Uraraka já estava no segundo metrô direcionado as áreas isoladas. Muitos moradores não saíram de lá como forma de protesto contra os heróis. Já eram quase seis horas da noite. Não sentia cansaço, ouvir músicas nos fones de ouvido a ajudaram a manter algum foco. Se perguntou brevemente se alguém já percebido sua ausência na escola. Seus amigos não entraram mais em contato, também não teve mais atualizações nos sites jornalísticos sobre o tal vigilante. Seu estômago embrulhou quando pegou um dos onigiris dentro da mochila. Ela não conseguia se livrar da ansiedade.
— Mais um desses heróis corruptos está na TV. — um dos passageiros comentou com um grupo. — Não confio em mais nenhum deles. Eles ganhando dinheiro para fazer o mínimo e a gente tendo que contar para sobreviver e pagar as obras de casa. Tudo isso é culpa deles.
— É uma palhaçada. Como se fôssemos menos que eles.
— Querem nos jogar de lá para cá, como se nossos custos e empregos não fossem nada. Não são eles que passam por dificuldade, no fim das contas.
E se for tudo uma tolice nossa? Isso me faz heróica ou... idiota?
Estava cabisbaixa. Assim como a maioria daquela estação frio. Ouvir todos aqueles desabafos rancorosos a encolheu ainda mais.
Talvez eu devesse procurar um outro emprego.
Ela lembrou daquele herói repetindo essas palavras.
Desceu junto aos demais. Parecia tão pequena no meio daquela multidão de caras raivosas e revoltadas. A área não estava mais cercada por policiais. Havia algumas dezenas misturadas que andavam em todas as direções, isso a fez se perder por um instante. Uraraka entrou em uma das ruas próximas ao começo da destruição. Deserta. Continuou a andar em alerta. Em um dos noticiários que acompanha, viu que a criminalidade só aumentou depois da entrevista de Endeavor. Ela sabia se defender muito bem, mas saber que andava sozinha naquele canto da cidade a deixava nervosa.
— Que mocinha bonitinha.
Uraraka parou ao sentir alguém atrás dela. Outro apareceu à sua frente. Ela já imaginava. Seus punhos se fecharam automaticamente e sua mente começou a formar imagens diferentes de combate.
— E aí, garotinha. Está perdida?
Eu não deveria reagir. Tenho aberturas suficientes para escapar. Mas, e se...
— Estamos falando com você. Não ouviu?
E se...
— Estou falando com você. — o cara andou até ela e a apertou no braço.
— Eu ouvi. — ela tentou puxar o braço daquele aperto. Ele a segurou mais forte.
— Passe tudo o que tem escondido aí. — o outro que estava atrás dela segurou seus ombros e ela tentou se debater. — Não se mexa. — o bandido da frente mostrou a faca para ela. Ele abriu o zíper do seu casaco e tirou sua pequena bolsa presa na cintura. O rádio estava lá dentro. Bakugou a aconselhou a não reagir, mas se eles o levassem embora, como ela se comunicaria com eles?
Desde o segundo ataque dos Vilões no acampamento, Uraraka não sentiu seu coração palpitar daquele jeito. Era agonia. Após retirar a bolsa, ele bisbilhotava em busca de dinheiro.
Não vou me submeter a isso.
A garota esperou outra abertura. Acertaria em cheio a cabeça dos dois. Qualquer coisa para achar Midoriya seria melhor do que estar cercada por dois homens.
— Ela está acompanhada.
Uma silhueta apareceu um pouco distante, caminhando até ela.
— Acho melhor que tire logo essas mãos dos ombros dela.
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Perdidos | Izuocha
FanfictionPassaram-se seis meses após o sumiço de Izuku Midoriya. Os heróis estão perdendo a confiança dos civis, os alunos estão desmotivados e revoltados. No meio da melancólica e odiosa guerra entre repórteres e heróis, há um vigilante não identificado nas...
