S/n POV
— Acho que é melhor você ir falar com ela — Foi o que Cheri me disse, assim que Hailee saiu do local.
Todo o clima que estava tendo naquele almoço, foi dissipado tão rápido por causa daquela mulher. Eu estava me controlando tanto para não me levantar e tirar ela dali arrastada.
Subo para o quarto e bato na porta, esperando um resposta. Nada. Escuto fungadas vindo lá de dentro e logo entro, fechando a porta atrás de mim, e me aproximando da morena que estava deitada agarrada em meu travesseiro.
Sento na ponta da cama e começo a fazer um carinho em seu braço. Eu sabia que nada do que eu falasse, iria melhorar a sua dor. Então, apenas esperei o seu choro diminuir e fiquei ali com ela.
— Acho que você vai precisar dividir o seu travesseiro comigo, essa noite — Cortei o silêncio, quando ela já estava mais calma e ela me olhou confusa. — O meu travesseiro vai precisar secar no varal — Tentei aliviar o clima e tive sucesso, pois ela soltou uma risadinha.
Hailee resolveu se sentar e apoiou a cabeça em meu ombro, me abraçando de lado.
— Desculpa pelo que a minha tia falou...
— Ei, você não tem culpa para me pedir desculpas. E outra, eu só me importo com você e em como você está se sentindo.
— Doeu... eu não imaginava que alguém da minha família iria me julgar.
— Eu sinto muito... imagino que a opinião deles seja bastante importante para você.
— Na verdade, a única opinião que importaria, seria a dos meus pais e do meu irmão... — Ela levanta a cabeça e começa a brincar com os dedos. — Mas nunca pensei que sofreria preconceito por um parente.
Eu não sabia o que responder, então segurei em sua mão e plantei um beijo em sua cabeça.
Nesse momento, ouvimos uma batida na porta e em seguida, duas cabecinhas passavam pela fresta com olhares curiosos.
— Podemos entrar, tia Haiz? — Zach pergunta e Hailee afirma. Minha namorada me contou que eles a chamavam de tia, mesmo sendo seus primos, por conta da diferença de idade.
Os dois entram e ficam em frente a gente. Damos espaço para eles sentarem e com a nossa ajuda, eles ficam no nosso meio. Emma ao meu lado e Zach abraçado na Hailee.
— Não fica "tiste" ta bom — O menino dizia agarrado nela, o que eu achei fofo.
— Não vou ficar, pode deixar — Ela responde.
— Tia S/a? — Emma me chama e eu olho para ela. — Eu ouvi minha vó falando que você e a tia Haiz são lindas juntas... eu também acho.
Eu sorrio para o que ela disse e vejo de relance que Hailee também estava feliz por aquilo.
***
Já era noite e a família da Hailee decidiu montar um karaokê do lado de fora. Eles disseram que era uma tradição da família e que fazia tempo que eles não faziam aquilo.
Durante o dia, apareceu mais gente na casa. As duas irmãs de Peter apareceram e vieram acompanhadas de seus maridos e filhos.
Dessa vez, não tinha nenhuma criança. Todos eram adolescentes ou adultos.
Cheri fez questão de me apresentar logo e, para a felicidade de todos, ninguém demonstrou relutância ou preconceito.
Agora estávamos aqui, no quintal, Zach e Emma brincavam com o pai, Cheri conversava com as cunhadas, Emily e Amber, Griffin ajeitava o equipamento do karaokê e Peter o ajudava.
Eu e Hailee estávamos sentadas em uma poltrona acolchoada de jardim, conversando com Ava e Becky, filhas de Amber, e Brandon, filho de Emily.
— Como se conheceram? — Becky pergunta.
— Em uma viagem que eu fiz para Paris... encontrei com S/n lá e viramos amigas — Hailee responde e eu apenas concordo.
— Como é a Rússia, S/n? — Brandon que me pergunta agora.
— Fria! — Ele solta uma risada com a minha fala.
— Eu sempre ouvi que os russos são cruéis... é verdade? — Foi Ava que disse e eu a encarei confusa.
— Se estiver se referindo ao nosso comportamento social, acho que pode estar exagerando.
— Isso não seria um estereótipo? — Hailee questiona.
— Eu conheci um russo uma vez e ele disse que lá na Rússia, sorrir demais é estupidez — Brandon disse, dando de ombros.
— A gente só preza pela sinceridade. Nunca sorrimos para fingir educação... pelo menos não normalmente. Então se algum russo sorrir para você, pode ter certeza que é verdadeiro — Eu explico. — Mas não somos cruéis, apenas sinceros demais.
— O karaokê está pronto — Griffin aparece. — Quem vai começar?
Não foi preciso nem mais um segundo para Ava levantar e ir até o microfone. Ela escolhe uma música que logo preenche o ambiente. Eu não fazia ideia de qual música era.
Hailee entrelaça seu braço no meu.
— Acho que finalmente vou ter a oportunidade de te ouvir cantar — Eu digo.
— E você? Vai cantar também? — Ela me questiona e eu rio de leve.
— Eu não sei cantar, milaya. Vou ter que fazer parte da plateia mesmo.
Quando Ava acabou a perfomance, Hailee deixou um selinho em meus lábios e levantou para assumir o lugar.
Colocando um clássico do Beatles, Don't let me down, ela cantava de uma forma leve e sem esforço nenhum.
Sua voz entrava no meu ouvido e me deixava admirada pelo seu talento. Eu não conseguia desviar meu olhos dela.
Aquela mulher conseguia ser meu porto seguro, a minha paz e a minha perdição ao mesmo tempo. Eu realmente não sei se vou ser capaz de encontrar a minha família de volta, mas sei que posso ter uma nova vida aqui, ao lado da morena que agora me encarava, enquanto finalizava a música.
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Em outro universo (Hailee Steinfeld x you)
Ciencia FicciónS/n Romanoff, irmã de Natasha Romanoff e Yelena Belova, se encontra no meio de uma missão com sua irmã Yelena e sua amiga Kate Bishop, até que tudo escurece. Quando S/n acorda, ela percebe que está em outra cidade e em outro universo. S/n = Seu no...
