Não se engane, apesar de ser uma história voltada para o público infanto-juvenil, aqui há aventura, romance, drama, e os sentimentos de um pintinho corajoso chamado Cisco.
Ao lado do Pero, seu corajoso e fiel amigo, Cisco vai enfrentar muitos desafi...
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Desci da goiabeira desesperado. Corri feito louco para aquele pacote de penas amarelas que o Pero se tornou ao cair no chão. Aqueles segundos que levaram para chegar até o Pero pareciam uma eternidade. E eu pensava comigo mesmo: será que ele morreu? Foi uma pancada e queda muito grande! Não! esse doido não pode ter me abandonado assim! Não meu melhor amigo! Corri ainda mais e cheguei até onde ele estava deitado no chão.
_Acorda, Pero! E o sacolejei.
E Pero começa a se mexer, fica logo de pé, agitado do jeito que é, e bate as penas para se livrar de toda aquela sujeira e poeira da queda. Quase explodi de felicidade e não parei de abraçar o Pero e pular diante dele de tanta alegria.
De repente, ouvimos um grito desesperado: _Cuidado! Grita a lebre ao longe.
Olhamos para trás e a vimos no lugar onde a águia havia caído, atordoada do susto.
_Corre até a lebre e se esconda! Disse o Pero.
_E você, Pero? Falei
_Eu? Vamos ver se ela tem coragem de encarar!
Corri de encontro a lebre que me recebe e me ajuda a me esconder com ela. A águia termina de se levantar e olha cheia de ódio para o Pero, que agora se encontra em pé olhando fixamente para ela, não com menos ódio do que ela por ele, e a encara friamente. Os dois se encaram por algum tempo e o Pero sabe que se ela o atacar talvez ele não tenha chance, mas mesmo assim, para mostrar sua coragem, dá um risinho de canto de boca cheio de ironia e arrepia rapidamente suas próprias penas dando a impressão de que aumenta de tamanho. A águia, tão assustada pela coragem e determinação do nosso amigo, além do medo pela forte pancada que recebeu nas costas de um frango que voava, algo que nunca pensou ver na vida, alça voo para fugir do corajoso guerreiro. O Pero não pôde conter a felicidade. Lembrou de sua família que foi atacada por uma águia igual àquela e caiu sobre o próprio papo e chorou, chorou, não de tristeza, mas de alma lavada, de honra, de dever cumprido. Corri para abraçar mais uma vez meu amigo, ou melhor, meu irmão. A lebre me acompanhou para agradecer aquele verdadeiro guerreiro que salvou a sua vida.