XI

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Vi o amor parado em uma esquina
De minissaia rodando bolsinha
Era morena vinte e poucos anos
Cigarro barato na boca batom rubro sangue

Por uns quanto trocados levei o amor pra minha casa
E enquanto eu dormia
(Depois da luxúria)
O amor fugiu
Levando minha carteira talão de cheques celular
Cartão de crédito dois poemas inéditos
Um disco de Mercedes Sosa meu carro e meu coração

Prestei queixa na delegacia
Fiz retrato mal falado em poesia
Escrevi reclamando uns tantos versos neoparnasianos
E jurei vingança ao meu coração falido

Até que um dia o telefone toca
O antigo amor fora encontrado morto
Dois tiros no peito a queima-roupa na mesma esquina
Com a mesma mini-saia batom rubro sangue na boca cigarro barato
E ao lado do corpo um poema do Rimbaud

Eu assassino inconfesso
Feito um poeta que mata o próprio verso
Esdrúxulo vingador agora arrependido
Pagando os meus erros e enganos
Chorei pelos vinte e poucos anos
Daquele fingido e sincero amor bandido...

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