Bárbara é uma dançarina brasileira que sonha em ser mundialmente famosa no mundo da dança. Ela acaba sendo obrigada a baixar o TikTok para, no mínimo, ser conhecida no seu meio.
E Vinnie Hacker é apenas um fuckboy - pelo menos foi isso que Babi pens...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
— O que? - sinto meu coração afundar no peito
— Ontem ele estava indo pra sua casa e acabou batendo o carro - Jack continua
— Mas ele está bem? - pergunto andando de um lado para o outro nervosa com a situação.
— Os médicos ainda estão avaliando o caso dele, eu só queria te avisar porque sei das coisas que já passaram e não queria que você pensasse que ele não tentou fazer as coisas darem certo, porque ele tentou, tentou bastante.
— Em qual hospital vocês estão?
— Eu te mando por mensagem, você vem?
— Em 5 minutos eu to ai - encerro a chamada e alguns segundos depois Jack me envia o endereço do hospital.
Me despeço da secretária e vou correndo para o meu carro. Sinto as minhas mãos tremerem enquanto tento respirar fundo pra me acalmar, se eu ficasse nervosa, acabaria provocando outro acidente.
Começo a dirigir pelas ruas de Los Angeles me arrependendo de cada pensamento ruim que eu tive em relação ao Vinnie mais cedo.
Ele tentou.
As palavras de Jack ecoava sobre a minha cabeça, ele tentou, mas eu achei que não. Dessa vez foi eu que duvidei do caráter dele.
Não vai acontecer nada com o Vinnie, não pode acontecer nada com ele. Começo a relembrar a última vez em que eu estive em um hospital visitando alguém que sofreu acidente: meu pai.
Ele não pode ter o mesmo fim que o meu pai teve, eu não aguentaria o baque, é demais pra mim, eu preciso do Vinnie mais do que tudo.
Minha visão fica turva e eu tenho que limpar as lagrimas dos meus olhos enquanto segurava um soluço na minha garganta.
Ele não pode morrer.
Não pode.
Em alguns minutos estaciono meu carro nas vagas do hospital e praticamente corro pra dentro, procuro Jack com o olhar e assim que eu vejo o louro praticamente dormindo, caminho até ele.
— Alguma novidade? - pergunto preocupada e ele nega com a cabeça — Porra
Me sento ao lado de Jack e começo a chorar sem parar.
Não pode acabar assim.
Esse não pode ser o nosso fim.
Meus soluços se soltam da garganta e eu me entrego ao abismo de sentimentos, enquanto sentia uma dor me consumir, já não me importava se todos do hospital estava me olhando ou pouco ligava enquanto cochichavam entre si me olhando com dó.
Eu só me importava com o Vinnie, e o quanto queria ele aqui comigo. O quanto eu queria que ele ficasse bem de novo.
Queria agarrar o rosto dele, e dizer que eu aceito o que quer que seja a proposta que ele iria me fazer ontem. Eu recomeçaria, eu retomaria de onde paramos, eu seria só um sexo casual, eu seria seu segredo, mas eu precisava que ele me prometesse que iria ficar vivo, que ele lutasse por nós, lutasse pra se manter vivo.
— Como foi o acidente? - pergunto pro Jack que me olhava atentamente
— Ele não estava em alta velocidade, eu tava na casa dele, e ele estava ansioso pra cacete pra te ver - Jack olha pra baixo e eu vejo algumas lagrimas descerem pela sua bochecha — O sinal abriu pro Vincent, mas o outro cara estava bêbado e em alta velocidade em um cruzamento, batendo na lateral do carro de Vinnie.
Tampo minha boca ao imaginar a cena, Vincent todo feliz por eu finalmente ter dado a chance que ele tanto queria, dirigindo, esperando o sinal abrir e quando o sinal finalmente se abre, um carro vindo com tudo e batendo nele.
Éramos para estarmos tomando café juntos depois de uma noite cheia de sexo e amor, mas foi exatamente ao contrário disso, eu dormi mal achando que ele era a pior pessoa do mundo, enquanto o corpo dele era encaminhado para a emergência.
Eu me sinto a pior pessoa do mundo, eu deveria saber que algo estava errado, Vinnie não imploraria por uma chance pra depois não aparecer em casa.
Se eu pudesse voltar no tempo, eu não teria saído da cama dele, teríamos a conversa tomando café na casa dele e eu tomaria a decisão na hora.
Mas eu não posso, não consigo. Não é assim que as coisas funcionam na vida real.
Porque eu fui agir no impulso? Porque eu achei melhor ir embora quando na verdade foi a pior decisão da minha vida? Começo a me culpar por esse acidente, começo a imaginar como teria sido se eu tivesse feito a coisa certa.
Mas eu não o fiz.
A realidade me atinge com força quando eu olho ao redor vendo o hospital branco e silencioso.
Meus olhos se molham de novo e eu me afundo mais na cadeira não conseguindo parar de chorar e me culpar.
— Vai ficar tudo bem - Jack murmura do meu lado — Fica tranquila, nada de ruim vai acontecer com ele
— Já aconteceu, Jack. Olha onde estamos! - falo sem conseguir olhar para ele me sentindo mais deprimida e mais culpada do que nunca — A culpa foi minha, se eu não tivesse adiado essa conversa, ele não precisaria entrar naquele maldito carro e nada disso estaria acontecendo.
— Você acha que conseguiria tomar a decisão certa na manhã depois da reconciliação de vocês? Porque pelo o que Vinnie me disse você estava com dúvidas ainda - Jack rebate e eu fico pensativa — A culpa não é sua, Babi, a culpa é do cara imprudente que estava bêbado.
Respiro fundo digerindo o conselho de Jack, ele tinha razão.
— A familia dele já sabe? - pergunto mudando o foco do assunto
— Liguei pra Maria e ela ficou desesperada, mas bem, Seattle é um pouco longe e mesmo que ela quisesse chegar a tempo, não conseguiria - Jack diz melancolicamente — Só tem eu... e você
— Ela deve estar com um turbilhão de sentimentos - sorrio triste — Fiquei na mesma situação quando o meu pai morreu
— Eu sinto muito
— Eu também sinto - murmuro — Eu só não quero que Vinnie tenha o mesmo fim.
— Não vai.
Meu coração espera que Jack esteja certo, torço para que o médico chegue até nós falando que está tudo bem e que Vinnie está pronto para nos receber. Mas o dejavu começa rodar pela minha cabeça, e quanto mais realista eu sou, mais minhas lágrimas rolam sobre o meu rosto.
— Acompanhantes de Vincent Hacker? - um médico pergunta se aproximando de nós dois.
— Sim - Jack responde enquanto meu coração saia pela boca.
Que seja uma noticia boa, por favor.
O médico pega uma prancheta e nos olha com seriedade.