Lucien.

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Caminho lentamente ao redor do fogo, sentindo meu corpo se eriçar em resposta à chama laranjada. Sinto Lucien vindo até mim antes mesmo de vê-lo. Suas mãos gélidas vão de encontro ao meu braço e eu recuo por um momento sentindo a diferença de temperatura.

- Você enlouqueceu? - Indaga Lucien, com a respiração ofegante e o olhar vivido.

- Só estou fazendo o que deveriam ter feito muito tempo atrás, dando um fim a vida miserável de Beron. Ele me fez queimar então estou apenas retribuindo o favor ao meu querido Grão Senhor. - Sorrio irônica.

- Meus irmãos irão te caçar, tem que sair daqui agora mesmo. - Ele puxa meu braço mas eu me solto, o encarando.

- Pensei que fosse mais esperto, querido. Seus irmãos estarão ocupados demais pela disputa de poder para sequer se importar com quem matou Beron. - Me inclino ao notar uma pequena raposa me observando ao longe, com medo do fogo. Rio levemente da ironia da situação.

- Deixe de ser idiota, por mais que meu pai não tenha sido o melhor Grão Senhor eles terão a obrigação de dar um fim a isso. - Vejo seus olhos cintilarem perante ao fogo e sua raiva crescente.

- E aí, eu mostro meu último truque. - Sorrio para ele. - Digamos que eu tive uma pequena ajudinha de seu irmão Eris, talvez no fundo ele não seja tão ruim assim, talvez só esteja quebrado como muitos outros estão. - Dou de ombros.

Ouço um barulho na floresta e me viro bem a tempo de ver a figura alta de Eris caminhando lentamente pela floresta, com seu olhar atento ao redor e passos suspeitos. Ele vem até mim e me empurra uma bolsa de couro juntamente com duas capas.

- Vista isso. - Ele coloca a capa mais grossa sobre mim, escondendo meu cabelo e minhas feições. - E você, vista isso. - Ele diz entregando a outra para Lucien.

- Alguém mais sabe desse plano ridículo de vocês? - Lucien indaga ainda vestindo sua capa.

- Não, contratei um mercador que levará especiarias até a Corte Crepuscular, tentem ficar lá até terem notícias sobre a Corte. Aqui tem comida para cerca de três semanas, tentem economizar pois vocês irão de carroça e o caminho pode ser longo. Não importa o que esteja acontecendo, fiquem o mais longe possível do palácio, Thesan pode ser uma boa pessoa mas vocês podem levantar suspeitas por chegaram a Corte de repente. Fiquem nas sombras e protejam um ao outro, farei o possível para avisar vocês assim que tudo estiver mais calmo por aqui. - Ele sai, voltando para o palácio de seu pai e se afastando cada vez mais de nós e do chalé em chamas.

- Vamos, está prestes a anoitecer e logo os guardas de seu pai chegarão. - Lucien não responde ou anda, apenas fica parado observando. - O que foi, Lucien?

- Por que fez isso?

- Porque seu pai não merecia o que tinha, Beron tinha dois filhos maravilhosos mas não soube dar valor, tinha ótimas terras que poderiam ser melhor aproveitadas, tinha poder, a única coisa que um verme daquele merecia era queimar com seu próprio fogo.

- Por que Eris me mandou com você?

- Porque você é um dos principais motivos de eu ter feito isso. - Digo olhando em seus olhos e quando a resposta não vem, caminho em direção a estrada, em busca da carroça.

Caminho em direção a carroça e vejo dois homens sujos sentados nela, conversando enquanto bebem cerveja. Eles me encaram é um arrepio percorre meu corpo, logo sinto Lucien se aproximar novamente e encará-los, fazendo com que eles se levantem.

- Lucien Vanserra? - Pergunta o mais alto, coçando a barba com a garrafa de cerveja ainda na mão.

- Sim, quem são vocês? - Lucien indaga, desconfiado.

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