— Que p... — Meredith murmurou, cuspindo a comida no guardanapo antes que pudesse engolir. Tossiu, sentindo a garganta arder, os olhos lacrimejando enquanto encarava o contrato em suas mãos.
Ela estava lendo aquilo certo... ou estava ficando louca?
Amassou o papel, depois o alisou novamente, inclinando-o sob a luz, relendo cada cláusula como se, em algum momento, as palavras fossem mudar. Não mudaram. Estavam ali, frias e explícitas. Contato físico. Submissão. Consentimento condicionado.
Addison queria possuí-la.
Não de forma figurada. Não metaforicamente. Literalmente.
— Que tipo de merda é essa... — sussurrou para si mesma.
Meredith não era ingênua. Conhecia aquele tipo de dinâmica, sabia exatamente do que se tratava. Mas aquilo vinha de uma juíza. Uma mulher casada. Uma mulher que, horas antes, se colocara como sua possível salvação.
E agora queria comprá-la.
Ela sentiu o estômago revirar.
Aquilo cruzava um limite claro. Meredith era muitas coisas — impulsiva, problemática, imprudente —, mas não era propriedade de ninguém. Muito menos um brinquedo sexual preso a um contrato jurídico.
Ela não ia esperar até o dia seguinte.
Com o coração acelerado, puxou o celular do bolso e discou o número de Addison. Chamou uma vez. Duas. O atraso só aumentava sua raiva.
— Sim? — a voz de Addison surgiu do outro lado da linha, baixa, controlada.
— Você é doente — Meredith disparou, sem pensar. — Doente da cabeça.
— Como é? — a mulher respondeu, genuinamente confusa.
— Você quer que eu seja sua boneca? Sua submissa? Você acha mesmo que eu ia assinar essa porcaria?
Houve um ruído abafado, passos, uma porta sendo fechada.
— Primeiro — Addison disse, agora com a voz mais fria —, nunca mais levante a voz para mim. Está me ouvindo?
Meredith se encolheu instintivamente, mesmo sem admitir.
— Foda-se. Você não manda em mim.
— Tem certeza? — a resposta veio afiada. — Essa sua atitude está arruinando a única coisa boa que você tem agora.
— Eu liguei só pra avisar que não vou assinar isso. Por que você quer fazer esse tipo de coisa comigo?
— Então você não precisa mais da minha ajuda? — Addison devolveu, sem rodeios.
— Eu preciso, sim! — Meredith retrucou, irritada. — Mas não desse jeito. Isso é ridículo. Você não pode exigir coisas de mim como se eu estivesse abaixo de você.
Houve silêncio.
— Então por que eu deveria ajudá-la? — a mulher perguntou, por fim. — O que você oferece em troca?
— Eu faço o que for preciso, menos isso — Meredith respondeu, a voz falhando por um instante. — Eu não sou o brinquedo de ninguém.
O silêncio voltou, mais pesado do que antes.
— Você está se recusando? — Addison perguntou, controlada demais para ser casual.
— Estou.
— Vamos conversar pessoalmente amanhã — decidiu ela. — E outra coisa... nunca mais me ligue a essa hora, gritando comigo. Da próxima vez, eu prometo que você terá um motivo real para me odiar.
A ligação caiu.
Meredith encarou a tela apagada do celular, o peito subindo e descendo rápido demais. Tudo estava errado. Ela pensara que Addison seria diferente. Melhor. Mas não... no fim, era tudo a mesma coisa.
Danny. Sadie. Addison.
Rostos diferentes. Mesmos jogos de poder.
— Porra! — ela gritou, chutando o sofá com força.
Precisava da ajuda daquela mulher. E odiava isso mais do que qualquer coisa.
Mas uma coisa era certa: ela não se ajoelharia tão fácil.
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𝚄𝚖𝚊 𝚂𝚞𝚋 𝙿𝚎𝚛𝚒𝚐𝚘𝚜𝚊 - 𝐌𝐞𝐝𝐝𝐢𝐬𝐨𝐧
أدب الهواة[CONCLUÍDA] Quando uma juíza respeitável, acostumada ao controle, à moral e às próprias regras, cruza o caminho de uma jovem impulsiva e envolta em problemas, nada permanece intacto. O que começa como um simples ato de responsabilidade se transforma...
