Não ando me sentindo bem, se eu parasse para analisar meus últimos anos de vida, veria que nunca fui feliz. Euforia momentânea? Muitas vezes.
Porém, tudo nesse lugar me irrita, não sei se é o cabelo grudado em meu rosto molhado de suor pelos meus movimentos, o barulho excruciante que atravessa meus sentidos, se é a situação em si, mas tudo me faz querer gritar e sumir. O pior disso tudo foi que Dante me viu tendo uma das minhas crises.
E eu nunca desejei tanto morrer. Agora, sentada na grama de frente ao palácio, eu estou tão confuso com tudo que está acontecendo. Um casamento? Eu não quero isso. Estico meus dedos, observando o céu azul. Se eu apenas pudesse parar o tempo e tirar esse aperto de mim.
E se Dante me fizesse bem? Posso esquecer tudo que ele me fez? Confiar de novo e me machucar? É mais fácil odiá-lo, eu prefiro disputar uma luta e ser derrotada do que entregar meu coração de novo. Porque ainda dói.
— Dan, se nós tentarmos uma vez, talvez dê certo! — sorriu, mordendo os lábios.
Os dois meninos estavam sentados repassando assuntos da aula. Afinal, como os dois eram da realeza tinham deveres a fazer. Mas Lua era total do contra, ele não gostava das regras, nem de participar de reuniões chatas. Dante era o contrário, ele gostava de discutir sobre estratégias de governo, apenas de pensar um dia sobre governar, seus pelos arrepiavam.
— Lua, eu não vou fugir com você apenas porque sua mãe gritou com você — bufou impaciente.
— Nem por um beijinho? — ela mordeu os lábios juntando os dedos.
O garoto encolheu os ombros, ela sabia exatamente como o garoto era bobo e fazia qualquer coisa apenas para ver suas covinhas. Ela selou a bochecha vendo o tom rubro que ficou, logo colocando a mão na boca surpresa com o próprio ato.
— Lua, deixe de besteira, contrariar a sua mãe não vai fazer ela aceitar seus caprichos! — vociferou batendo na mesa.
Lua sabia que sua mãe estava manipulando o garoto, o que mais doía era saber que ele não a amava o suficiente para não se deixar levar.
— Eu só queria me livrar desses apertos, não aguento mais ter que fingir ser algo que não sou! Não sou uma menina, muito menos a porra dessa princesa certinha que eles querem ver! — as lágrimas desciam pelo rosto da garota.
Dante já tinha se arrependido de não a apoiado, devia ter levado-o até as ruínas, mas não tinha como voltar atrás. Tentou se aproximar, mas o garoto de cabelos castanhos o empurrou.
— Sai do meu quarto! — levantou a voz, enxugando as lágrimas com o braço.
Os soluços ecoavam pelo quarto, se um som transmitisse emoções, o choro de Lua significaria alguém machucado que apenas queria demonstrar seu eu verdadeiro, mesmo que seu grito fosse alto, a mão que cobria sua boca era mais.
E essas lembranças me aterrorizam, exatamente como um lembrete que me dizia: "Não se aproxime", "Por que mostra suas fraquezas para ele?", "Você sorriu?". Desejo que memórias da infância e adolescência se apaguem, exatamente como em um estalo. Caminho pelas escadarias, tentando apagá-las, mas é como se o "sonho" tivesse as trazido de volta.
E os arrepios constantes em meu corpo, os lábios que se machucam, tento convencer a mim mesma que é por devido ao ódio. E eu sei que é, mas por que uma parte de mim reluta dizendo que não?
— Buh! — escuto uma voz próxima ao meu ouvido.
Sobressalto, quando sinto sua mão segurar meu pulso, impedindo a minha queda — que não seria desastrosa assim. Por que homens têm síndrome de salvador? Ou talvez eu só esteja querendo achar motivos para odiar Dante ainda mais.
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Entre astros e cometas
DiversosChedrinn, a própria utopia. Pessoas do mesmo gênero podendo se amar livremente, governos justos. É claro que isso era apenas o outdoor, Lua se desafiava vivendo uma vida não tão honesta, afinal toda princesa deve agir de acordo com a sua honra. Dant...
