Uso da safeword - Parte 1

5.9K 437 215
                                        

Park Jimin

Mordi o lábio inferior, sentindo o peso esmagador da culpa enquanto segurava o celular contra a orelha. Minhas mãos tremiam. Meu peito subia e descia de maneira irregular.

Se Jeon não me matasse por atrapalhá-lo em seu horário de trabalho, com certeza me mataria quando visse o estado do carro.

A cada segundo de espera, minha mente se enchia de cenários catastróficos. Eu podia imaginar sua voz severa, seu olhar crítico, suas mãos nos cabelos enquanto tentava conter a frustração.

Eu queria desligar. Fingir que nada aconteceu. Mas o estrago já estava feito.

A linha foi atendida do outro lado.

— Park? — Sua voz soou grave e um pouco rouca. Meu estômago revirou.

Engoli seco.

— Amor... — comecei hesitante, tentando preparar o terreno, mas minha voz falhou no meio da palavra.

— O que aconteceu? — Ele cortou, direto. Nenhuma hesitação. Apenas preocupação.

Meus olhos se encheram de lágrimas e um soluço escapou antes que eu conseguisse me segurar.

— Jimin?

A culpa pesou ainda mais. Meu nome, dito naquele tom, me fez querer desaparecer.

— V-você pode vir me buscar? Por favor.

— Amor, me diga o que aconteceu.

Havia urgência na sua voz. Ele estava nervoso, eu podia sentir. Mas não de raiva—de preocupação.

Fechei os olhos com força.

— Eu bati seu carro.

O silêncio durou apenas dois segundos.

— Você está bem?

Arregalei os olhos. Não era essa a resposta que eu esperava.

— O quê?

— Você está bem, Jimin? Se machucou? — Ele parecia mais agitado agora.

Senti um aperto no peito. Meu corpo ainda estava em alerta. Eu tinha me machucado? Nem sabia dizer.

— Estou... eu acho.

— Você está em um lugar seguro?

Olhei ao redor. O ônibus que eu fechei ainda estava ali, o motorista conversando com alguém no telefone. Algumas pessoas observavam de longe.

— Sim.

— Me manda o endereço. Estou saindo agora.

Não ousei contestar. Enviei a localização imediatamente.

Ainda não eram nem dez horas da manhã e meu dia já havia se tornado um inferno.

Play me, teacherHistórias para pegar e não largar. Descubra agora