No boxe, o lutador tem dez segundos para se levantar depois de ser derrubado por um golpe. Dez segundos onde você vê tudo em câmera lenta e sente cada parte do seu corpo doer. Dez segundos que duram uma eternidade e, mesmo sendo apenas segundos, pod...
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Im Nora
Acordei assustada com o celular tocando alto, como se estivesse tocando há muito tempo. O procurei entre as cobertas, tentando fazer aquela droga parar de tocar, o achei e o nome de Jungkook estava na tela. Atendi rápido.
— Bom dia. — Bocejei.
— Bom dia?! — Riu divertido do outro lado do telefone. — Sabe que horas são, Srta. Im?
— Oito da manhã? — Deduzi, bocejando mais uma vez.
— São duas e dez da tarde, estou te esperando na porta do seu prédio há dez minutos. — Riu alto, como se fosse a melhor piada do mundo.
— O que?! — Gritei me sentando na cama com tudo, conferi as horas no relógio digital que estava acima da mesa de cabeceira, e vi que era realmente verdade. — Como eu dormi tanto assim? Caralho JK, mil desculpas, vou me arrumar correndo e já desço.
— Traga roupas que te deixe com os membros livres. — Alertou. — Vou começar te penalizando em seu treinamento por este tempo de demora, mocinha.
— Ok, dez flexões a mais então.
— Dez? Dez para cada minuto perdido, você quer dizer. — Soou em tom divertido. — Se não pretende fazer mais do que cem, sugiro que ande rápido.
— Estou indo, treinador. — Debochei, desligando o telefone.
Levantei-me rápido da cama, me livrando de todo aquele pijama, quase caindo ao tentar tirar o short. Corri para o banheiro, tomei um banho rápido, escovando os dentes embaixo do chuveiro. Saí, me secando inteira, procurei vesti uma calça jeans preta, uma regata branca e por cima um moletom preto, calcei um par de all stars brancos e joguei dentro da mochila um short de academia e outra muda de roupas.
Olhei para as faixas do meu pai, pensei por alguns segundos se realmente deveria usá-las. Algo dentro de mim gritou que seriam elas a me dar toda a força, como ele teve por todos seus anos de glória.
As joguei dentro da mochila sem olhar para trás, fechei a mesma e saí de casa correndo. Antes mesmo de chegar na entrada do prédio, meu celular começou a tocar, exibindo o número da minha mãe, foi exatamente como se ela sentisse que eu estava prestes a fazer algo errado.
— Oi mãe, como a senhora está? — Tentei encobrir meu pequeno deslize.
— Oi querida, estou ótima e você? Não anda me ligando muito, anda ocupada com o que? Devia dar mais atenção para sua mãe, estou tão sozinha... — Dramatizou.
— Estou estudando bastante, não ando tendo muito tempo. — Menti. — Estou aqui com você mãe, mesmo de longe continuo aqui.
— Eu sei querida, mas sabe que não é fácil ficar sem você por aqui. Eu só tenho você. — Todas as vezes que escuto ela falar isso, é como se colocassem um peso grande sobre as minhas costas, como se eu estivesse carregando um fardo muito maior do que eu normalmente precisaria aguentar.