Meu coração estava tão partido de ver Deco naquele estado, logo cedo pela manhã ele levantou primeiro que eu, em seguida me levantava e via ele na porta, e eu sabia com quem ele estava conversando, ficava no quarto, o esperando e ficando quieta, era a outra, mas como não temos mais nada não tem o por que de eu fazer alguma cena, e não demorava muito e via ele adentrando com algumas sacolas que eram fraldas, e acessórios de bebê. Ele guardava rápido pra eu não perceber, e logo que me via acordada dizia: - Levantou cedo dorminhoca, preparei um café pra gente.
- Consegui regular meu sono e obrigada pelo café mas tô sem fome agora.
- Ok, quando tiver me diz que eu preparo, você vai mesmo comigo hoje até Volta redonda?
- Claro que vou, quero estar do seu lado nisso.
- Nossa, eu não sei nem o que falar, eu não mereço isso, dizia ele cabisbaixo.
- Merece, eu sempre disse que eu estaria do seu lado pra tudo!
- Mas você não merece ficar ao lado de alguém como eu, um fracasso.
- Deco não fala assim, por favor.
- Tá bom, não quero te estressar, vou preparar minha roupa pra irmos.
- Está bem. Em seguida ia colocando na minha mochila alguns itens pra passar a noite já que eu sabia que iríamos dormir na casa da tia de Deco, observando ele arrumado, ia endireitando a manga da camisa dele e via ele me olhar, íamos saindo e ele trancando a casa, entravamos no carro e tomávamos partida pra rodovia principal, daqui pra volta redonda daria em torno de umas 3h, então deixei alguns lanches preparados e já na estrada escutava Deco dizer: - Eu nem sei o que falar com isso tudo que você está fazendo por mim.
- Não precisa, eu já te falei.
- Eu fico sem graça, não sei como falar com você, nem te olhar.. por que sei que toda a história da gravidez mexeu demais com você e de forma ruim.
- É mas aconteceu, não se tem o que fazer
- Queria concertar tudo mas eu deveria ter te falado que entrar pra minha vida aconteceria isso, merda, por que é isso que eu sei fazer
- Não, claro que não, você é a pessoa mais incrível e doce mesmo sendo ogro que eu já conheci, você me acolheu Deco, quando todos me rejeitavam.
- Ah mas isso é o mínimo que eu poderia fazer, você me colocou no eixo, me fez ter vontade de fazer as coisas darem certos e eu vacilei feio com você, e se você não me perdoar um dia, ou não me querer mais como o seu homem eu vou te entender, mas eu tô sofrendo tanto, tanto sem você.
- É, eu também tô, não vou mentir.
- Eu sei, lá em casa já não tem mais graça nada Ariel, você completava todo aquilo meu ambiente, sinto falta de acordar do seu lado, de cuidar de você e ver você cuidando de mim.
- Calma, as coisas vão se acertar pra gente. Eu tô cuidando de você não tô? Eu tô aqui..
- Eu sei disso, e obrigado de coração, ninguém nunca fez isso por mim. Por isso você sempre vai estar em meu coração, em seguida ia beijando o ombro dele e o abraçando, vendo o dirigir e ficávamos assim o resto da viagem toda.
- Ao chegar subíamos um morro e estacionamos em uma calçada, uma casa alta e com um padrão de vida médio, não era feia, era bem arrumada a frente, e logo em seguida saiamos do carro e era recebidos por uma moça, na faixa dos 40 anos, certamente era tia de Deco e via ela abraçar instantaneamente ele, e ela começava a chorar compulsivamente e ouvia ela dizer: - Não consigo acreditar que ela se foi, ela só falava de você. Antes de partir.
- Eu soube, mas o que aconteceu?
- Ela teve um avc, e ficou três dias internada.
- Porra mas por que vocês não me ligaram, e eu dava um jeito
- Não conseguimos contato com vocês, quando ela faleceu que seu primo foi te procurar no alemão, e nisso via ela dando espaço pra ele e ao me ver escutava: - E sua mulher né? soube que vai ser pai. Paralisava ao escutar aquilo, por que querendo ou não eu me sentia mulher dele, mas receosa dele não concordar e dizer a nossa realidade que mais doida que fosse eu não conseguia acreditar.
- É minha mulher sim, mas não é ela que tá grávida não.
- Ué não? então quem é? Observava ele olhar meio nervoso com toda a situação e tentava dispersar dali e ouvia ele dizer.
- Eu e Ariel terminamos e ficamos separados por uns tempos e daí acabou que eu me envolvi com essa pessoa uma única vez e aconteceu, mas resolvi ficar com Ariel que é a pessoa com quem eu sempre tinha que ficar, e é isso.
- Em seguida só observava a tia dele acatar a história e adentrávamos a casa e ouvia ela dizer.
- Vocês escolhem onde vocês vão dormir, se é aqui na sala, no quarto, onde preferirem, deixem as mochilas ali no canto que vou preparar algo pra almoçarem, o enterro será as 15h.
- Nisso Deco pagava a minha mochila e eu sentava sobre o sofá, observando as fotos que tinha espalhadas na sala e reconhecia uma de Deco criança com certamente o pai dele. Sorria e via ele chegando e ele se sentava ao meu lado, e dizia: - Me desculpa me fazer te passar por isso. Sério..
- tá tranquilo, não precisamos falar sobre isso agora. Ele concordava e nisso íamos pra mesa almoçar com a tia dele, Eva, e ouvia Deco conversar com ela sobre como tudo mudou, e já perto do horário, íamos nos arrumando, e indo para o cemitério, Deco me apresentava para a toda família como mulher dele, captava os olhares curiosos e indagativos dos parentes dele mas ficava quieta, Deco não chorou em nenhum momento do enterro, quando o caixão saiu da capela, já era por volta de 17h, fiquei sentada com Eva e Deco subiu com seus tios e primos para o cemitério, nunca entrei em cemitério e nem gosto, A tia de Deco também e ela puxava assunto comigo e dizia: - Vocês estão juntos a muito tempo?
- Sim, quase 4 anos..
- Vejo que mudou bastante ele, dá pra ver pelo diálogo.
- Sorrio sem graça e ouvia ela completar.
- Seja o que vocês dois estejam passando, não deixe isso afastar vocês, o amor de vocês é maior do que isso é dá pra sentir e perceber.
- Em seguida concordava e voltávamos pra casa no carro dela, Deco tinha permanecido lá, eu ia tomar um banho e me trocando, Eva morava sozinha, seu marido morava com os filhos em outra cidade, ela ia de deitar pra descansar e já passava quase perto das 20h e Deco chegava e me encontrava na sala, logo em seguida dizia: - Oi, desculpa demora, fiquei com meu primo conversando e colocando os assuntos em dia e perdi a hora.
- Ah tudo bem, você precisa espairecer..
- Vou tomar um banho pra gente deitar tô muito cansado e sei que você também está!
- Sim, te espero então pra montar a cama.
- Passado alguns minutos e Deco retornava, sem camisa e de short, ele ia me ajudando a preparar a cama, e colocar os lençóis, ia arrumando e nisso ligava o ventilador e desligava a televisão, em seguida ia deitando junto com ele e ouvia ele dizer: - obrigado por tudo, estou aprendendo a ser forte com você.. em seguida o abraçava e o puxava pra perto de mim que me abraça também me colocando pra perto dele e dizia: - você não precisa ser forte o tempo todo, pode desabar, por fora, eu estou aqui pra te acalmar e te proteger. Falava olhando nos olhos dele e segurando a sua mão sobre o endredom.
- Eu te amo Ariel, te amo demais..
- Eu também te amo ainda Deco, tô com você pra tudo.
- Me abraçava e dorme comigo assim, é só isso que eu quero pra sempre. Dava um beijo na bochecha dele que me roubava um beijo, um beijo intenso, com amor, carinho, com apreço, não negava e continuava, sem parar, ao terminar o beijava de novo mas com um selinho finalizando e ouvia ele dizer.
- Te amo!
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O Dono Do Boreu
RomanceEssa história tratará de quando Ariel cruza o caminho de Deco um cara frio que logo e se vê totalmente apaixonado pela por ela. Ariel que subiu o morro do boreu apenas para fazer um trabalho de escola acabará despertando sentimentos nesse marrento q...
