o skate, celular, fone e dinheiro e desco.

           -Vou andar um pouco, OK?! - digo pra minha vó aparecendo na porta da sala.

          -OK.

          -Horário de voltar? -perguntei.

          -Não, apenas mantenha o celular ligado e não vá muito longe.

           Concordei com a cabeça entrei na sala dei um beijo nela e no meu vô e peguei as chaves que estavam do lado da TV.

           Assim que estava saindo pelo portão esbarro no meu pai que me dá um abraço e um beijo na testa.

          -Vai manobrar? - falou rindo.

          -Sim, tô precisando.

          -Vou tomar banho, e se eu estiver menos cansado apareço na praça pra gente aprender novas manobras, pode ser? - meu pai também tem skate, ele quem me ensinou a andar, antes éramos eu, ele e meu padrinho. Porém meu padrinho mudou para outra cidade, e eu acabei conhecendo novos skatistas e fiz meu próprio grupinho, mas eu e meu pai nunca deixamos a tradição de andar em família.

            -OK, se for me mande mensagem - falei dando um beijo nele.

           Sai andando com skate na mão e fone no ouvido, estava em dúvida se chamava o pessoal para andar, mas primeiramente queria um momento pra mim, então deixei isso pra depois.

Eu Escolhi Te EsperarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora