Mãos Ociosas

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Choveu o dia todo na terça. Nuvens extremamente negras rolaram do oeste e agitaram-se sobre o campus, nada fazendo para ajudar a clarear a mente de Perrie. O aguaceiro caía em ondas desiguais – garoando, então chovendo torrencialmente, então chovendo granizo – antes de diminuir para começar tudo de novo. Os alunos não foram permitidos a sair durante os intervalos, e ao final de sua aula de cálculo, Perrrie estava ficando louca por causa do aprisionamento.

Ela percebeu isso quando suas anotações começaram a se desviar do teorema de valor médio e começaram a ficar desse jeito:

15 de setembro: dedo do meio de boas vindas de Z

16 de setembro: estátua derrubada, mão na cabeça para me proteger (alternativa: simplesmente tateando uma saída); a saída imediata de Z

17 de setembro: potencial leitura errada do aceno de cabeça de Z como uma sugestão de que eu fosse à festa do H. Perturbadora descoberta do relacionamento de \Z & J (erro?)

Soletrado desse jeito, era o começo de um catálogo muito embaraçoso. Eles tinham simplesmente tantos altos e baixos. Era possível que ele se sentisse da mesma maneira que ela – embora, se pressionada, Perrie insistiria que qualquer estranheza da sua parte era apenas uma resposta à estranheza suprema da parte dele.

Não. Esse era precisamente o tipo de argumento circular no qual ela não queria mergulhar. Perrie não queria jogar nenhum jogo. Ela só queria ficar com ele. Só que não tinha ideia do por que. Ou como agir sobre isso. Ou, na verdade, o que ficar com ele realmente significava. Tudo que ela sabia era que, apesar de tudo, era nele que ela pensava. Aquele com quem ela se preocupava.

Ela pensara que se pudesse rastrear cada vez que eles tinham se conectado e cada vez que ele tinha se afastado, podia ser capaz de encontrar alguma razão por trás do comportamento errático de Zayn. Mas sua lista até agora estava apenas deprimindo-a. Ela amassou a página numa bola.

Quando o sinal soou finalmente para liberá-los pelo dia, Perrie saiu apressada da sala de aula. Normalmente ela esperava para andar com Jesy ou Danielle, temendo os momentos em que seus caminhos se separavam, porque então Perrie ficaria sozinha com seus pensamentos. Mas hoje, para variar, ela não teve vontade de ver ninguém. Ela estava precisando de um tempo para ficar sozinha. Tinha apenas uma ideia certeira sobre como desviar sua mente de Zayn: um mergulho longo, difícil e solitário.

Enquanto os outros alunos começaram a caminhar de volta na direção de seus dormitórios, Perrie puxou o capuz do seu suéter preto e lançou-se na chuva, ansiosa para chegar à piscina. Enquanto descia os degraus de Agustine, se deparou diretamente com algo alto e negro. Harry.

Quando trombou com ele, uma torre de livros balançou em seus braços, então caiu na calçada molhada em uma série de batidas. Ele estava com o seu próprio capuz preto puxado sobre sua cabeça e seus fones de ouvido berrando em seus ouvidos. Provavelmente não a tinha visto chegando, tampouco. Ambos tinham estado em seus próprios mundos.

— Você está bem?— ele perguntou, colocando uma mão nas costas dela.

— Estou bem.

Ela mal tinha tropeçado. Foram os livros de Harry que tombaram.

— Bem, agora que nós derrubamos os livros um do outro, o próximo passo não são que nossas mãos se toquem acidentalmente enquanto os pegamos?

Perrie riu. Quando ela lhe entregou um dos livros, ele segurou sua mão e apertou-a. A chuva tinha encharcado seu cabelo escuro, e grandes gotas reuniam-se em seus cílios longos e espessos. Ele parecia muito bem.

— Como se diz “constrangido” em francês?— ele perguntou.

— Hm... gênée — Perrie começou a dizer, sentindo-se ela própria um pouco gênée de repente. Harry ainda estava segurando sua mão. — Espere, não foi você quem tirou um A no teste de Francês ontem?

fallen [zerrie]Onde histórias criam vida. Descubra agora