Capítulo 7

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— Então, quer dizer que você não resistiu ao charme do Gael? — brincava Raquel, revirando os olhos e fazendo gestos. — Nossa, aquela pele de bebê... Aquele cheirinho de talco...

— Para, Raquel! — reagi, simulando nojo. — Não me deixa mais culpada do que já estou me sentindo. Foram só uns beijos inocentes! — Sorri, fazendo careta.

— Deixa de ser boba, Bel! Ele não é um bebê. É um homem de 27 anos, que está dando um passo enorme ao montar seu próprio negócio! — disse e riu, sarcástica, estreitando os olhos. — Naqueles romances que a gente adora ler, aos 25 anos o bonitão já é CEO de uma mega empresa e fatura milhões por segundo.

Eu ri com cumplicidade, mas depois voltei aos assuntos reais. 

— Eu sei... — Entortei os lábios e ponderei: — O Gael não é uma criança. Longe disso. É um homem muito bacana, com assuntos interessantes, uma vida nada do tipo “filhinho de papai” e você tem razão, é lindo pra caramba! — Levantei os ombros e entortei os lábios. — Mas não é para mim. Simples assim. Não é o que estou procurando. Estamos em níveis diferentes. — Raquel prestava atenção no que eu dizia, sem tom de brincadeira, parecendo querer mesmo entender meu ponto de vista. — Ele está onde eu estava há dez anos... Montando seu negócio, com a mente voltada totalmente para o trabalho. Gael quer diversão? Sim. Eu também queria naquela época. Quer uma namorada? Talvez. Ter companhia para crescer junto é bom. Mas quer casar, Raquel? — perguntei, retoricamente. — Só se for louco! Está pensando em ter filho agora? Só se fosse um idiota inconsequente. E não é o que me parece. Então — respirei fundo —, pode ser que aconteça de a gente ficar junto, uma vez ou outra, mas é só o tempo de ele descobrir novas opções e eu pulo fora na primeira boa oportunidade. — Balancei a cabeça para os lados e sorri. — Pode até acontecer de não rolar mais nada... Pode muito bem ter sido coisa de uma única vez... Para mim, não importa. Tanto faz mesmo — afirmei, com sinceridade.

— Eu entendo você, Bel... E sabe que, de vez em quando, muito de vez em quando mesmo, acontece uma vez a cada dez anos mais ou menos, você pensa com sensatez...

Ergui as sobrancelhas. 

— Você e minha mãe só não admitem, mas sabem que estou certa em estar correndo contra o tempo.

— Vou para a minha loja, porque é só segunda-feira, ainda... — Raquel simulou um choro.

— Quel, não deixa essa história do encontro se espalhar, não... Você, minha mãe, o Maurício, Hugo, Helena e André já são plateia suficiente do meu reality show.

No final do dia, um pouco antes de fechar a loja, recebi uma mensagem de Gael:

Oi! Tive que vir meio às pressas para o Rio de Janeiro... Uns probleminhas burocráticos da venda da casa do meu pai. Acho que, infelizmente, ficarei por aqui uma semana para poder resolver tudo. Mas me liga se sentir vontade, vou adorar ouvir sua voz e suas maluquices.

Achei fofo, mas não respondi. Então, já em casa recebi outra mensagem dele.

Isabel, por favor, me passe o nome do site de namoro que está cadastrada, pois tenho muito interesse em encontrá-la novamente.

Droga! Até tinha me esquecido de que a boca aberta da Carina tinha me feito passar aquela vergonha contando sobre o encontro. Acabei rindo da situação embaraçosa.

Melhor não, pois como você ficou sabendo, não tive boas experiências nos meus encontros.

Logo após ao envio, Gael me respondeu novamente.

 Oba! Você não me ignorou! Ganhei meu dia.

***

Na quarta-feira, assim que abri a loja, estava fazendo cópias de uns documentos e conversando com uma cliente, simplesmente fiquei atônita com o que vi: Rodolfo, aquele cara que tinha ido se encontrar comigo por pena de me dar o bolo, entrou na minha loja. Lindo, de fazer o coração bater errado, com aquela pose de homem convencido e supergostoso dentro de uma calça social cinza e camisa social preta. Ele me olhou de forma indecifrável, sem um meio sorriso que denunciasse se tinha se lembrado de mim, então agi como se fosse apenas mais um cliente e pedi que esperasse um momento, até que pudesse atendê-lo. Ele apenas balançou a cabeça e começou a andar pela loja, parecendo analisar tudo com atenção.

De Cor e SalteadoOnde histórias criam vida. Descubra agora