Capítulo 14

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- Está nisso desde quando?

- Desde os meus 20 anos.

- Porque?

Ele fica em silêncio. Deduso que não quer responder então parto para outra rapidamente.

- Ninguém da sua família sabe?

- Não, ninguém fora do meu trabalho solbe, até hoje.

- Quem era aquele senhor?

- Qual?

- Eu fui atrás de você, te encontrei saindo da biblioteca e se encontrando com um empregado eu acho, ele te deu alguma coisa. Quem era ele?

- Os empregados sabem.

- O que?

- Todos que trabalham na minha casa sabem, eles me ajudam. Aquele senhor me deu uma arma.

- Quem te dá ordens?

- Desculpe, mas isso eu não posso dizer.

- Você disse que ia responder minhas perguntas.

- Mas tem algumas que eu não posso - ele grita. - Me desculpa.

- Eu to perdendo meu tempo aqui, vou sair da sua casa em breve, pode deixar. - digo me levantando da cadeira.

- Maya espera.

- Não, eu não to pronta pra viver com alguém que esconde segredos de mim. Só quero que saiba de uma coisa: eu descobri que você é um agente, não vou parar até descobrir tudo sobre você.

Depois que digo isso saio do quarto.

Respiro fundo e vou até o banheiro. Abro a torneira e jogo um pouco de água em meu rosto. O que estava acontecendo comigo? Eu estava gostando de alguém que o trabalho pode ser perigoso no ponto de me botar em perigo, botar todos que amo em perigo.

Quando estou voltando a recepção vejo alguém sentado na recepção, estava desesperado, chorando. Instantes depois eu o reconheço e chego perto dele.

- Renato?

Ele olha para mim e enchuga suas lágrimas rapidamente.

- Renato,o que foi? - digo me sentando ao seu lado.

- Minha mãe,ela morreu.

- A Maria?Mas ela estava bem até...

- Não importa, ela está morta agora - diz voltando a chorar.

- Sinto muito.

- Quando eu cheguei em casa,ela estava no chão, as últimas palavras dela foram me desculpe. Ela lembrou, lembrou de tudo que fez para mim. Eu a trouxe para cá,mas não adiantou.

Não entendi muito bem o que ele quiz dizer com isso, não sabia o que Maria tinha feito para ele, mas agora o momento era de apenas oferecer conforto e ajuda.

- Tem que se acalmar.

- Eu só...

Naquele momento eu o abraço, era disso que estava precisando.

- Tá tudo bem Renato, vai ficar tudo bem.

- Obrigado - diz ele olhando em meus olhos.

- Você tem que ir pra casa, ajeitar as coisas. Se quiser eu te ajudo.

- E você? O que faz aqui?

- Alex sofreu um acidente.

- Ele está bem?

- Sim, muito melhor. Aliás eu preciso voltar para vê-lo e...

- Não vá - diz ele pegando em meu pulso.

- O que?

- Fique comigo, porque não sei o que sou capaz de fazer agora, quero morrer também.

- Por favor Renato, nem pense nisso.

- Venha comigo até minha casa, me ajude.

- Renato eu...

- Por favor - diz olhando em meus olhos.

- Tudo bem - acabo sedendo, porque vejo em seus olhos que estava precisando de alguém naquele momento.

Minutos depois de chegar em sua casa, Renato começa a chorar novamente.

- Foi aqui, foi aqui o lugar exato onde ela morreu - diz apontando para o chão.Estávamos em sua sala.

Me aproximo dele.

- Renato olhe para mim - digo pegando em seu rosto - Não pode lamentar para sempre,não pode ficar assim para sempre.

- Eu não vou,é só que...

- Você vai, se não tiver ajuda você vai.

- Então me ajude.

Nesse momento, ia começar a aconselha-lo, mas ele foi mais rápido. Tomou meu rosto em suas mãos e pressionou seus lábios contra os meus. Tentei me livrar dele, mas não consegui. Me rendi ao momento e quando me dei por conta ele já tinha tirado minha blusa e jogado ela no chão. Naquele momento fazia o mesmo com meu sutiã.

Entrei em choque, várias imagens vieram a minha cabeça, eu estava me lembrando, me lembrando daquela noite negra. Renato batia em mim enquanto me fodia, eu gritava para parar, mas não adiantava. Meu deus, que imagens terríveis.

- Não! - grito.

Ele se afasta de mim na mesma hora.

- Não toque em mim, eu não consigo aceitar seu toque. Se afaste de mim por favor.

- Maya me desculpe eu...

Começo a chorar.

- Eu tenho nojo de você.

Pego minha camisa do chão e saio daquela maldita casa.

Eu quero fugir, quero gritar, tanto de raiva como pelo que quase aconteceu, e o pior, eu estava permitindo que ele tocasse em mim novamente. O que está acontecendo comigo?

Quer saber?

Falta uma coisa para descobrir, uma coisa que me pertubava profundamente.

Volto para o hospital e entro no quarto de Alex sem bater.

- Só mais uma coisa que quero que me responda - essa era a pergunta mais difícil que eu teria que fazer, eu estava com medo, com medo da resposta que ele poderia me dar - Foi você que me atropelou?


Quero que me ensine (De volta dia 15/01/17)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora