10. Kapitel ti

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Charlotte observou Yeoreum se levantar da cama rapidamente e abraçar a outra garota.

Os olhos miúdos de Mirae quase saltavam da órbita. O corpo esquio tremia e a boca se abria e fechava sofregamente. Mesmo com os ombros envoltos pelos braços de Yeoreum, Mirae não retribuiu. Ela ao menos se movimentou.

Charlotte, preocupada, também levantou. Agachando ao lado da cama, a garota encostou nos braços de Mirae.

Como se os dedos de Charlotte estivessem em chamas, a garota se afastou subitamente e se encolheu na cabeceira da cama.

— NÃO ME TOQUE! — gritou a plenos pulmões.

— Mirae se acalma, por favor. — Yeoreum suplicou — Você sabe que eu sempre estarei aqui pra você.

Charlotte se sentou no chão de madeira, olhando para as duas garotas. Estava completamente perdida, mas pela reação de Yeoreum, aquilo já havia acontecido antes.

— Respira. — passou a mão pelo rosto de Mirae — Tá tudo bem.

A garota finalmente reagiu, a abraçando. Charlotte viu a lágrima solitária escorrer por sua bochecha enquanto ela apertava ainda mais Yeoreum.

— Podem ir dormir, já passou. — proferiu em meio a um soluço.

— Mesmo, Mirae?

A garota apenas assentiu, se afastando um pouco e inclinando o tronco para se deitar novamente na cama.

Charlotte e Yeoreum se entreolharam por alguns segundos antes de voltarem para as próprias camas. Após algum tempo, conseguiram dormir.

( ... )

— Lotte.

Yeoreum balançou a amiga, a despertando.

— Bom dia. — Charlotte abriu um dos olhos e se espreguiçou.

— Bom dia. — abriu um pequeno sorriso — Se arruma rapidinho que eu quero te contar algo antes das aulas começarem.

— Ok.

Charlotte sentou, calçou as pantufas fofinhas e se levantou. Tateou as roupas dentro do armário até encontrar o uniforme e rumou para o banheiro.

Após se preparar para as aulas, voltou para o quarto e vendo que Yeoreum a esperava sentada na cama, se juntou a ela.

— Mirae saiu mais cedo hoje, e isso acontece quando ela tem um ataque a noite. — começou Yeoreum — Ela ainda não me contou o que é isso exatamente, mas eu suponho que sejam pesadelos.

Charlotte concordou com a cabeça, curiosa para saber o motivo da conversa.

— Eu confio muito em você, e é por isso que vou te contar. — suspirou — Um dos motivos pelos quais me apeguei tanto a Mirae, são esses surtos.

— Por quê? — Charlotte franziu as sobrancelhas.

— Me lembram meu irmãozinho. — Yeoreum engoliu seco e continuou — Saem tem 4 aninhos e é o anjo da minha vida. Era apenas um bebê quando eu decidi fugir de casa com ele, fugir dos maus tratos. E quase todas as noites ele tinha pesadelos assim.

Os olhos marejados de Yeoreum deixaram escapar lágrimas gordas que escorriam por entre os próprios dedos, que os tapavam na tentativa de secá-las. Charlotte posicionou a mão no ombro da garota e a olhou nos olhos, transmitindo conforto.

— Esses anos foram tão difíceis, eu só queria prosperar, arrumar dinheiro estava ficando muito difícil. Foi quando recebemos a oportunidade de vir para Angae. Eu não tive escolha. — apertou as mãos trêmulas — Se ao menos soubesse o que acontecia aqui. Eu me arrependo tanto, tanto, todos os dias.

Helvede Game - EnhypenHistórias para pegar e não largar. Descubra agora