3. Redoma de vidro ?¿

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Redoma de vidro
A cada minuto, ela sentia
O aperto.

Minha mão está destruída, meus dados estão todos roídos e com as pontas mordidas. Nos últimos três dias, tudo está uma bagunça.

Atualizando, a última emboscada tinha sido de acabar com as minhas costas e eu estava treinando, quando fui arrastado pelo criado de minha mãe para me arrumar.

Neste momento, Morgana segura um espartilho, tentando fechá-lo no meu corpo e eu me segurava para não chorar. Ela solta um suspiro de alívio quando consegue, as lágrimas ameaçam descer pelo meu rosto, engulo seco, pegando o vestido preto no meu guarda-roupa.

Meu quarto é composto por paredes brancas desenhadas por mim e Juniper, uma cama de casal com pedrinhas azuis na cabeceira. Eu tento andar com o espartilho, mas, a cada passo que dou, é tão transparente meu desconforto por conta do choro preso em minha garganta.

— Isso é necessário? Eu gosto do seu corpo natural — Morgana segura na minha cintura.

É necessário, eu não imagino o que Saori ia fazer se eu descesse sem isso. Poupo meu choro para a madrugada que irá se seguir.

O vestido que uso é preto, o destaque do meio da saia é vermelho, suas mangas têm rendado no mesmo tom da saia. Quando me olho no espelho, não me reconheço, eu queria usar um terno preto chique, mas nem tudo é como eu quero, treino sorrisos para esta reunião.

Seguro no braço dela e descemos a escada. Ela está com uma calça de couro preta, um cinto na cintura destacando sua adaga, uma blusa cinza por dentro da camisa acompanhada de uma jaqueta de couro, os cabelos penteados com gel para trás.

Droga, como eu odeio esses jantares, tudo se resume a monarcas ricos que vão reclamar da população, dizendo que eles dão tudo e que são apenas pobres revoltados, mas usar seus impostos para suas acompanhantes de luxo é bem conveniente

Morgana despede-se de mim indo até o outro lado do salão, as paredes são rubras, pesquiso com meus olhos tentando achar um lugar seguro para mim. Ao sentir o toque em minha costela, viro meu corpo.

Boris indica onde eu deveria ir, minha progenitora conversa rindo, segurando uma taça, ao seu lado, um homem, cuja pele é negra escura, usa um terno preto com detalhes dourados na manga. é o rei.

Boris me serve uma taça, torço meu nariz, porra! Tinha que ser agora? Eu lembro que ele é do reino do sol, o que já diz muito sobre.

Viro o líquido na minha garganta, minha mãe abre a boca, vejo a situação como um sádico filme de comédia, ela duvida do que está acontecendo. Não está feliz, muito menos eu, bingo! 

— Essa é Lua — minha mãe diz, ele estende a mão para mim. 

— Prazer em conhecê-la, princesa. 

Ele parece ser tão legal, mas eu quero minha cama. Curvo meu corpo, segurando meu vestido, ele faz o mesmo.

— O prazer é meu… — torço minha boca, tentando lembrar seu nome — … Rei Lucien!

Ele sorri simpático, quase dou pulos comemorando. A conversa continua e eu sigo apenas o que devo fazer: sorrir e assentir. Minha cabeça vaga por tantos lugares que não percebo a presença tão familiar. Ele.

Sabe quando passa um filme de todas as merdas que você já fez e tu percebe como está fodida? Não tem palavra melhor para descrever isso, dou o sorriso mais fingido possível para o príncipe.

— Não sei se lembra do meu filho, Lua, o nome dele é Dante, espero que se dêem bem — ele puxa o braço do filho, o garoto olha diretamente para mim sorrindo.

Como eu lembro de seu querido filho, não imagina a minha felicidade ao vê-lo aqui, pularei de alegria pelos campos anunciando a euforia.

O garoto em questão tem cabelos rosados, soltos na parte de baixo e um pequeno coque no topo de seu cabelo, os cachos sobressaem. Ele usa um terno azul claro com abotoaduras douradas, os desenhos são de ramos nas mangas. O que mais me chama atenção é a forma como esse filha da puta sabe se comportar.

Quando minha mãe me liberou para eu me sentar, acredito que posso gritar de alívio. Sento no sofá branco que fica no canto do salão e desaperto meu vestido, suspirando de alívio, nada se compara à essa liberdade.

Eu deito no sofá colocando um travesseiro no meu rosto, lembrando dele, parecia tão imbatível falando.

— Irritante, mais do que o normal — sussurrei batendo a cabeça no travesseiro.

— Falando sozinha, garota gótica? — Dou um sobressalto quando vejo Dante.

Ele está com um sorriso provocador em seu rosto, como eu gostaria de arrancá-lo.

— E se eu estivesse? — Rebato.

— Eu acho um pouco estranho, mas se for você, tudo bem — ele dá de ombros.

— Ora, não finja simpatia, juiz.

Ele dá um sorriso sarcástico. Eu devia ter ficado calada, não devia?

— Medo de mim, cometendo algum crime? — Rebate.

Encolho meus ombros, sem saber o que falar, ele mantém a mão na cintura, esperando que eu fale algo. Deito no sofá novamente, ele se senta no chão.

— Vai continuar no meu pé? — pergunto.

Ele passa a mão em seu maxilar, parece que pensa em uma resposta. Tenho medo do brilho dos seus olhos quando ele abre a boca.

— Se você desejar, príncipe — ele diz, apertando meu nariz.

Eu desejaria que esse filme deixasse de existir, porque Dante é a última pessoa no universo que deveria lembrar disso.

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