XIV

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Como era de costume de todos no galinheiro, ficaram tristes pelo que aconteceu, porém, entreolhavam-se e sabiam que, no fundo, tudo que se sentiam capazes de fazer era se adaptar e voltar ao cotidiano normal. Só que desta vez era diferente, agora havia um pinto que jamais aceitaria sua condição, não depois de já ter perdido sua mãe quando ainda era muito novo.
Todos no galinheiro, apesar da tristeza, passaram a me admirar como um líder. Eu estava agindo como se fosse um galo guerreiro, e tentei encorajar a todos pedindo que me ajudassem a ciscar e cavar ao pé da cerca para que eles pudessem atravessá-la e ir em busca dos nossos entes queridos.
Motivados pelas minhas palavras, todos se dispuseram a ajudar e começou o alvoroço. Ciscaram, cavaram e em poucos minutos havia espaço para que todos que ali estavam pudessem passar, se assim o quisessem.
Ao terminarem de cavar, olharam-me com firmeza. Retribuí o olhar e sabia o que aquilo significava.
_É agora! Estou indo procurar aqueles a quem amo. Quem quiser ir comigo em busca dos seus, o caminho está livre.
É certo que todos ali tinham pelo menos alguma galinha, frango ou pinto que havia sido levado e que por isso sentiam luto e tristeza, no entanto, ninguém possuía a mesma coragem que eu.
Essa jornada para encontrar alguém fora do galinheiro seria tão perigosa quanto ficar lá e esperar os criadores, mas pelo menos ali eles se sentiam em casa e estavam acostumados com aquela situação.
Ao lado do Pero, do outro lado da cerca do galinheiro, eu olhava com firmeza, amor e saudade para todos que estavam ali, e sabia que haveria de sentir falta daquele lugar que até então tinha sido meu lar.
_Muito obrigado por tudo! Falei para todos.
Os pais da Cora vieram até mim e me olharam, cheios de amor e falaram:
_Vá, ache a Cora por nós, case-se com ela. A partir de hoje você também é nosso filho. Você é um herói!
Chorei e dei adeus a todos.
Ao lado de meu amigo, saí por um caminho de terra e vegetação.

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