Meu passado

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Por Renato.

Eu era mesmo um imbecíl,ela nunca iria me perdoar.O melhor a fazer era me manter bem afastado dela.

Pego minhas chaves e abro a porta de casa.Agora eu morava com minha mãe,eu havia perdido todo meu dinheiro.

- Quem é você? - minha mãe grita assustada.

- Mãe,acalme-se - me aproximo dela - Sou eu,seu filho lembra?

- Meu filho? - diz começando a se acalmar.

- Sim - digo abraçando ela.

- Desculpe,as vezes não consigo me lembrar - diz ela começando a chorar.

- Eu sei mãe,eu sei.

- Me desculpe filho.

- Tudo bem,sente-se aqui mamãe - digo aproximando-me junto dela ao sofá.

- Eu tenho mais filhos?

- Não mãe,você só tem a mim.

- Você parece tão triste - diz ela pegando em meu rosto.

- Sim,estou triste.

- Porque?

- Não se lembra da Maya não é?

Ela nega com a cabeça.

- Eu fiz algo terrível para ela no passado,nunca irá me perdoar.

- Vai dar tudo certo no final,todas as histórias são assim.

Dou um beijo em sua testa e ela me retribui com um sorriso.

- Tomara que tenha razão,eu já volto mamãe.

Me levanto do sofá e vou para o meu quarto.Em cima da mesa perto da cama havia uma foto minha e de meus amigos,eu a pego e a jogo contra a parede.Foda-se eles.Você pode me achar um idiota agora,mas depois que perdi todo meu dinheiro e depois que tive câncer,parecia que eu não existia para eles,todos me abandonaram.

Eu lembro do dia em que recebi a notícia que estava doente,me lembro muito bem....

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- E então doutor,o que eu tenho?

- Olha,quero que quando receber esta notícia,pense que há solução.Seu caso não está perdido,há uma grande chance de você se curar.

- Isso é besteira doutor,por favor fale logo.

- Você está com câncer.

- O que?

- Olha,vou ser sincero,está um pouco avançado.Quanto mais cedo começarmos o tratamente,melhor.

- Não vou fazer porra de tratamento nenhum,eu não tenho isso,não tenho essa doença.

- Sei como deve ser difícil aceitar,mas...

- Mas nada doutor,não vou fazer isso - me levanto e saio do consultório.

Depois disso,fui a um bar e simplismente fingi que a doença não existia.

- Servi bebida pra todo mundo aqui,hoje é por minha conta - grito e as pessoas comemoram,eu adorava ser o centro das atenções.

Foi uma bebida atrás da outra,uma tranza atrás de outra,várias mulheres que eu nem se quer sabia o nome.Apostas,muito dinheiro jogado no lixo.

Nesta noite eu fingia que estava sem a doença,fingia que ela não poderia me atingir,mas ela foi traiçoeira e fez exatamente o contrário do que eu queria.

No dia seguinte eu acordo no hospital.

- Renato?

- O que estou fazendo nesse lugar de novo? - me sinto fraco,mal consigo me mexer.Eu o indentifico na hora,era o mesmo médico que tinha me dado a notícia de que estava com câncer.

- Nós já iniciamos o tratamento.

- Eu disse que não queria.

Eu queria era brigar com ele,só que não estava muito em condiçõs para isso.

- Acredite,se tratar e ficar curado é o melhor a se fazer.

- Quero morrer logo de uma vez.

- Você vai ficar bem.

- Quem me trouxe para esse lugar?

- Você desmaiou no bar,alguém ligou para o hospital,uma ambulância foi busca-lo.Agora descance. - diz e sai do quarto.

Algumas horas depois,com muito esforço consigo sair da cama e vou até um pequeno banheiro.Me olho no espelho e fico assustado com o que vejo.Eu estava com aparencia de abatido,com olheiras profundas,nunca tinha estado assim.Passo a mão por meu cabelo,sabia que em breve ia cair.Teria que me acostumar a me ver assim,só ia piorar a partir deste momento.

Quando volto para cama,aperto um botão para chamar o médico.Logo depois ele aparece e peço para me arranjar algo para cortar meu cabelo.Minutos depois volta trazendo uma pequena máquina na mão.

- Tem alguém que você quer ver no momento?

- Não,pode sair.

Eu tinha a minha mãe,mas ela já estava doente de mais para aguentar mais este problema.Volto ao banheiro e me olho no espelho,ligo a pequena máquina na tomada e passo a mão por meus cabelos.Respiro fundo e começo a deslisar a máquina por minha cabeça.Uma lágrima escorre por meus olhos,tinha tempo que eu não chorava,eu era forte.ERA.

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- Não papai,eu não quero.

- Venha aqui filho - ele começa me tocar.

- Não gosto quando faz isso.

Acordo assustado,todas as noites,eu tinha esse sonho.

Sim,eu não tive uma vida fácil,não tive um passado feliz.Eu era abusado,abusado quase todos os dias.Por minha mãe,por meu pai,quando eu tinha apenas 10 anos.Apesar disso não guardo rancor,não guardo rancor principalmente da minha mãe,simplismente por ser....minha mãe.Já meu pai...ele está morto.Eu o matei,não aguentava mais ele abusando de mim.Tinha apenas 13 anos quando peguei em uma arma pela primeira vez,não fazia ideia do que eu estava fazendo.Apontei a arma para meu pai,eu queria somente assusta-lo,queria que ele parace,mas a arma desparou.Não foi de propósito.

Quase duas semanas depois minha mãe sofreu um acidente,um acidente que a deixou com perda de memória.Imagine o que é para um menino de 13 anos descobrir que a mãe não faz ideia de quem ele é,pois é,não foi fácil.

As semanas se passaram e os remédios que me davam me faziam melhorar,só que havia efeitos colaterais.Quase todos os dias eu vomitava,havia dias em que eu desmaiava.O tratamento me deixou acabado.

Tempos depois eu me curei.Tinha gastado muito com meus tratamentos,não tinha mais dinheiro para viver no luxo em que vivia.Mudei para casa de minha mãe,quando cheguei lá ela não se lembrava de mim.Parecia que todo dia eu tinha que me apresentar a ela.

Um ano se passou,eu estava bem na medida do possível.Tinha parado de beber,pelo menos não bebia tanto como antigamente,não saía tanto.

Pensei que o câncer nunca mais ia voltar.....mas voltou.

Dores,enjoôs,desmaios,tudo de novo.Pela primeira vez em minha vida eu...rezei.O médico disse que por um milagre me recuperei novamente.Depois que as coisas normalizaram um pouco voltei para casa da minha mãe,de novo foi como se ela não me conhecesse.

Quando encontrei Maya de novo foi um choque,queria me ajoelhar aos seus pés e pedir perdão.Ela não merece nada do que eu fiz,nada.Ela esta cada vez mais bonita com o passar dos anos.Ao saber que Alex conhece Maya quiz saber que tipo de relação tinham.Eu estava com ciúmes?Um monstro como eu era capaz de amar?

Meu celular vibra no bolso de minha calça.Era uma mensagem de Alex,dizendo para ir a casa dele.Eu conheci ele no abrigo em que trabalhava voluntariamente agora,era um cara legal.Mas essa mensagem...não sei.O que será que ele queria?


Quero que me ensine (De volta dia 15/01/17)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora