nove

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— Vou sentir saudade!

— Traz alguma lembrancinha!

— Tome cuidado, Ochaco-chan!

As amigas apertavam Uraraka com toda a força à medida que ela andava para fora da escola. Nenhuma força a impedia de dar leves risadas com toda aquela choradeira e amor que só amigos poderiam oferecer. Depois de todos os pensamentos ruins e tudo o que havia passado, ela sentia seus ombros leves.

Os sites a deixaram em paz desde o ocorrido, apesar de divulgarem polêmicas e sensacionalismo contra os heróis, Uraraka foi esquecida por um tempo. Todoroki também não parecia abalado, pelo contrário, demonstrava preocupação e gentileza à amiga todas as vezes que treinavam juntos. Bakugou não foi diferente. Após a saída de Midoriya, algo havia mudado dentro dele, sua quietude dizia mais do que suas explosões. Mas, se Uraraka precisasse de algo durante o treino, lá estava ele oferecendo (do seu jeito) apoio.

— Se voltar com essa sua cara redonda emburrada de novo, eu juro que te mato. — Bakugou se aproximou depois das garotas se afastarem.

— Obrigada, eu acho. — ela sorriu meiga. — Mas não seja tão dramático, eu vou passar apenas dois dias fora e será com os meus pais, não em uma aventura proibida.

— E eu ligo quantos dias você vai passar fora da escola? Não se sinta especial.

— Acho que ele quis dizer que tentará não sentir sua falta. — Kirishima apareceu por trás dele para estressá-lo.

— Morra.

— Brincadeiras à parte, ficamos muito preocupados com você da última vez. Sei que nenhum de nós três é tão próximo, mas temos objetivos em comum. E... te admiramos muito também. — Kirishima a abraçou carinhosamente.

Uraraka lembrou das palavras que Recovery Girl disse à ela na enfermaria outro dia.

— Uraraka! — Todoroki andou até ela. — Pensei que você já tinha ido. Por favor, tome cuidado.

— Obrigada, meninos. — ela sorriu. —  Depois de tudo que aconteceu, achei que minha força não valia de nada. Não me senti nenhum pouco forte.

Os três a olharam confusos.

— Mas você é tão forte. — Kirishima e Todoroki disseram em um tom uníssono.

Lá estava a garota corada de novo.

— Que idiota. — Bakugou disparou. — Você não aprende nunca, não é, Cara Redonda? — ele colocou as mão no bolso e deu uma risada maldosa. — A razão de você ter ido atrás daquele imbecil é porque é corajosa. E coragem é uma das atitudes mais marcantes de um herói. Burra.

Uraraka riu com o elogio de Bakugou.

— Uraraka! — Aizawa a chamou. O carro que a levaria para casa já estava pronto.

— Eu tenho que ir. Bem... — ela olhou para os três. — Muito obrigada. Feliz Natal adiantado. — sorriu.

Os três observaram a ida de Uraraka até o carro.

— É, dá para entender o motivo do Midoriya admirar tanto ela. — Kirishima comentou.

— Você não dormiu nada. — Hawks observou Midoriya pousar ao seu lado no alto do prédio.

Midoriya trabalhava desde a véspera do Natal, já eram três da manhã do dia 25. A nevasca ainda não havia parado, ele tremia como se houvesse cubos de gelo debaixo do uniforme. Talvez por esse frio, ele se mantinha ainda mais acordado. Preferiu não responder ao herói por causa do ranger de dentes.

Perdidos | IzuochaOnde histórias criam vida. Descubra agora