SN.
(Um tempinho depois)
O som da risada deles preenche minha casa. Uma risada doce, livre, que corre pelos corredores como música, como se cada nota dissesse.
"Vocês conseguiram. Vocês venceram."
O cheiro de café fresco invade o ambiente, misturado com aquele perfume amadeirado que só pertence a ele. Yoongi. Meu amor. Meu lar. Meu sempre.
- Appa!.- a voz aguda e sapeca da nossa filha ecoa.- Ele tá me perseguindo!
- Não vale correr!.- responde nosso filho, batendo os pezinhos no chão de madeira, enquanto os dois somem pela sala, rindo, gritando, deixando rastros de brinquedos e vida por onde passam.
Sorrio. Um daqueles sorrisos que começam no peito e transbordam pelos olhos. Encosto na bancada da cozinha e fico só observando.
Do outro lado, lá está ele. Yoongi. Descalço, com uma xícara de café na mão, os cabelos mais bagunçados do que nunca, a camiseta cinza meio amarrotada... mas, pra mim, ele nunca foi tão lindo. Nunca.
Ele levanta os olhos, percebe meu olhar e sorri. Aquele sorriso. Aquele que só eu conheço. Que só existe pra mim.
Se aproxima, devagar, e me puxa pela cintura, como faz desde o primeiro dia em que entendeu que eu era dele. E que ele era meu.
- Sabe... - ele murmura, roçando os lábios na minha têmpora. - Toda vez que eu olho pra isso tudo... pra eles, pra você... - me abraça mais forte - ...eu ainda acho que tô sonhando.
Aperto meu rosto contra o peito dele, sentindo o coração que bate no mesmo compasso que o meu.
- Se é um sonho... - suspiro, sorrindo- ...eu nunca mais quero acordar.
- Appa! Omma!.- nossa filha aparece na porta da cozinha, os cabelos negros esvoaçando, as bochechas coradas. - Ele me bateu com o ursinho!
- Foi sem querer!.- nosso menino surge logo atrás, ofegante, cruzando os bracinhos. - Ela roubou meu dinossauro!
Yoongi revira os olhos, mas segura o riso, apertando minha cintura.
- E pensar que... - me olha, rindo- ...a gente não fazia ideia do que tava fazendo quando decidiu ter filhos.
- Não fazia.- respondo, rindo também. - Mas olha... - olho pra eles, pra nossa casa, pro amor que preenche tudo. - Eu não mudaria absolutamente nada.
E não mudaria mesmo. Porque a vida que construímos... ah, ela é perfeita nas imperfeições.
Dois filhos. Uma menina de cinco, que é a mistura perfeita do meu gênio e da doçura dele. E um menino de quatro, que tem os olhos do pai e aquele jeitinho introspectivo que derrete qualquer um.
Eles são nossa bagunça. Nossa paz. Nossa razão.
- Ei... - Yoongi segura meu queixo, me fazendo olhar pra ele. - A gente deu certo, né?
Sorrio, com o peito transbordando.
- A gente sempre foi pra dar certo.
Ele me puxa pra um beijo, calmo, doce, seguro... enquanto, ao fundo, nossos filhos voltam a correr pela casa, derrubando almofadas e espalhando vida em cada canto.
E, por um segundo, fecho os olhos, respiro fundo e deixo esse momento se eternizar dentro de mim. Porque...
Nunca foi só amor.
Foi sobre recomeços.
Sobre vencer.
Sobre escolher, todos os dias, ser lar um do outro.
E, olhando pra ele, pro homem da minha vida, pro pai dos meus filhos, só consigo pensar:
Se isso é o que chamam de felicidade... então eu tô exatamente onde sempre pertenci.
E sempre vou pertencer. Afinal...você me comprou em um leilão. Será nossa..piada interna.
- Eu te amo, Yoongi. - sussurro.
Ele sorri, beijando minha testa.
- Eu também, meu amor. Pra sempre.
Fim.
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O leilão
Fiksi PenggemarMin Yoongi foi o meu primeiro amor. E também o meu maior sofrimento. Éramos dois jovens tolos que acreditavam que o amor bastava para enfrentar o mundo. Mas meu pai fez questão de me provar o contrário. Ele arrancou Yoongi da minha vida com a mesma...
