Capítulo 15

4.8K 542 142
                                        

Narrador POV

Descuido. Falta de cuidado, de atenção; negligência, inadvertência. Um erro que pode trazer consequências, dependendo de sua gravidade. Um verbo bastante repetido na vida da nossa S/n, enquanto lecionavam sobre como se portar em missões. 

"Um simples descuido e a sua vida acaba". Essa era uma frase constantemente ouvida por ela e suas parceiras da Sala Vermelha.

Parece que essas palavras fugiram de sua mente naquela noite, pois o resultado dessa imprudência foi refletido na morena que dormia ao seu lado.

____________________________

S/n POV

As viúvas tiveram a chance de receber uma missão individual esse mês e hoje era a minha vez.

Eu fui a escolhida para matar um homem do alto escalão do Reino Unido. Não sabia muita informação ao seu respeito, mas recebi ordens de me infiltrar em uma festa e conseguir atrair a sua atenção. O suficiente para nos levar para um quarto.

Na Sala Vermelha, somos treinadas para tudo, literalmente, sem exceção. Somos treinadas para lutar, matar, manipular, seduzir e controlar.

Com isso, tive total sucesso em seduzir o alvo e ser levada para a sua suíte do hotel.

Lembrava da voz de Dreykov dizendo "Uma morte limpa e rápida, sem sangue". Assim, aproveitei que o homem já estava animado na cama, subi em cima dele e coloquei uma das minhas mãos em seu pescoço, o enforcando aos poucos.

***

Hailee POV

Estava sonhando com um final de semana na praia, junto com meus pais, meu irmão e S/n, quando, do nada, sinto minha respiração falhar e um peso no meu pescoço.

Abro os olhos aos poucos, ainda com dificuldade de puxar o oxigênio, e vejo uma mão ao redor do meu pescoço, enquanto uma S/n com um rosto de raiva estava por cima de mim.

Tento puxar sua mão, mas era inútil obviamente, ela é mais forte que eu. Então, tento pronunciar alguma coisa, porém, sem sucesso.

Eu já estava perdendo os sentidos, minha visão estava ficando turva, enquanto lágrimas saiam do meu olho. Por que ela estava fazendo isso?

Só que então eu percebo algo, uma coisa que me faz criar forças para mudar aquela situação. S/n estava de olhos fechados, ela estava sonhando, e eu logo comecei a me contorcer debaixo dela, além de chamar pelo seu nome - o que mais parecia um chiado pelo aperto no meu pescoço - tudo para acorda-lá.

E quando eu estava prestes a perder a esperança, ela desperta assustada, olha para a situação e se afasta de mim o mais rápido possível, caindo no processo de levantar do sofá e se arrastando para longe de mim.

— Desculpa, desculpa, desculpa.. — Ela não parava de repetir, colocando as mãos na cabeça.

Eu apenas recuperava o fôlego, ainda deitada. Meu pescoço ainda tinha o peso da sua mão e provavelmente a marca também.

Eu não estava brava e nem chateada. Quando eu vi que ela estava dormindo, imediatamente lembrei do seu aviso sobre os pesadelos e as suas reações. Não era culpa dela e eu entendia isso.

— S/n... — Tentei falar, mas saiu meio rouco e falhado. Limpei a garganta. — Ei, S/n...

Ela não respondeu. O seu pedido incessante de desculpas ainda continuava baixinho.

Juntei forças e me levantei, sentando no sofá para ver como ela estava. Já do outro lado da sala, encostada na parede, a russa se encontrava com a cabeça baixa, a testa nos braços que estavam apoiados nos joelhos dobrados.

Ela repetia baixinho o pedido de desculpas, enquanto sua voz denunciava o choro.

E por mais que eu fosse a vítima naquela hora, eu sabia que a dor era grande na garota da minha frente. Eu sabia que aquilo era algo completamente perturbador para ela.

Então, eu fiz meu caminho até ela e agachei na sua frente.

— Por favor, Hailee, sai de perto de mim. Eu posso te machucar, eu sou uma assassina — Sua voz falhava enquanto ela falava, ainda de cabeça baixa.

— Ei, olha pra mim — Encostei em seus braço e ela logo se afastou com o contato.

— Hailee, não. Eu vou te machucar — Ignorei seu comentário e me aproximei mais, tocando no seu braço novamente. Dessa vez, ela não teve reação.

— S/n, ta tudo bem... não foi sua culpa.

— Não, não ta tudo bem — Ela levanta a cabeça. Seus olhos vermelhos não encaravam os meus. — Eu poderia ter te matado Hailee, eu ia te matar. Mais um pouco e você estaria sem vida, e eu... bom, eu não iria perceber até acordar. Foi sorte você ter me acordado a tempo e foi sorte eu ter tido um reflexo rápido de me afastar. Então não, não tem nada bem. Eu cometi um descuido, UM único descuido, e quase estraguei tudo. Sabe o que teria acontecido se eu tivesse cometido um descuido onde eu cresci?! Eu seria torturada... uma punição que eu mereço agora.

— Não diga isso, S/n! Sim, eu poderia ter morrido, mas isso não aconteceu e se for para apontar culpados nessa situação, então eu tenho que estar na lista também. Você já tinha me avisado dos pesadelos e mesmo assim, eu escolhi dormir perto de você. Não se culpe por isso, a gente vai trabalhar pra isso dar certo e vamos trabalhar pra você não depender mais de uma corda, ok? — Eu olhava nos seus olhos. Ela me escuta atenta, fica um tempo em silêncio e depois volta a falar em um tom baixo:

— Você não devia confiar em mim...

— Mas eu confio!

— Por quê? Eu não sou uma pessoa boa. Fui treinada pra não ter sentimentos. Tem sangue de muita gente nas minhas mãos, Hailee.

— Quantas dessas pessoas... você matou sem estar sendo controlada?

— ... Nenhuma.

— Sabe por que eu confio em você? — Ela nega. — Porque desde que eu te conheci, desde que eu encarei os seus olhos pela primeira vez, eu vi uma pessoa boa! Uma mulher de 27 anos que não teve oportunidade de viver. Alguém que por mais que tenha sido sujeita a todos os tipos de treinamentos e cenários horríveis, ainda tinha um coração puro. Uma alma limpa. Seu olhar me passa toda a verdade que existe em seu interior, ele me passa a S/n verdadeira e é por isso que eu não tenho dúvidas da minha confiança por você.

— Só que... eu não sei quem é a S/n verdadeira. Eu não sei nada. Não sei os meus gostos, não sei o que seria meus hobbies favoritos, não sei o que é ter sonhos, não sei como é uma vida escolar ou universitária, não sei como é acordar em uma manhã de natal e abrir os presentes, ou então ter um dia na praia e voltar reclamando do quanto o sol maltratou a sua pele. Eu não sei...

— Então nós vamos ter uma agenda bem cheia e vamos descobrir juntas quem é a verdadeira S/n

Em outro universo  (Hailee Steinfeld x you)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora