Aos trinta e dois anos, Namjoon conquistou exatamente o que queria desde criança, mas algo o impede de se sentir feliz. Seokjin, aos trinta e cinco anos, tinha se acostumado aos rumos que sua vida tinha tomado, mas, vez ou outra, ainda sente falta d...
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Namjoon desligou o telefone e, quase no mesmo instante, sentiu as pernas fracas. Teve apenas o momento de conseguir se sentar na cama antes de cair. Respirou fundo, sentindo o coração acelerado no peito. O que tinha acabado de fazer? De onde tinha vindo tamanha coragem para chamar um completo estranho para dividir o quarto com ele? Não que isso fosse incomum, realmente, mas jamais acontecia no contexto atual no qual estava inserido. Quando convidava um homem para ir vê-lo num quarto de hotel tinha muitas coisas em mente, e nenhuma delas envolvia tentar conversar como forma de espantar os sentimentos ruins de uma crise.
Enquanto esperava que Seokjin cumprisse sua palavra e fosse até o pequeno chalé, um filme inteiro se passou em sua mente, um filme que não era sua vida, mas tinha tantos desastres que era como se fosse. Arrependeu-se de convidar o dono da pousada para passar a noite consigo quase na mesma hora em que proferira as palavras, e sua alma saiu do corpo quando o convite foi aceito. Tinha sido por impulso que ligara, por impulso que o convidara, e tudo tinha sido feito na mais absoluta certeza de que seria uma tentativa frustrada. Se tivesse cogitado a mínima chance de sua empreitada ser bem sucedida, sequer a teria iniciado. Não contava que Seokjin fosse do tipo de homem que aceitava convites de outro para passar a noite, ainda que numa circunstância inocente. Há muito já tinha entendido que não se deveria julgar antecipadamente, e ainda assim caía nesse tipo de armadilha. E agora estava apavorado.
Agarrado a Chingu, pensava em desculpas que poderia dar para não abrir a porta. Nem o fedor que vinha do gato era capaz de o afastar dele naquela hora. Assim que Seokjin bateu na porta, entendeu que de nada adiantaria inventar motivos para não o deixar entrar; além de ser algo deselegante, posto que ele tinha o convidado, Seokjin tinha a tal da chave mestra. Nada o manteria do lado de fora, se não quisesse ficar lá. Arfando, dominou toda a sua capacidade de atuação para fingir que estava tudo bem, armou-se com um sorriso agradável e abriu a porta.
— Você não exagerou quando disse que o cheiro aqui estava forte. — Seokjin disse em meio a um sorriso, que fez Namjoon sentir uma espécie de calor no peito, capaz de tirar um pouco do nervosismo que sentia. — Usou todo o seu perfume?
— Não. — Deu espaço ao menor, fechando a porta em seguida. — Tô com medo desse frio que você tá esperando. Se ele chegar, vai ter que me emprestar uns casacos, porque os meus não vão dar conta.
— Eu sou friorento. — Acenou minimamente, com a mão quase toda enfiada na longa manga do casaco enorme. — Daqui a pouco passa o frio e aí você me vê melhor, sem isso tudo me cobrindo.
— Como pode alguém friorento tomar banho de chuva com neve?
— Às vezes eu cometo loucuras.
— Nota-se.
Namjoon riu, porque sim, já tinha podido notar que Seokjin era um homem que facilmente saía do script — fosse ele qual fosse. Mostrou a ele que podia se sentar na cama, e se juntou a ele tão logo o mais velho aceitou e tomou seu lugar, logo depois de deixar as comidas e bebidas que trouxera sobre uma mesa. Assim que o viu acomodado no colchão, Chingu foi em sua direção, e Seokjin o agarrou e o pôs na altura dos olhos.