Capítulo: Lust For Life II - 3

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‧࣭․👑՚͓⋆
Noah P.O.V
5:10 PM

- Vamos, precisamos ir mais rápido! - ele diz como se não estivéssemos correndo sem parar pelo palácio a minutos.

Minhas pernas começavam a doer e pela cara de sofrimento que eu provavelmente estava fazendo, Josh teve um pouco de misericórdia e começou a correr mais devagar.

Após subir e descer escadas e passar por corredores que mesmo com as instruções de Heyoon eu não sabia da existência, paramos em frente a uma simples porta de madeira. Escondida em uma estreita sala.

Respirei fundo tentando recuperar o fôlego. A Seleção havia me deixado acomodado e sedentário demais, mais do que eu normalmente era.

Eu estava a meses sem correr, comendo comida de verdade pela primeira vez e quase não me esforçando fisicamente para nada.

O resultado? Pernas doendo e uma vontade imensa de deitar no chão e nunca mais levantar.

Olhei para Beauchamp que revira os olhos e ri do meu sedentarismo.

Me perguntei como ele fazia para se exercitar por aqui. Talvez eu perguntasse mais tarde.

Me encostei a parede e o observei começar a mexer na maçaneta da porta com um sorriso animado. Um sorriso lindo. Muito lindo.

- Aonde vamos exatamente? - perguntei não conseguindo conter a curiosidade.

Eu sabia os motivos, mas não como ele conseguiria as respostas para vencer de mim aqui.

Assim que Josh ouviu a pergunta, em questão de segundos o sorriso sumiu de seu rosto.

Ele parou de tentar abrir a porta e se virou para mim.

Seu rosto antes sorridente deu lugar a uma expressão tensa. Meio nervosa.

Ele coça a cabeça e coloca as mãos no bolso como sempre fazia quando estava nervoso.

Algo estava errado.

- Noah... Você tem que me jurar que nunca vai mostrar o lugar que estamos indo para alguém...

Continuei em silêncio enquanto ele falava.

- Apenas a minha família e poucos guardas sabem da existência desse lugar. - ele diz engolindo em seco, o suficiente para que eu entendesse que talvez estivéssemos quebrando dezenas de regras por estar indo para onde quer que estivéssemos indo.

Agora era eu que estava nervoso.

Oque você está aprontando, Joshua?

A pergunta continuou em minha mente, se repetindo dezenas de vezes.

Mesmo com medo, assenti com a cabeça.

- Prometo. - respondi o vendo suspirar e voltar a atenção a porta.

Respirei fundo tentando descobrir onde aquela porta tão importante daria. Tentando criar teorias malucas sobre oque teria dentro dela de tão chocante.

E assim que Josh abriu a porta, demos de cara com apenas mais outro pequeno corredor.

Quer dizer, a única diferença dos que havíamos passado era a falta de saídas e os quadros. O lugar era preenchido por alguns imensos - e lindos -, quadros.

Quadros que mesmo com o meu conhecimento de arte beirando o negativo, eu não duvidara que talvez tivessem séculos.

Minha mente por um instante voltou para Carolina. Voltou para a Seleção e de certa forma para oque ela havia nos proporcionado.

Meu pai adoraria os quadros. Diferente do meu conhecimento negativo, o conhecimento do meu pai sobre arte era imenso. Era esse conhecimento que muitas vezes evitou que morressemos de fome, conhecimento que nos mantinha nos meses mais frios do ano. Quando muitas vezes não conseguiamos fazer shows até o Natal.

Foi inevitável não sorrir ao ver a imagem deles em minha mente.

Talvez pela primeira vez em algum tempo todos estavam confortáveis, não é? Não estavam com frio e fome, estavam bem.

Além disso minha mãe estava lá.

Pude sentir um alívio imediato ao lembrar o quão inteligente em nos manter vivos ela era.

Minha mãe sabia como lidar com dinheiro, e algo me dizia que ela estava mantendo a casa e guardando o suficiente para que durasse muito mais tempo, para que durasse caso eu voltasse.

Minha atenção se desprendeu de Carolina e voltou para Angeles após ouvir os sons dos passos de Josh.

Olhei para a parede. Mesmo querendo tocar nas pinturas, por talvez medo de estragá-las de alguma maneira, evitei tocá-las.

Enquanto Josh caminhava para onde quer que estivéssemos indo naquele corredor, parei e continuei observando com mais atenção as pinturas, pinturas que eu tinha quase a certeza de tê-las visto em alguns dos livros que tínhamos em casa.

Talvez fossem elas, Talvez as respostas estivessem em algum quadro, embora não fizesse tão sentido assim essa teoria.

Voltei a seguir Beauchamp.

Ele olhou em direção ao início do corredor enquanto caminhávamos até o seu fim, como se quisesse verificar se havia alguém nos observando, ou nos seguindo.

Chegando ao fim do corredor e passando por mais imensos quadros, Josh se virou para o último quadro do lado esquerdo e passou a mão delicadamente por cima da moldura.

Pude ouvir um "click" sair do lugar e em segundos, o imenso quadro simplesmente começar a se abrir em nossa frente.

O choque pareceu tão grande que não consegui esboçar nenhuma reação além de arquear as sobrancelhas e o encarar.

O sorriso vitorioso voltou ao rosto de Beauchamp.

Por trás da pintura havia uma porta um pouco acima do nível do chão que possuía um pequeno teclado numérico, como o de um telefone.

Continuei o encarando enquanto Josh agora digitava alguma sequência de números no teclado.

Sem entender muito bem eu repetia e repetia dezenas de vezes para mim mesmo que eu precisava me acostumar com a ideia de portas e passagens secretas escondidas por todos os cantos desse lugar.

Eu me sentia em uma das histórias de aventura que eu e Savannah imaginávamos no quintal quando crianças.

Só me faltava agora ter um dragão cuspindo fogo atrás da porta.

Após ouvirmos um "bip", a porta lentamente se abria e o sorriso no rosto de Josh pareceu triplicar de tamanho.

Entrando e parando um pouco depois da porta, ele fez sinal para que eu entrasse primeiro.

E com o máximo de receio passei pela porta. E dessa vez foi impossível não ficar de boca aberta.

‧࣭․✦՚͓⋆

The Five - NoshOnde histórias criam vida. Descubra agora