Aos trinta e dois anos, Namjoon conquistou exatamente o que queria desde criança, mas algo o impede de se sentir feliz. Seokjin, aos trinta e cinco anos, tinha se acostumado aos rumos que sua vida tinha tomado, mas, vez ou outra, ainda sente falta d...
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Quando Hoseok informou a Namjoon que o lugar para o qual ele iria ficava no meio do nada, o ator imaginou que fosse apenas força de expressão. Horas depois de uma viagem de carro que não parecia que chegaria a um fim, Namjoon se viu em frente a uma espécie de vila, em que pequenas casas num estilo campestre eram rodeadas por árvores, cujas folhas e flores — poucas, porque fazia um tanto de frio — eram amareladas. A construção ficava na parte de cima de um morro, e parecia estar completamente abandonada.
— Eu disse que ficava no meio do nada. — Hoseok falou ao se posicionar ao lado do carona, abrindo a porta. Era como se tivesse lido os pensamentos de Namjoon.
— Você foi literal. — Saiu, ajeitando o casaco que vestia.
— Não. Se eu tivesse sido literal, nós não estaríamos de pé sobre um solo. Estaríamos caindo vertiginosamente num vácuo eterno.
— Já ouviu falar do uso da palavra literal como advérbio?
— Já ouviu falar de etimologia e significado?
— Você nunca usa gírias que desconfiguram o sentido primário das palavras?
— Literal não é uma gíria. É uma palavra que você usou errado.
— Você é chato. E não no sentido primário de achatado. Na gíria.
— Sim, eu sou mesmo. Li-te-ral-men-te.
Namjoon sorriu para seu agente, um sorriso de divertimento genuíno ao vê-lo separar a palavra por sílabas, em meio a um sinal de aspas com os dedos. Foi ligeiro, mas fez muito bem para o seu estado de espírito. Pensava em dizer alguma coisa espirituosa para revidar, porém teve o braço puxado e assim foi encaminhado para a parte traseira do veículo, onde um porta-malas aberto os aguardava.
— Vamos tirar as malas antes de chamar Seokjin. — Soltou o maior, e pegou uma das três malas. — Assim fica mais fácil e rápido.
— Seokjin é o dono da pousada?
— É.
— Então não chame. — Pegou uma das bagagens, a maior, e a pousou no chão. — Deve ser puxado pra um senhor carregar malas lá pra cima.
— Ele não é um senhor.
— Ele não era compadre do seu pai?
— Não. O pai dele era.
— Oh, sim. — Pegou a outra mala antes que Hoseok pudesse fazê-lo. — O pai se aposentou?
— O pai morreu.
O mais alto deu uma boa olhada em Hoseok ao receber aquela resposta. Seu agente parecia tranquilo com a afirmação, então não pensou que devesse dar os pêsames. Ajeitou outra vez o casaco, enquanto Hoseok ligava para Seokjin a fim de informar que já tinham chegado. Muito rapidamente um homem surgiu no horizonte, e conforme ele foi chegando mais perto, Namjoon o encarava com mais atenção. Gostava de olhar pessoas desconhecidas e inventar histórias para elas, como se elas fossem suas primeiras impressões.