Capítulo XXI:

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Era a primeira vez que Kurt via Cooper Anderson com um sorriso amarelo. A expressão de Blaine foi da raiva para a perplexidade. Kurt colocou ambas as mãos nos ombros de Blaine e, quando ele se virou, Kurt deu a ele um sorriso encorajador:

- Ele veio até aqui; você podia ir ver o que ele tem a dizer.

Só como precaução, Kurt foi para perto de Adrian enquanto Blaine andava em direção a Cooper.

Vendo seu irmão se aproximando, Cooper tirou os óculos escuros e olhou para eles antes de tentar contato visual. A curiosidade de Blaine estava, no momento, maior que a sua raiva. Então, ele tentou um tom educado:

- Oi?

- Olá, irmãozinho, posso ter uma palavrinha com você?

Blaine cruzou os braços:

- Isso depende; você está aqui para insultar a mim ou a minha família?

Cooper respirou fundo; ele estava com dificuldade de dizer o que ele tinha vindo dizer:

- Por mais que eu odeie admitir isso, eu estava errado. Eu vim aqui para pedir desculpas.

Blaine estava realmente chocado. Aquele era mesmo o seu irmão? Cooper estava pedindo desculpas para alguém e admitindo que ele estava errado? Blaine levou alguns segundos antes de conseguir dizer alguma coisa:

- Desculpa, eu acho que não ouvi você direito.

- Você me ouviu, Blainey; você estava certo e eu estava errado.

Cooper levantou a mão para encostar em seu irmão, mas desistiu na metade do caminho e fingiu espanar uma coisa de seu próprio ombro. Blaine deu um passo à frente ainda tentando entender se havia alguma segunda intenção por trás do comportamento de Cooper:

- Posso te perguntar o que fez você mudar de ideia?

Um sorriso se desenhou no rosto de Cooper antes dele responder:

- Eu vi você no hospital com o Adrian; bem, não especificamente com o Adrian. A mamãe me ligou naquela noite. Ela sabia que eu estava em Nova York e ela me pediu para ir ver como você estava. Eu não queria ir; eu achava que tudo com o que você estava se metendo era errado. Mas, no fim das contas, você é meu irmão caçula. Então eu fui naquela noite e vi você falando com o médico no corredor. Eu vi a expressão no seu rosto; eu nunca tinha visto você tão preocupado. Foi naquele momento que eu percebi o quanto você gosta do menino, o quanto você é o pai dele de verdade. O que eu posso dizer, aquele momento mudou alguma coisa dentro de mim. Eu acreditava que você e Kurt poderiam fazer mal ao menino por dar a ele uma família incomum. Agora é diferente; eu acredito de coração que vocês dois são a melhor coisa que poderia ter acontecido na vida do Adrian e eu estou aqui para pedir perdão...

Blaine quase pulou no irmão quando ele foi lhe dar um abraço:

- Você sabe qual é a melhor parte de tudo o que você acabou de dizer? Você acertou o nome do Adrian.

Cooper estava rindo, mas uma lágrima correu no rosto de Blaine. Cooper lhe deu um soquinho no ombro:

- Por que você está chorando, irmãozinho?

- Porque você acabou de dizer tudo o que eu queria ouvir de você desde o dia em que eu contei que ia me casar com o Kurt.

Cooper passou o braço no ombro de Blaine:

- Vamos lá ver no que o Kurt e o Ade precisam da nossa ajuda.

Kurt ficou extasiante em ver Blaine e Cooper sorrindo juntos. Ade ficou um pouco tímido no início, mas logo ele estava passando um lápis de cor para o tio Cooper poder ajudar com os cartazes. Kurt puxou Blaine para um canto:

- Isso é um sonho que virou realidade?

Blaine abriu o maior sorriso e fez que sim com a cabeça. Kurt o abraçou forte, feliz com a felicidade do marido.


A marcha saiu do ponto de encontro para o jardim de infância com mais ou menos cinquenta pessoas. Era uma caminha de um quilômetro. Kurt estava na frente com Adrian. Blaine e Cooper logo atrás ambos carregando o mesmo cartaz que Adrian estava desenhando com a Melissa. Os próximos eram Rachel e os Green; Harriet com um megafone explicando os pedidos deles. O câmera e o repórter estavam correndo em volta de todo mundo coletando imagens e entrevistas.

Quando eles chegaram nos portões da escola, todos se juntaram e uma única linha. Todos que não estavam carregando cartazes começaram a dar as mãos. Os portões estavam trancados com uma corrente, diferente de todos os outros dias, mas a luz de uma das salas estava acesa.

Harriet deu um passo à frente e falou no megafone:

- Senhora Bane, nós somos as famílias e os amigos dos estudantes dessa escola. Nós viemos aqui, como já dissemos para a senhora, para que a senhora possa sair e discutir conosco a situação da família Anderson: Adrian Burt e seus dois pais, Kurt e Blaine.

As luzes da sala se apagaram. As pessoas começaram a sussurrar. O câmera estava dando um close na corrente.

Adrian estava nervoso e então ele se aproximou ainda mais de Kurt. Kurt se ajoelhou para poder abraçar seu filho. Blaine entregou seu cartaz para Daniel e passou seus braços por volta dos dois. Por um minuto, ninguém disse nada e as luzes da câmera estavam fixadas nos rostos deles. 

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