Ela cresceu acreditando que o mal era uma herança.
Um sangue antigo.
Um erro que precisava ser controlado.
Uma maldição que jamais deveria despertar.
Durante anos, lutou contra os sussurros da escuridão dentro dela. Contra a sensação inexplicável de...
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O silêncio do meu quarto não era paz; era um vácuo. Desde que as sombras haviam invadido minha vida, o ar parecia mais pesado, carregado de partículas de um mundo que eu ainda não compreendia totalmente. Celeste estava parada junto à janela, observando a rua deserta. Eu a observava pelo reflexo do espelho, e a náusea subia pela minha garganta ao lembrar da cena: ela perto de Gael, o jeito que ela o olhava como se ele fosse apenas um fardo a ser removido. E, pior, a imagem dela amassando a minha carta no dia dos Pais e ele chorando.
— O Inferno não é um caos de chamas, Lilith. É uma burocracia de pecados — começou ela, sua voz soando como o deslizar de uma faca em veludo.
Eu me virei devagar, o olhar gélido. — Pare de me chamar assim. E não ouse falar comigo como se fôssemos aliadas. Eu vi o que você fez. Vi você com o Gael e vi você destruir a minha carta.
Celeste soltou um riso curto, desprovido de humor. — Sentimentos humanos são âncoras, Yully. Você era uma criança chorona e não era assim que Lilith iria querer a imagem dela mais nova, o que eu fiz foi pro seu bem, deveria me agradecer.
— Te agradecer? — Caminhei até ela, a fúria borbulhando sob a pele. — Você é uma sombra oportunista que ajudou a cavar a cova do meu irmão. Quem é você, afinal? Por que o Miguel confia em uma coisa como você para me "guiar"?
Celeste inclinou a cabeça, e por um segundo, a máscara humana dela falhou, revelando olhos negros como o abismo. — O Miguel não confia em mim. Ele me tolera porque eu sou a única que restou da guarda pessoal da Rainha. Eu servi à Lilith original por três milênios, Yully. Eu fui a mão que segurava o espelho dela e a adaga que cortava a garganta de seus inimigos.
O impacto daquelas palavras me fez recuar um passo. O ar pareceu fugir dos meus pulmões. — Você... você serviu a ela? E por que não me disse isso antes?
— Porque a garota que chorava por cartas de pais que nunca estiveram presentes não estava pronta para saber que sua "mentora" já viu sua alma ser arrancada e costurada de volta dez vezes — Celeste sibilou, aproximando-se. — Se você quer o trono, precisa conhecer o mapa do seu reino. E os monstros que o governam agora.
Ela abriu um mapa de pergaminho que parecia feito de pele humana curtida. Onde ela tocava, os desenhos pulsavam com uma luz doentia.
Civitas Desiderii (O Desejo e a Ira) – Líder: Príncipe Aszel "O coração militar. É onde a fúria dos soldados se funde com a luxúria da conquista. Aszel governa legiões que não sentem medo, apenas fome de vitória. É a cidade mais leal a você, mas também a mais instável, pois vive no limite da explosão sanguínea."
Urbe Profugorum (O Orgulho) – Líder: Cole "Uma cidade de torres de marfim negro que nunca tocam o chão. Cole governa aqueles que se acham acima de Deus e do Diabo. Ele não vai te atacar com espadas, Yully. Ele vai usar palavras para te diminuir, para te fazer sentir uma humana patética. Ele é a arrogância encarnada; se você não se curvar, ele tentará apagar sua existência por puro tédio."