SN
Meses depois...
O som do piano preenchia cada canto daquele lugar. Era como se as notas dançassem no ar, leves, etéreas... abraçando cada coração presente, embalando cada suspiro, costurando, em silêncio, todas as cicatrizes que a vida nos deixou.
Cada tecla pressionada parecia sussurrar algo invisível, quase místico.
"Vocês chegaram. Vocês resistiram. Vocês venceram."
Atrás da porta branca, enfeitada com flores que desabrochavam como se soubessem a importância daquele momento, eu segurava com força as mãos do senhor Min. Mãos calejadas pela vida, firmes, mas que, agora, tremiam tanto quanto as minhas.
Por um instante, fechei os olhos. E tudo passou pela minha mente. As dores, as quedas, os medos. As noites em que eu achei que não teria forças pra continuar. E, no meio desse caos, a imagem dele... Yoongi. Sempre ele. Meu refúgio. Minha cura. Meu amor.
- Pronta?.- a voz do senhor Min quebrou o silêncio, rouca, pesada, mas cheia de um carinho que eu jamais imaginei um dia receber dele.
Meu sorriso nasceu entre os lábios, trêmulo, encharcado de lágrimas que já ameaçavam cair.
- Eu não sei se existe alguém pronto pra sentir tanto... - suspirei, -...mas, se isso for estar pronta... então eu nunca estive tão certa de algo na vida.
Ele apertou minhas mãos, e seus olhos se encheram de um brilho que era mais que emoção. Era amor. Era aceitação. Era entrega.
- Eu nunca tive uma filha. Nunca soube o que era isso... até você..chegar.- Sua voz falhou, afogada nas próprias lágrimas. - E hoje... - respirou fundo, lutando contra o nó que apertava sua garganta-...é a maior honra da minha vida te conduzir. Não só até ele... mas até tudo aquilo que vocês dois merecem. Felicidade. Paz. Amor.
O choro veio antes que eu pudesse impedir. Desabei ali, sem vergonha, sem medo, porque algumas lágrimas não são fraqueza. São libertação.
A música mudou. As notas ficaram mais doces, mais profundas, mais... nossas.
As portas se abriram. Lentas. Solenes. E foi como se o tempo segurasse o próprio fôlego.
E então eu o vi.
Yoongi.
De pé, no altar. Vestido num terno preto que parecia ter sido moldado no próprio corpo dele. A flor branca na lapela era mais que um detalhe, era um símbolo. Da pureza do nosso amor, da nova vida que começávamos ali.
Seus cabelos, normalmente rebeldes, estavam ajeitados, mas ainda com aquele toque bagunçado que eu tanto amava. Uma teimosia que nem o melhor cabeleireiro do mundo conseguiria domar.
Mas o que me prendeu... foram os olhos.
Aqueles olhos.
Eles tremiam. Brilhavam. Carregavam um oceano inteiro de sentimentos. E eu juro... nunca na vida alguém me olhou assim. Como se eu fosse tudo. Como se o mundo inteiro coubesse dentro de mim.
Ele levou a mão à boca, cambaleando um pouco, como se aquele amor fosse forte demais pro próprio corpo suportar. Uma lágrima escorreu. E ele não tentou esconder. Porque amar, ali, não era segredo. Nem medo. Nem vergonha.
Ao redor, todos se levantaram. A senhora Min já chorava como se cada soluço limpasse as dores do passado. Os poucos amigos que estavam ali seguravam seus próprios choros, sabendo que aquilo... não era só uma cerimônia. Era uma redenção.
Cada passo que eu dava parecia flutuar. Meu vestido, longo, de tecido leve, deslizava pelo chão como se eu não tivesse peso. Como se, por alguns minutos, a gravidade tivesse me esquecido.
E, enquanto eu caminhava, de braço dado com o senhor Min, tudo que passava na minha cabeça era uma única frase.
"A gente sobreviveu. E agora... a gente vive."
Quando cheguei diante dele, o senhor Min segurou minha mão, e depois segurou a de Yoongi. Olhou pro filho. Depois pra mim. E, com a voz quebrada, mas cheia de uma força que só quem ama de verdade conhece, disse:
- Ela sempre foi sua. E você... sempre foi dela. Mesmo antes de saberem. Mesmo antes de entenderem. Cuida dela, meu filho. Porque ela... - seus olhos brilharam, derramando uma lágrima que rolou lenta, pesada.- ...ela é um presente. Nosso. Do destino. Da vida. E, mais do que tudo... de você mesmo.
Yoongi segurou minha mão, levou aos lábios e beijou com tanta delicadeza, tanto amor, tanto cuidado... que, por um instante, todo o resto deixou de existir. Só existia aquele toque. Aquele amor.
O celebrante, sorrindo com os olhos marejados, respirou fundo.
- Antes de começarmos... - sua voz saiu mais frágil do que ele esperava- ...eu preciso dizer... que nunca, em toda minha vida, eu vi um amor assim. Um amor que sobreviveu ao caos. Que atravessou o impossível. Que não só resistiu... mas floresceu.
Yoongi apertou minhas mãos, e sua voz saiu baixa, rouca, trêmula... mas cheia.
- Eu nem sei como... como começar... - ele riu, fungando, tentando se recompor.- ...mas, se existe uma certeza no meu peito... é que você é tudo. Você me ensinou que amor não é fraqueza. É coragem. É força. É salvação. Você... - ele fechou os olhos, respirando fundo - ...é o amor da minha vida. Minha melhor escolha. Minha única certeza.
Minha mão tremia, mas minha voz veio, ainda que quebrada.
- Eu passei tanto tempo acreditando que não era digna disso. Que amor não era pra mim. Que felicidade era algo que os outros tinham... e eu não. Mas hoje, olhando nos seus olhos...- toquei seu rosto, sentindo sua pele, sentindo seu mundo- ...eu vejo. Eu vejo que tudo... tudo que eu sempre sonhei, tava aqui. Sempre esteve. Em você.
Ele segurou meu rosto, com tanta delicadeza que parecia que tinha medo de me quebrar.
- Eu te prometo... te amar nos dias de sol... e principalmente nas tempestades. Porque nosso amor... - ele respirou fundo, seus olhos marejando ainda mais - ...ele não se curva. Não se quebra. Ele resiste. Ele cura. Ele salva.
- E ele escolhe. - completei, sorrindo entre lágrimas. - Escolhe... todos os dias. Escolhe você. Escolhe nós. Hoje. Amanhã. E pra sempre.
Quando trocamos as alianças, o mundo parecia ter parado pra assistir. Nossas mãos tremiam, mas nossos olhos... nossos olhos diziam tudo.
- Eu te amo, SN. - ele sussurrou, deslizando a aliança no meu dedo. - Pra além dessa vida. Pra além do tempo. Até quando o universo não existir mais... eu ainda vou te amar.
- Eu te amo, Yoongi. - respondi, colocando a dele. - De um jeito que nem as palavras, nem os séculos, nem o próprio tempo seriam capazes de explicar.
O celebrante sorriu, limpando uma lágrima teimosa.
- Pelo poder que me foi concedido... - respirou fundo - ...eu declaro vocês... marido e mulher.
Yoongi segurou meu rosto com as duas mãos, tão forte, tão intenso, como se o mundo inteiro estivesse ali, naquele toque. E me beijou. Um beijo que não foi só beijo. Foi promessa. Foi alívio. Foi entrega. Foi lar.
Porque, ali, naquele altar... não existia mais dor. Não existiam mais medos, nem cicatrizes, nem fantasmas.
Ali... só existia amor.
Quando nos viramos, o som das palmas, das risadas misturadas aos soluços, encheu o ambiente. A senhora Min se jogou nos nossos braços, abraçando, beijando, chorando. O senhor Min puxou Yoongi pra um abraço meio desajeitado, mas carregado de tanto amor que palavras seriam inúteis.
E, de mãos dadas, saindo daquele lugar, com o coração pulsando tão forte que parecia que ele ia explodir, eu soube, com cada pedaço da minha alma...
Que o amor venceu.
Que sempre foi ele.
Que sempre fomos nós dois.
E que sempre... sempre seremos.
Continua...
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O leilão
FanfictionMin Yoongi foi o meu primeiro amor. E também o meu maior sofrimento. Éramos dois jovens tolos que acreditavam que o amor bastava para enfrentar o mundo. Mas meu pai fez questão de me provar o contrário. Ele arrancou Yoongi da minha vida com a mesma...
