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O banquete em Arrogantia não era mais uma celebração; era uma execução pública disfarçada de cortesia

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O banquete em Arrogantia não era mais uma celebração; era uma execução pública disfarçada de cortesia. O ar estava saturado com o cheiro de ozônio e o perfume pesado de orquídeas de sangue, mas abaixo disso, o odor acre do medo de Felix preenchia o salão.

Eu me recostei na cadeira de ossos, deixando que o brilho das nervuras de ouro do meu vestido capturasse a luz das chamas. Ao meu lado, Aszel era uma presença predatória em seu terno de lã do Vazio. Ele girava a haste de cristal de sua taça com uma indolência aristocrática, mas seus olhos vermelhos mapeavam cada microexpressão de pavor no rosto de Felix.

— A hospitalidade de Arrogantia é lendária, Felix — comecei, minha voz soando como o deslizar de uma navalha sobre seda. — Mas o banquete está... amargo. Talvez seja porque o ouro que pagou por este vinho deveria estar alimentando as defesas que você jurou ao Guardião.

Felix tentou um riso seco, as mãos tremendo sob a mesa. — Majestade, você sempre foi dada a metáforas dramáticas. Minhas finanças são...

— Suas finanças são um rastro de cinzas e mentiras — Aszel interrompeu. A voz dele não foi um grito, mas um trovão contido que fez os talheres de prata vibrarem contra os pratos. Ele inclinou-se para a frente, e o terno preto pareceu absorver a luz do salão, tornando-o o único ponto focal de autoridade. — Vamos falar de números, Felix. Ou melhor, vamos falar de traição.

Ele jogou um pergaminho negro sobre a mesa, que se desenrolou como uma serpente. Era o registro detalhado das minas de Urbe Profugorum.

— Mil lanças de ferro negro contrabandeadas para os mercenários das bordas do Abismo — Aszel continuou, cada palavra caindo como um golpe de martelo. — Você desviou o tributo da Capital para financiar uma rebelião mesquinha, achando que poderia se tornar o terceiro poder deste Inferno. Mas você falhou. Seus compradores foram executados ontem, e o ferro agora pertence às minhas legiões.

O conselheiro Malphas, o tesoureiro, empalideceu a ponto de parecer um cadáver. — Felix... você penhorou as reservas da cidade para isso? — a voz do conselheiro era um sussurro de horror.

— Ele não apenas penhorou as reservas, Malphas — intervim, levantando-me lentamente. Caminhei ao redor da mesa, deixando que o "rebolado" da minha autoridade e a cauda do meu vestido sussurrassem no mármore. Parei atrás de Felix e coloquei minhas mãos em seus ombros. Minhas garras de ouro brilharam contra o tecido de seu manto. — Ele vendeu a segurança de cada um de vocês. Ele prometeu lealdade a Adão enquanto conspirava com os traidores, e agora que o plano ruiu, ele pretendia usar este casamento como escudo humano. Ele queria que o General e eu fôssemos os responsáveis pela bagunça que ele criou.

Felix tentou se levantar, os olhos injetados de raiva e desespero. — Vocês não podem provar...

— Sente-se — Aszel rosnou. Uma onda de choque gélida emanou dele, congelando instantaneamente o vinho na taça de Felix.

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⏰ Última atualização: Feb 27 ⏰

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