Capítulo 8

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Dona Grulha era uma mulher enorme, tanto em altura como em largura, tinha quase dois metros de altura, sua aparência suína não escondia seu jeito doce, seus olhos eram grandes e arredondados tinham um olhar carinhoso. Ela não possuía cabelo em sua cabeça, porém seu corpo era coberto de pelinhos. 

Brena ajudou Grulha a se sentar em uma cadeira que parecia que arrebentaria caso a mulher se mexesse demais, enquanto Matt novamente pegava um copo de água, que misturou com uma colherada de açúcar para acalmar a mulher. 

O garoto se direcionou até as duas e entregou o copo de água à porca, ela agradeceu e logo perguntou: 

- Meninos, muito obrigado por terem me ajudado, mas o que houve aqui? 

- Bom, eu quem pergunto!?- Respondeu Brena ainda com o tom de desespero em sua voz, no mesmo momento pegou uma cadeira e se sentou ao lado de Grulha. - O que houve aqui? 

As duas ficaram olhando para Matthew, que não parecia estar na mesma conversa que elas. Estava pensativo, toda a situação que havia acontecido, a criatura e os berros. Será que elas acreditariam caso ele falasse a verdade? E caso ele mentisse, o que aconteceria? 

Definitivamente Matt não queria falar a verdade para as duas, não até saber o que era aquela criatura, não até descobrir de onde vinha e para onde foi aquele ser magricela que gritou com a voz de Arthur. Outra coisa que não saía da cabeça de Matt, Arthur... Quer dizer... Como aquela criatura conseguiria ter a voz do jovem arcanista, ou como a criatura sabia o nome de Matthew? 

Eram muitas coisas passando pela cabeça do garoto, não era nem possível organizar os pensamentos. 

- Ei, Matthew! – Chamou Brena balançando a mão em um movimento muito exagerado. – O que aconteceu aqui garoto? 

- Hm, por onde começar? – Ele realmente decidiu por omitir o que aconteceu no bar da porca. – Bom, abri um portal para a cidade, pois não tenho muito o que fazer em Adena. Entrei e a Dona Grulha não estava por aqui, então me sentei e comecei a ler, fez o maior barulho lá no fundo, um berro e encontrei ela no chão não muito antes de você chegar. 

- Mil desculpas por todo ocorrido, crianças. – Começou dizendo Grulha. – Mas infelizmente não me lembro de nada do que houve aqui... 

Então a mulher porca colocou a mão na cabeça demonstrando que sentia alguma dor. Brena, que estava mais próximo de Grulha, indicou o copo de água e açúcar para a mulher, ela deu um gole e um breve momento de silêncio se instaurou até Matt perguntar: 

- Dona Grulha, a senhora deveria descansar um pouco, gostaria que chamássemos alguém para lhe ajudar? 

- Não é necessário, meninos. – Disse Grulha com um olhar e um sorriso doce ainda toda coberta por farinha. – Obrigado, mas vocês podem voltar para o castelo e não se preocupem, vou ficar bem. 

Matt e Brena ajudaram Dona Porca a fechar o bar e então voltaram andando pela rua de paralelepípedos da cidadezinha de Railor. Os dois caminharam em silêncio por um tempo, os pensamentos não conseguiam sair da cabeça do garoto, parecia que era um sonho bizarro que não conseguia realizar que tinha acabado de acontecer, a face daquela criatura estava muito clara em suas ideias e não conseguia se livrar daqueles pensamentos de nenhuma forma. 

- Desculpa estar calado Brena, preferi omitir o que aconteceu no bar hoje, mas assim que estiver pronto te conto o que realmente houve... – Então o garoto teve um lapso e se lembrou de perguntar. – Ei! O que você estava fazendo aqui? Não tinha que estar na aula ou treinando alguma técnica de lanceiro, não? 

- Ah, é... – Então a garota pareceu bastante desconcertada e limpou a garganta antes de continuar sua resposta. – Bom, vou pedir que mantenha segredo, por favor! 

Matt assentiu com a cabeça e cruzou os dedos no formato de um 'x' sua boca em sinal de que não abriria a boca. 

- Meus pais deixaram Lena e eu comprar armamentos com um ferreiro de fora da cidade, então tenho que ir algumas vezes visita-lo para ver como anda o processo.

Os dois comemoraram e ficaram muito felizes porquê sabiam que equipamentos de ferreiros eram muito caros, por isso muitas vezes os alunos de Adena apenas seguiam seus caminhos com equipamentos feitos pelos profissionais que trabalhavam para a escola, não eram os de melhor qualidade, porém davam conta do recado. 

Matt tinha sorte de que seu pai se tornou um ótimo ferreiro após ter se aposentado dos campos de batalha, então teria uma maça feita com o melhor material e combinaria com o desenho de sua armadura. 

Foi então que os garotos entraram em um beco e como da primeira vez, Matthew ditou as palavras de comando para que o portal se abrisse, Brena entrou primeiro seguida do garoto que logo foi puxado por uma mão e logo viu a cara macilenta do Professor Juugar que logo gritou do fundo de seus pulmões: 

- O QUE OS DOIS ESTAVAM FAZENDO CONJURANDO UM PORTAL?

Contos da Estrela do Norte - O Sol e a LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora