Midoriya beijava lentamente Uraraka, como se degustasse seu prato favorito ou bebesse a água mais gelada em um dia quente. Suas mãos delicadas passeavam pelas bochechas, nuca e os cabelos da garota deitada e agitada. Apoiado em seu cotovelo, ele não tinha pressa para absolutamente nada. Como um bom observador e aquele típico analista que era, seus sentidos curiosos e o desejo beijá-la a tanto tempo que agora não a deixaria por nada. Segurou o queixo da garota perdida e rendida para ele e mordiscou seus lábios vermelhos com vontade. Lambeu os lábios ao se separar dela por um instante, apenas para olhar seus olhos cheios de desejo. O tórax de Uraraka subia e descia um pouco mais rápidos, indicava como estava ofegante aos delírios. A sensualidade que ela esbanjava já começava a deixá-lo maluco. Ela não queria que ele parasse de tocá-la. Seus beijos eram tão doces como um dia imaginou, seus carinhos a despertava mais do que imaginara.
Novamente ele se moveu, pondo uma de suas pernas entre as pernas de Uraraka, ficou por cima da garota. Apoiando-se pelas mãos mergulhadas no colchão macio, ele apreciou a visão de Uraraka sedenta por mais beijos e outras coisas. Ele lembrou do que ela disse na noite que dormiram juntos, sobre ela não aguentar aquele sorriso e os olhos baixos.
— Não comece...
— Do que você está falando? — ele brincou com aquele tom ingênuo.
— Quem diria que você só teria essa carinha de bom menino.
— E eu não sou?
Ao falar, suas pernas se enroscaram de novo. Uraraka parecia tão necessitada pelos toques que deixou um pequeno suspiro passar com aquele contato que a calça jeans de Midoriya fazia com suas coxas. Ainda mais e especificamente aquele garoto com a camisa social entreaberta na parte superior por cima dela. Seus cachos caíam sob seus olhos de luxúria, mais atraente do que nunca.
Midoriya sorriu e abaixou para dar mais um beijo caloroso. Uraraka o puxou pelo colarinho da camisa para mais perto durante o beijo, fazendo-o aprofundar ainda mais. Seus corpos quase estavam colados, a perna suspensa de Midoriya fazia com que apenas a parte superior de Uraraka ficasse tão próxima à ele. Não como se reclamasse, graças aquele apoio do joelho entre as pernas de Uraraka, ele tinha algum juízo dentro de si. Midoriya não resistiria as outras situações que rolam após um beijo tão quente como aquele, não era mais um garotinho ingênuo para saber o que poderia fazer se não houvesse tanto controle. Seu respeito por Uraraka era seu limite. Quando a garota desfez o beijo, ele deitou ao seu lado.
Uraraka virou para ele, Midoriya encarava o teto com uma das mãos sob o abdômen. Um tanto desnorteado com as demais e novas sensações, evitou olhar para ela de primeira.
— Eu não queria que amanhecesse — ela sussurrou.
Ele não respondeu, mas pensava a mesma coisa. O silêncio entre eles não era constrangedor, apesar de darem seu primeiro beijo caloroso naquela noite, aquela falta de palavras dizia muito mais do que a existência delas.
— Você está nervoso, não é? — ela disse em meio aos risinhos.
Ela colocou uma das mãos na boca para impedi-la de rir alto quando ele fez uma careta. Midoriya se sentou na cama, observando a neve que caía do lado de fora daquela janela que mais cedo entrou.
— Ficar aqui com você parece tão fácil para o meu coração. É como se meu mundo não estivesse ruindo ou tão... obscuro.
Uraraka sentou ao seu lado encarando aquele mesmos flocos de neve fazendo contraste com a escuridão da noite. Aquele pequeno desabafo que contou a Recovery Girl retornou em sua mente. Ficar com Izuku Midoriya era tão fácil, mas tão difícil ao mesmo tempo.
— Você passou por maus bocados essas últimas semanas, não é? — ele tocou no seu braço já cicatrizado. — Quando eu li a notícia fiquei tão revoltado...
— Ah, isso? — ela até esquecia daquela queimadura. — Está tudo bem.
— De verdade?
Uraraka mordeu o lábio, meio hesitante.
— É, quer dizer... Não totalmente.
Midoriya deu uma abertura silenciosa para que ela continuasse, se quisesse.
— Eu queria ser mais forte para ajudar os outros, é isso que eu pensava desde que encontrei você meses atrás — não tirou os olhos da neve sob a janela. — Daí, cruzei com aquela mulher e ela disse coisas tão... eu não sou aquilo, mas minha mente quis me convencer que eu era.
— Para mim, heróis são pessoas que não precisam super poderosas. — Midoriya olhou para Uraraka. — São pessoas que fazem aquilo que realmente importa. Seja ouvir o que você sente ou te dar uma outra perspectiva das coisas...
Midoriya parou de falar, lembrando de situações que sofreu no decorrer do ano.
— Você não está bem com essas coisas, né? — Uraraka observou. — Deve ter sido um ano difícil.
Midoriya paralisou com aquela resposta. Era verdade. Coisas demais até para ele.
— É...
Uraraka olhou para o garoto e o levantou. Pegou um dos fones e colocou em uma música aleatória da sua playlist.
— O que você está fazendo?
— Algo que importe.
Botou um lado do fone nele e outro nela. Ela começou a dançar de uma forma sem sentido que só o fez rir.
Então, ele acompanhou ela em uma dança parecida com valsa, ao mesmo tempo tango e uma pitada de Mina Ashido. Uraraka girou Midoriya e vice-versa. Eles riam baixo, a garota mexia seus pés e Midoriya acompanhava de uma forma estabanada.
•
— Parece que virei babá desse garoto, trouxe algumas frutas para a folga dele. Pelo menos as lojas ficam desertas de madrugada. — Hawks colocou as sacolas na mesa.
— Ele não está aqui. — All Might vestia um pijama dele mesmo.
— E por que você está aí parado? Vamos atrás dele!
— Olhe. — mostrou o GPS. — Ele não se move há quase duas horas. Também não levou o uniforme.
— Isso é mais preocupante ainda, certo?
All Might pegou um bloco de notas.
— Certo?
— Eu achei isso também. Mas, o endereço me pareceu familiar... Percebi que já estive nesse lugar antes. É a casa de uma das garotas que estuda com ele.
Hawks revirou os olhos.
— Garotas... Como não pensei nisso? — botou uma das mãos no rosto. — Qual o endereço dela?
— Ah, esse aqui. — mostrou para o herói.
— Tudo bem.
— Você vai buscá-lo?
— Claro, mas serei discreto. — deu um sorriso.
XOXO
N/A: Quando escrevi a cena de dança desajeitada deles, lembrei automaticamente do Harry e da Hermione dançando no filme Relíquias da Morte - parte 1. <3
• SIM, eu dividi esse capítulo em duas partes para terminar no 12 kkkkkk.
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Perdidos | Izuocha
Fiksi PenggemarPassaram-se seis meses após o sumiço de Izuku Midoriya. Os heróis estão perdendo a confiança dos civis, os alunos estão desmotivados e revoltados. No meio da melancólica e odiosa guerra entre repórteres e heróis, há um vigilante não identificado nas...
