Charlotte franziu o cenho e inclinou a cabeça para o lado.
Aquela confissão abrupta a pegou de surpresa. Nunca imaginou uma frase assim ser dita com tanta firmeza, ainda mais por Mirae.
— O que? Quer dizer, o seu nome...
A face séria de Mirae não se desmanchou.
— Não é isso, eu consigo ver o futuro.
Charlotte arregalou os olhos.
— Como?
— Eu vou dizer, então será que pode parar de perguntar?
Charlotte murchou mas relevou a grosseria, afinal, agora sim a garota se parecia com a Mirae que conhecia. Decidiu se manter quieta por enquanto, para não irrita-la.
— Tudo começou quando eu entrei nesse internato, além de descobrir que me tornei uma vampira, comecei a ver algumas coisas estranhas quando dormia. — Mirae começou a encarar o teto — Primeiro, eu vi um skate. Achei estranho, mas depois de uns dias eu acabei sendo atropelada por um.
— O Sunghoon as vezes é tão-
— Eu ainda não acabei. — Mirae a cortou.
Ela realmente odiava ser interrompida.
— Desculpa. — Charlotte fez um gesto em frente a boca, como se estivesse fechando um zíper.
Mirae revirou os olhos.
— Isso aconteceu mais algumas vezes, e até mesmo via as constantes brigas dos meus pais. Mas um dia, foi diferente.
Mirae se encolheu.
— Foi uma sensação horrível. — ela fez uma pequena pausa — Eu vi sangue. Muito sangue escorria do pescoço deles. Não consegui ver os rostos, mas eu sabia que eram meu pai e minha mãe.
Charlotte arregalou os olhos, aquela conversa havia escalado de 1 para 100 muito rápido.
— Essa visão que me aterrorizou por alguns dias se provou verdadeira quando eu venci o Helvede Game e fiz a ligação. — Mirae voltou a olhar para a garota — Meu tio atendeu, ele estava em Angae porque eles foram assassinados.
Os olhos de Charlotte se encherem de lágrimas e ela apertou a mão de Mirae.
— Não chora. Meus pais nem ao menos olhavam pra mim. Nossa convivência só piorou quando eu vi meu pai com a amante dele. Eu era apenas uma criança, mas ele me bateu e me fez prometer que não contaria nada pra mãe, por medo de perder a fortuna da família dela. — revirou os olhos — Toda noite, meu pai ficava com a amante. Imagina o desespero dele quando soube que ela iria se mudar para Angae. — riu irônica — Então ele convenceu minha mãe e viemos pra cá. Aposto que não sabia que a amante era casada, o marido dela matou os dois.
Mirae desviou o olhar para o teto. Era estranho contar seu passado para Charlotte, depois de tudo o que aconteceu. Mas queria recomeçar, e para recomeçar precisou retirar esse peso dos ombros. A vida era um sopro, afinal.
Aproveitando o silêncio após a frase, Charlotte retirou o próprio moletom destruído, mostrando a regata branca que vestia por baixo. Era meio reveladora, mas estavam as sós e não aguentava mais o odor forte.
Outra coisa que a incomodava era o tornozelo, ele latejava e provavelmente estava inchado.
— Eu te tratei mal porque eu vi a gente conversando e sorrindo, antes mesmo de você chegar aqui. Como sempre tenho visões sobre situações ruins, eu achei que minha única opção seria te fazer me odiar.
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Helvede Game - Enhypen
Mystery / ThrillerCharlotte é uma garota aspirante a desenhista que também deseja ser uma atleta profissional. No entanto, após o fiasco na final do campeonato estadual de vôlei, ela se muda com a família para uma nova cidade e se matricula no misterioso internato no...
