Capítulo 15

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- Que ideia absurda Maya.

- Ainda não me respondeu. Foi você?

- De onde tirou isso?

- Eu ví em meu sonho.

- Já disse que esses sonhos não devem ser nada, eu...

- Eu te ví, carregando-me em seu colo, me levando ao hospital.

- Tudo bem, fui eu - ele grita.

- Então foi você que...

- Fui eu quem a encontrou, depois de ser atropelada por algum idiota que saiu sem prestar ajuda a você.

- Me salvou.

- Sim. Quando a ví, parecia um anjo com suas asas machucadas. Simplismente me encantei, tinha que salva-la.

- Foi por isso que não fez nada quando tentei assalta-lo?

- Exatamente. Não podia estar acreditando em quem eu estava vendo, não iria deixar você escapar de mim, não desta vez.

Agora estava tudo explicado, tudo fazia sentido.

- Preciso te contar outra coisa também.

- Pode falar.

- O Renato.

- O que tem ele?

- Foi ele quem me estuprou, o filho que eu estava esperando era dele.

Seu olhar muda completamente de uma hora para outra. Seus olhos se enchem de fúria e ele tenta se levantar da cama.

- Vou matar aquele filho da puta desgraçado!

- Acalme-se Alex, por favor.

- Me acalmar - ele rí - Como posso me acalmar? Aquele imbecíl te estuprou e você ainda quer poupar a vida dele? E pensar que eu o considerava meu amigo. Aquele dia em minha casa quando apresentei ele a você...

- Eu já tinha o encontrado antes.

- O que?

- Teve um dia em que saí sem você perceber e acabei encontrando na rua uma senhora que estava passando mal. Eu a levei até sua casa e Renato estava lá. Ela era a mãe dele.

- Porque não me falou quem ele era?

- Achei que tinha mudado. Renato disse que mudou por causa da doença e também estava trabalhando naquele abrigo então...

- E agora? Porque decidiu me contar?

Fico em silêncio.

- Porque decidiu me contar Maya?

- Na noite em que me estuprou eu acho que bebi demais e não me lembrava o que tinha acontecido. Mas hoje eu lembrei, foi horrível, ele me batia enquanto me fodia. Eu estava praticamente desmaiada e estava doendo muito, implorando para parar, mas não adiantava. Quando o encontrei hoje aqui no hospital...

- Ele está aqui?

- Estava.

- Porque?

- A mãe dele morreu.

- Pelo menos está pagando por seus pecados.

- Não fale assim - esta frase sai de minha boca sem eu perceber.

- Porque? Porque não quer que eu o ofenda?

Fico em silêncio novamente.

- Aconteceu algo que ainda não me contou?

- Não - respondo rapidamente.

Ele nunca saberia que eu havia beijado o Renato.

Alex suspira fundo.

- Venha aqui.

Me aproximo de sua cama.

- Deite-se comigo.

Faço o que ele pede, tendo cuidado para não encostar em seu ferimento.

- Eu vou mata-lo.

- Por favor Alex, não fale bobagens.

- Isto é uma promessa.

- Alex, já faz mais de 3 anos, não vale mais a pena, tudo isso já passou.

- Para mim isso não passou. Olhe para o que ele fez na sua vida. Não gostaria que pagasse por tudo?

- Alex...

- Descance um pouco Maya, parece cansada.

- Acho que não vou conseguir dormir agora.

Encosto minha cabeça em seu peito.

- Tudo vai ficar bem, eu prometo. - diz ele me beijando-me na testa.

~~~~~~~~~~~~~~~

Alex

Maya adormece em meus braços enquanto acaricio seus lindo cabelos.

Juro por Deus, eu juro, se eu solbesse desde o começo que tinha sido o Renato ele já estaria morto. Que raiva sinto dele. Ou melhor, não sei se sinto mais raiva dele, ou de mim.

Quando me perguntou se tinha sido eu quem a havia atropelado relembrei o dia do acidente em minha mente.

Sim, fui eu.

Eu a atropelei. Estava dirigindo até minha casa, quando uma jovem entrou na minha frente, sem me dar tempo de desviar. Ela estava bastante alterada, desesperada.

Tinha que fazer algo, tinha que ajuda-la. Levei Maya as pressas para o hospital mais próximo e a deixei na entrada. Acho que isso foi pura covardia de minha parte.

Fiquei escondido, esperando alguém encontra-la, quando isso aconteceu eu respirei aliviado.

Depois de tanto tempo sem encontra-la, quem diria que 3 anos depois isso iria acontecer novamente. Logo depois da tentativa de roubo a segui até sua casa.

Eu me sentia culpado, por isso quiz ajuda-la com os remédios e também oferecendo minha casa. Mas algo surgiu, um sentimento forte por ela. Tudo mudou.

Nunca deixaria ela saber que fui eu quem a atropelou, isto iria atrapalhar tudo.

Ouço o toque do meu celular, ele estava em uma mesa perto da cama. Acho que Ricardo o trouxe. Atendo rápido para o toque não acordar Maya.

- Alô?

- Alex? É você?

- Sim, quem fala?

- Não lembra mesmo desta voz garoto?

Penso por um instante e procuro em minha mente.

- Pai?


Quero que me ensine (De volta dia 15/01/17)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora