Vi o amor parado em uma esquina
De minissaia rodando bolsinha
Era morena vinte e poucos anos
Cigarro barato na boca batom rubro sangue
Por uns quanto trocados levei o amor pra minha casa
E enquanto eu dormia
(Depois da luxúria)
O amor fugiu
Levando minha carteira talão de cheques celular
Cartão de crédito dois poemas inéditos
Um disco de Mercedes Sosa meu carro e meu coração
Prestei queixa na delegacia
Fiz retrato mal falado em poesia
Escrevi reclamando uns tantos versos neoparnasianos
E jurei vingança ao meu coração falido
Até que um dia o telefone toca
O antigo amor fora encontrado morto
Dois tiros no peito a queima-roupa na mesma esquina
Com a mesma mini-saia batom rubro sangue na boca cigarro barato
E ao lado do corpo um poema do Rimbaud
Eu assassino inconfesso
Feito um poeta que mata o próprio verso
Esdrúxulo vingador agora arrependido
Pagando os meus erros e enganos
Chorei pelos vinte e poucos anos
Daquele fingido e sincero amor bandido...
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Reticências
PoetryPoemas carregados de simbolismo, que refletem várias fases da existência do autor. Um turbilhão sensorial que arrasta o leitor a múltiplas interpretações.
