De repente, a tela desligou e a sala retornou à escuridão.
O jogo era sério, a vida de Charlotte estava em risco. Ela pensou na família e no quanto sua morte os abalaria. Eles definitivamente não mereciam passar por aquilo de novo. A garota soluçou e tentou libertar os pulsos do aperto. Suas mãos tremiam e os cabelos ondulados embaraçavam ainda mais a cada súbito puxão.
— Bom dia.
O quarto se iluminou em uma fresta. Charlotte olhou em direção a luz e visualizou a silhueta de um homem.
— Essas são as chaves do quarto. Sua mala está lá. — informou enquanto se aproximava e colocava a chave na mão da garota — Sua sala é a 12, vá para lá imediatamente.
O homem a soltou das amarras, devolveu a mochila e a guiou para fora.
— A partir daqui você se vira. — Deu as costas e partiu em passos largos pelo corredor.
Ainda perdida, Charlotte limpou os olhos úmidos com as mangas do blazer e enfiou a chave na bolsa. Ela observou o local e avistou algumas placas brancas na parede que indicavam a direção para a sala de aula.
No caminho, ela se lembrou dos ferimentos que adquiriu nas mãos, mas não havia nenhum sinal ou cicatriz. No entanto, a garota estava tão confusa que o sumiço dos machucados era o menor dos problemas.
Charlotte não entendia a existência do Helvede Game, mas não estava disposta a arriscar sendo uma presa fácil. A atmosfera do lugar a dava arrepios e a situação não parecia uma piada. Ela levaria a sério.
( ... )
Vendo as placas das outras salas e se encolhendo um pouco, Charlotte parou na última porta do corredor, a sala 12. Retirou da bolsinha um pequeno espelho e verificou a aparência. Os cabelos estavam volumosos e os olhos meio inchados. Sabendo não ter tempo para se arrumar, apenas passou a mão nos fios e respirou fundo, tentando esquecer a situação que estava para não agir feito uma louca. Levantou a mão e bateu na porta.
— Pode entrar.
A garota girou a maçaneta e murmurou um "licença". Ao entrar, percebeu os olhares de todos os alunos. Para Charlotte, aquela era uma situação rotineira, eles provavelmente nunca haviam visto pessoalmente uma pessoa negra, ainda por cima usando uma bolsa tiracolo verde com formato de sapo.
— Estávamos te esperando, Charlotte. Sente-se ali. — apontou para a mesa do centro com um acento vazio.
A sala era clara e limpa. As mesas e cadeiras de madeira escura eram amplas o suficiente para que dois alunos utilizassem a mesma. A única coisa realmente incomum eram as placas de metal que cobriam as janelas.
"Provavelmente para impedir uma fuga", Charlotte constatou o óbvio.
Na mesa indicada pelo professor, já havia uma menina. Ela parecia ser mais baixa que Charlotte, o que era impressionante. As bochechas fartas e o cabelo curto adorável fez Charlotte pensar que provavelmente era muito gentil.
— Obrigada. — Curvou-se levemente e andou até o acento vago.
Ao sentar, Charlotte percebeu que os olhares não cessaram. Meio envergonhada, jogou a mochila no chão e retirou o caderno juntamente com o estojo e colocou na mesa.
— Meu nome é Yeoreum. — sorriu a garota ao seu lado.
— Charlotte. — se apresentou e retribuiu o sorriso.
Ela então se virou para frente e abriu o caderno, pronta para uma aula produtiva.
( ... )
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Helvede Game - Enhypen
Mystère / ThrillerCharlotte é uma garota aspirante a desenhista que também deseja ser uma atleta profissional. No entanto, após o fiasco na final do campeonato estadual de vôlei, ela se muda com a família para uma nova cidade e se matricula no misterioso internato no...
