Capitulo 11 - A Presa

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Meu corpo tremia da cabeça aos pés com o medo que me sufocava. No meio daquela penumbra, Dante suspirou fundo, soltando um som rouco. 

Levantei lentamente do chão sob o seu olhar vigilante. Dei um passo para trás, sentindo o sangue escorrer do meu lábio cortado. Como se ele soubesse exatamente o que passava pela minha cabeça, sua voz trovejou:

— Não ouse fazer is...

Antes que ele terminasse a ameaça, o instinto de sobrevivência falou mais alto. Eu mudei o peso do corpo e corri. Corri como se a minha vida dependesse daquilo. Subi os degraus da escada de madeira esquadrinhando o escuro, ouvindo o eco dos meus próprios passos desesperados. Entrei no quarto principal e, num ato de puro pânico infantil, abri o guarda-roupa e me enfiei lá dentro, batendo as portas de madeira e me encolhendo entre os ternos pesados dele.

Segundos depois, escutei os passos dele. Batidas pesadas, calmas e calculadas contra o piso de madeira do corredor. Levei as duas mãos à boca, apertando os lábios feridos com força, tentando desesperadamente diminuir o ritmo da minha respiração e abafar os soluços.

— Saia de onde seu rosto bonito estiver se escondendo — a voz dele ecoou, assustadoramente próxima.

As lágrimas começaram a cair quentes pelos meus dedos sujos de barro. Eu não ia sair. Não conseguia entender como ele conseguia mudar tanto. Era como se ele usasse uma máscara; o homem que me protegeu no chão da minha sala, que me carregou no colo com tanta possessividade na primeira noite, agora parecia um carrasco implacável.

— Cansei de brincar.

Fechei os olhos com força quando a porta do guarda-roupa foi aberta com uma brutalidade ensurdecedora. A mão de Dante mergulhou na escuridão entre as roupas e segurou meu pulso. Ele era tão absurdamente forte que me puxou dali de dentro e me jogou no centro da cama de casal como se eu fosse uma pena, um brinquedo leve sem qualquer peso.

A essa altura, o desespero tinha quebrado todas as minhas barreiras de timidez. Eu já estava gritando, chorando alto e me debatendo contra os lençóis escuros, tentando me afastar dele. Dante recuou um passo, mas o que ele fez a seguir fez meu sangue congelar: suas mãos desceram até a cintura e, com um estalo seco que ecoou pelo quarto, ele arrancou o cinto de couro pesado da calça.

Arregalei os olhos, completamente apavorada. Meus pais nunca tinham levantado um único dedo para mim em toda a minha vida. A visão daquele homem gigante segurando uma correia de couro me fez murchar na cama.

— Não, por favor! Me perdoa... me perdoa! — gritei, a voz falhando, encolhendo as pernas contra o peito.

Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa para escapar, o cinto desceu no ar. O couro estalou com força contra a pele sensível da minha coxa exposta. A dor foi uma queimação instantânea e dilacerante, deixando uma marca roxa de sangue pisado na minha pele alva. Um grito agudo de pura agonia rasgou a minha garganta, e eu fechei os olhos, esperando pelo próximo golpe que destruiria o meu corpo.

— Dante, para! Eu não fugi! Eu passei o ano inteiro esperando voce — as palavras saíram da minha boca num jorro desesperado, a verdade crua sendo usada como o meu último escudo. — Eu esperei por você todos os dias... eu queria você! 

O silêncio que se seguiu foi abrupto e pesado.

Abri os olhos devagar, soluçando, e vi que o cinto tinha parado no meio do ar. As palavras pareceram atingir Dante como um soco direto no estômago, acalmando o monstro totalmente. A postura dele mudou em um piscar de olhos; a rigidez psicótica cedeu lugar a um choque silencioso. Ele abaixou o braço lentamente, deixando o cinto cai no chão com um baque surdo.

Rendida ao MonstroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora