Charlotte não conseguia desviar os olhos.
Suas mãos suavam e as pálpebras tremiam em leves espasmos.
Não conseguia nem piscar.
Viu o rosto da diretora se contorcer em uma careta. Em seguida, os lábios vermelhos se voltaram totalmente para cima em um sorriso claramente forçado. Abriu a boca mais ainda para dizer pausadamente:
— Ratos sujos. Ratos repugnantes. Ratos tão pequeninos.
O sorriso se desfez e seus punhos se fecharam tão fortemente que era visível a coloração avermelhada do local em contraste com a pele pálida. Com os olhos negros ainda focados em Charlotte, proferiu entredentes:
— Tão pequenos que se pudesse, esmagava seus pescoços com meus próprios punhos.
A diretora retornou a sorrir, sustentando a encarada por mais alguns segundos antes de desviar o olhar de Charlotte.
A garota abaixou o rosto para o chão, se curvando e piscando freneticamente. As orbes queimavam tanto que enxergar o assoalho de madeira se tornou uma tarefa quase impossível. Charlotte se manteve curvada, tentando ignorar ao máximo as pernas perdendo cada vez mais força.
— Por isso, queridos alunos, queria avisar. — a voz voltou a seu tom suave — Cuidado com os ratos.
E assim, sem nem ao menos se despedir, Norah Christensen virou as costas, indo em direção a porta que levava ao corredor da diretoria.
Assim que ouviu o barulho dos saltos se distanciando, Charlotte fechou os olhos e se permitiu descansar. As pernas bambas como gelatina não demoraram mais um segundo para lhe deixarem na mão.
Quando sentiu a fria madeira contra suas mãos, respirou fundo. Havia caído como uma boneca de pano.
— Charlotte, tá tudo bem?
Sentiu a mão longa tocar suas costas.
— Mirae, eu não consigo abrir os olhos.
A garota alta rapidamente se agachou, ficando na altura do rosto de Charlotte, a verificando. Ela chegou bem perto do seu ouvido e sussurrou:
— Foi a diretora, não é?
Charlotte somente assentiu, se forçando a abrir os olhos ao menos um pouco.
— Ai! Eu não consigo, tô cega?
— Sim.
Uma lágrima escorreu pelos cantos dos olhos cerrados. Ela tentou se levantar, mas não conseguiu.
— Eu tô brincando. — Mirae revirou os olhos e se virou de costas, posicionando a mão atrás delas — Vem, sobe.
Charlotte inclinou a cabeça, confusa, esticou o braço e esbarrou a mão na garota.
— Você sabe que não posso ver! — Charlotte disparou.
Mirae soltou um resmungo antes de dar pequenos passos para trás e colocar as mãos da outra garota em seus ombros. Charlotte se apoiou neles, abraçou o pescoço e sentiu ela se levantar com as mãos segurando suas pernas pela dobra do joelho.
Charlotte se permitiu relaxar no trajeto, tanto é que apoiou a cabeça no ombro de Mirae. Então, afrouxou um pouco a mão no pescoço dela e começou a fazer cosquinhas.
Mirae parou imediatamente, olhou para baixo e prendeu a mão da garota com o queixo.
— Eu vou te derrubar. — avisou.
— Parei, parei.
Após Mirae lhe dar um beliscão na perna, continuaram o trajeto até o quarto.
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Helvede Game - Enhypen
Misterio / SuspensoCharlotte é uma garota aspirante a desenhista que também deseja ser uma atleta profissional. No entanto, após o fiasco na final do campeonato estadual de vôlei, ela se muda com a família para uma nova cidade e se matricula no misterioso internato no...
