Capítulo XXIII:

42 3 0
                                        


                Kurt estava sentado na mesa de jantar, cercado por desenhos para o "Moulin Rouge", lendo as notas que a produção tinha mandado para ele sobre seus desenhos. Blaine e Adrian estavam sentados no chão da sala montando um quebra-cabeça juntos. A TV estava ligada passando o jornal da tarde, mas eles estavam tentando não se concentrar nela. Eles não queriam ficar ansiosos demais.

Então, Blaine escutou o âncora dizendo uma coisa que chamou a atenção dele:

- Em seguida: a história de um menininho e seus dois pais contra um jardim de infância. Onde nós estamos quanto aos direitos gays.

A TV cortou para os comerciais, mas Blaine já estava de pé e chamando Kurt. Eles se sentaram juntos no sofá de mãos dadas. Eles não tinham explicado a situação toda para Adrian, então ele achou mais interessante continuar com o quebra-cabeça do que ir assistir o jornal na TV. Kurt estava mordendo os lábios de nervoso:

- É agora.

Blaine apertou as mãos dele com mais força. A marcha foi mostrada de maneira bem breve. Eles concentraram na corrente na porta e em algumas entrevistas. A Rachel foi citada, mas eles não mostraram o testemunho dela. Teve um close final do Blaine abraçando Kurt e Adrian antes de ir de volta para os estúdios onde alguns especialistas em educação, leis e um representante da associação LGBTQ+ iriam discutir por mais ou menos cinco minutos sobre o assunto.

Kurt e Blaine ficaram em silêncio absoluto durante toda a transmissão. Ainda levou um tempo antes de um deles vocalizar alguma coisa. Blaine foi o primeiro:

- Bem, eles usaram muito do tempo do jornal... Quer dizer, é a TV e ficou passando por uns seis, sete minutos...

- Mas eles mal falaram da senhora Bane e o nome da escola só apareceu na fachada enquanto eles mostravam a corrente no portão.

- E daí?

- Eu não sei o quanto isso vai nos ajudar especificamente ou se vai se tornar mais uma daquelas discussões intermináveis sobre os direitos dos gays que aparecem uma semana nas notícias e desaparecem tão rápido quanto surgiram.

Blaine franziu o rosto e abraçou Kurt.

O telefone deles não parou de tocar o dia inteiro. Pessoas os parabenizando por terem aparecido no jornal da tarde ou desejando sorte de agora em diante. Rachel estava tão empolgada que ela estava falando quase agudo demais para ser entendida. Mas não foi até o telefonema noturno de Harriet que o humor deles mudou:

- Kurt?

- Sim, Harriet. Você assistiu o jornal?

- Claro! Meu telefone não parou o dia inteiro; por isso que eu não liguei mais cedo.

- O nosso também. A escola falou alguma coisa com você?

- Sim! É por isso que eu estou ligando. O dono da escola me ligou. Ele disse que não estava ciente das ações da senhora Bane. Agora, ele foi abordado com outras acusações contra ela. Se as acusações se provarem verdadeiras; ele garantiu que ela vai ser tirada da escola. Ele quer marcar uma reunião conosco na segunda-feira para discutir o futuro do jardim de infância e a possibilidade de o Adrian voltar para a escola. Só tem uma coisa, ele pediu por algum tempo na TV para responder. Eu disse a ele que isso estava fora do nosso alcance. Eu ofereci a ele espaço no canal do Youtube da Rachel. Eu não devia ter oferecido sem consultar vocês ou a Rachel, mas era tudo o que eu tinha para barganhar. O que vocês me dizem?

- Bem, primeiro de tudo: obrigado. Você e sua família têm sido maravilhosos. E segundo, diga a ele que nós vamos ao encontro e que daremos o que ele quer. Mesmo que a gente não consiga convencer o pessoal da TV; eu tenho certeza de que a Rachel vai ficar mais do que feliz em abrir espaço no canal dela para ajudar o Ady. Se ele está aceitando todas as nossas demandas, a gente deveria comemorar. Porém, nós temos que ficar de olho aberto. Se ele tentar nos enganar, nós voltamos com poder e fúria dobrados!

Harriet riu:

- Eu não acredito que a gente vai finalmente se livrar daquela bruxa velha. Tem mais pessoas querendo dizer o que sabem sobre ela; eu tenho certeza de que agora nós podemos provar as acusações. Eu vou ligar para o dono da escola logo em seguida. Eu acho que a gente se vê na segunda, então.

- Até. E obrigado mais uma vez.

Blaine estava esperando do lado dele querendo saber o que ela tinha dito. Kurt desligou o telefone, mas seu rosto ainda estava em choque:

- Nós vencemos.

Os olhos de Blaine se abriram com empolgação:

- Nós vencemos?

Kurt fez que sim com a cabeça. Blaine o levantou e começou a rodar pela sala:

- Nós vencemos! Isso pede uma comemoração.

Adrian chegou para perto pulando também, mas sem saber direito porque eles estavam comemorando. Kurt olhou para ele e sorriu:

- O que você me diz de nós três assistirmos "A Noviça Rebelde" juntos?

Ady começou a pular mais alto:

- Por favor, por favor, papais, vamos fazer isso!

Então eles foram para o sofá. Kurt se aninhou com Blaine e Adrian se deitou com a cabeça no colo de Kurt e suas perninhas sobre Blaine. Eles assistiram a empolgação do menino enquanto ele cantava junto e sua risadinha fofa sempre que ele apontava o Kurt von Trapp na tela. Porém, a empolgação não durou muito e o menino estava em sono profundo antes do fim do filme.

Blaine o carregou para a cama. Kurt veio junto e abraçou Blaine por trás enquanto eles assistiam seu filho dormir. Ele sussurrou no ouvido de Blaine:

- Ele é um verdadeiro presente em nossas vidas. Quer dizer; ele testa nossos limites todos os dias, mas nós nos tornamos pessoas melhores por causa dele. Ele está nos educando.

Blaine sorriu e apoiou sua cabeça na de Kurt:

- Como teria dito Maria von Trapp: nós devemos ter feito alguma coisa boa.

Dois PapaisOnde histórias criam vida. Descubra agora