Min yoongi
O silêncio na casa é quase ensurdecedor, como se o espaço estivesse absorvendo a tensão que paira entre nós dois. Ela dorme, inconsciente, em sua cama, e eu estou aqui, observando-a pelas câmeras, mais uma vez, como se isso fosse algo normal.
Mas nada disso é normal.
Eu não posso dizer que não sinto algo por ela. Eu sempre senti. Desde que éramos jovens, desde o primeiro olhar que trocamos. Havia algo em SN que me chamava, algo que não consegui controlar. E, embora a vida tenha nos separado, nunca deixei de amá-la. Sempre soube que ela era a única pessoa capaz de me fazer sentir algo além dessa frieza que construí ao longo dos anos.
Mas ela não sabe. Ela não sabe que foi eu quem a comprou no leilão. Ela não sabe que eu sou a razão pela qual ela está aqui, vivendo sob o mesmo teto que eu, sem saber da verdade. E isso... isso me corrói.
Eu sei que ela pensa que eu estou apenas cumprindo o papel que os pais dela me pediram. Eles me forçaram a agir, me manipularam como sempre fizeram com ela. Eles não entendem o que nós tivemos, o que nós somos. Eles nunca entenderiam.
Quando eu a vi ali, naquela sala, sendo leiloada como se fosse um objeto, algo dentro de mim quebrou. Ela não merecia isso. Nenhuma parte de mim queria vê-la sendo tratada dessa forma, como uma mercadoria, como algo que se compra e se vende. Eu não pude deixar que isso acontecesse. Não podia deixar que ela fosse tratada daquela maneira. Então, eu tomei uma decisão. Eu a comprei. Não por interesse, não para tê-la como propriedade. Mas porque, no fundo, eu sabia que era a única maneira de tirá-la daquele inferno.
O leilão... as ofertas. As palavras que as pessoas diziam sobre ela. Isso me feriu mais do que qualquer coisa. Eu queria gritar, bater, impedir tudo aquilo. Mas eu só podia observá-la. Ela, com a sua bravura, com a sua força, me desafiando a cada segundo. E foi ali, naquele momento, que eu soube que ainda a amava. Eu sabia que precisava proteger aquilo que sempre foi meu, mas eu não podia deixá-la saber que era eu quem a estava comprando. Ela não poderia descobrir isso agora. Não ainda.
Então, a trouxe para minha casa, e ela ainda não sabe. Não sabe quem sou eu para ela agora. Não sabe que estou disposto a fazer qualquer coisa para mantê-la segura, para mantê-la longe dos jogos que os pais dela ainda querem que ela jogue.
Eu a observo dormir, seu rosto tranquilo, sem o peso das responsabilidades que ela carrega. Ela não sabe que, mesmo agora, eu sou quem a mantém longe de tudo isso. Ela não sabe que eu sou o único que tem o poder de mudar sua vida, mas também sou o único que não pode dar a ela o que ela realmente quer. O que ela realmente merece.
O que eu posso dar a ela é um lugar seguro. Eu posso dar a ela conforto. Eu posso dar a ela tudo o que os pais dela nunca poderiam. Mas não posso dar a ela liberdade. Não ainda. Eu não sei como fazer isso.
Eu fecho os olhos por um momento, sentindo o peso daquilo tudo. O que é mais importante? O amor que sentimos um pelo outro, ou a segurança que ela precisa? A confiança que ela tem em mim, ou o medo que ela nem sabe que deve sentir? Eu sou o homem que a comprou, sim, mas eu sou também o homem que a amou, que a conheceu antes de todos esses jogos começarem. O problema é que ela ainda não sabe disso. E talvez nunca saiba.
Eu fico ali, observando-a, como um espectador silencioso de algo que já foi belo e agora está envolto em mentiras e segredos. Eu sou o culpado por essa situação, mas, ao mesmo tempo, sou o único capaz de tirá-la de tudo isso. Mas, para isso, eu preciso que ela confie em mim de novo. Eu preciso que ela me veja não como o homem que fez tudo isso por obrigação, mas como aquele que ainda a ama, que ainda quer protegê-la.
E eu sei que ela vai descobrir. Talvez não hoje, talvez não amanhã, mas ela vai saber. E, quando souber, tudo mudará. Eu só espero que ela me perdoe.
A última coisa que vejo antes de sair da sala é o seu rosto tranquilo, uma expressão de paz que ela não tem quando está acordada. Eu sei que essa paz é temporária. E, por mais que eu queira deixá-la dormir para sempre em um mundo sem preocupações, eu sei que ela terá que enfrentar a verdade um dia.
Eu só não sei se ela vai gostar dessa verdade.
Continua...
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O leilão
FanfictionMin Yoongi foi o meu primeiro amor. E também o meu maior sofrimento. Éramos dois jovens tolos que acreditavam que o amor bastava para enfrentar o mundo. Mas meu pai fez questão de me provar o contrário. Ele arrancou Yoongi da minha vida com a mesma...
