S/n POV
Escuridão! Era tudo que tinha a minha volta. Mesmo tendo me acostumado com a visão, eu ainda não conseguia decifrar as formas que tinha naquela sala escura.
De repente, escuto passos se aproximando e então uma porta de ferro se abre e com ela a luz toma conta daquele lugar.
Fecho meus olhos como reflexo pela rápida mudança de luminosidade, aqueles passos continuam se aproximando.
Quando finalmente abro os olhos, reconheço aquele rosto que estava na minha frente. O Soldado Invernal! Atrás dele aparece Dreykov.
— Olha quem veio nos fazer uma visita, Romanoff. Pierce queria que ele treinasse um pouco e como você falhou na atividade de hoje, você ajudará o nosso amigo aqui. — Colocou a mão no ombro dele.
— Ah e Romanoff? Sem revidar. — Falou saindo da sala.
E então começou. Socos, chutes, ossos quebrados, mais socos, mais chutes e mais ossos quebrados. Eu tinha falhado na atividade mais cedo quando derrubei a minha arma no meio do treinamento, e foi isso que o fez quebrar os dedos da minha mão. Uma punição.
Ele me socava e eu gritava, ele me chutava e eu gritava.
— S/n?
— S/n acorda!
— S/N!
Abro os meus olhos e tento me levantar de solavanco, sendo impedida pela corda que segurava meus pulsos e uma mão segurando meus ombros. A luz do quarto estava acesa. Levanto meu rosto e travo meu olhar nos olhos castanhos que eu tanto conhecia e me passavam tranquilidade.
***
Hailee POV
Eu simplesmente não conseguia dormir. Tudo que eu pensava era na russa que estava no quarto ao lado. Não fazia nem três dias que eu a conhecia e eu já sentia uma ligação forte com ela.
Decido levantar para pegar um copo de água na cozinha, era umas 2h da manhã e tudo estava quieto. Martini dormia em sua caminha ao lado do tapete e nem percebeu quando eu passei.
Termino de tomar a minha água e quando estou prestes a voltar, escuto um barulho vindo do quarto de S/n seguidos de gritos em sua língua nativa.
Abro sua porta, acendendo a luz e a vejo se contorcendo na cama, com os pulsos presos em uma corda presa na cama. O suor escorria pelo seu rosto que estava com uma expressão de dor, fazendo jus aos seus gritos.
Corro para o seu lado, segurando seu corpo para que ela não se machucasse.
— S/n? — Tento uma vez. Nada.
— S/n acorda. — Mais uma vez, dessa vez sacudindo ela. Nada.
— S/N!
E então ela abre os olhos e tenta levantar, mas as cordas em seus braços e as minhas mãos em seu ombro a impedem. Ela olha em meus olhos, tentando regular a sua respiração.
— Ei, calma. Eu to aqui, foi só um pesadelo. — Falo e começo a desamarrar as cordas.
— Não! Não faz isso, não é seguro. — Ela diz em desespero. — Espera um pouco.
Paro os meus movimentos e apenas coloco um fio do seu cabelo atrás de sua orelha. Ela fica um tempo se acalmando enquanto olha para a janela ao lado de sua cama.
Uns minutos depois, ela volta o olhar para mim e em um pedido mudo eu entendo que já poderia desamarrar ela.
Seus pulsos estavam em carne viva. Ela se senta e junta os braços me impedindo de ver mais os machucados.
Saio do quarto o mais rápido possível atrás de um Kit de Primeiros Socorros que tinha no banheiro e logo volto, me sentando na sua frente.
— Não precisa se preocupar. — Diz quando percebe a maleta. Apenas ignoro e preparo uma gaze com soro e pego suas mãos passando a gaze em cada pulso.
Passei com todo cuidado, mas aquilo não parecia fazer diferença pra ela, que só analisava os meus movimentos.
Depois de limpar a ferida, passar uma pomada cicatrizante e enrolar com uma atadura, soltei as suas mãos e comecei a guardar as coisas.
Ela não parou um segundo de encarar os seus pulsos. Fui até a cozinha e peguei um copo de água, entregando para ela no quarto e sentando ao seu lado na cama.
Espero ela terminar de beber a água e colocar o copo na mesa de cabeceira para então chegar perto e passar meus braços a sua volta em um abraço.
Confesso que fiquei receosa de sua possível reação, mas acho que era o que ela precisava, pois quando menos espero, ela retribui o abraço como se aquilo fosse a única prova de que ela não estava mais em um pesadelo.
Não sei quanto tempo ficamos ali, mas depois de um tempo eu sinto lágrimas caindo em meu ombro. Aquilo me quebrou.
Espero até suas lágrimas se tornarem mais fracas e a afasto apenas para limpar seus olhos. Aqueles verdes bem claros, por causa do choro, me olhavam de forma profunda, como se eu pudesse ver toda a sua dor apenas por aquele olhar.
— Eu vou ficar aqui com você, ta bom. — Falei.
Ela concorda com a cabeça e eu vejo isso como sinal para apagar a luz e me deitar ao seu lado, a puxando para me abraçar enquanto eu fazia um carinho em seus cabelos.
Aquela garota mexia comigo e eu não sabia o por quê, mas aquilo não importava naquele momento. Ali, eu só queria transparecer um sentimento de segurança para ela.
***
De volta ao seu universo...
Yelena POV
Termino de derrubar o cara que estava lutando contra e me viro para a janela quebrada em que S/n e o outro traficante passaram.
— S/n? Já deu conta ou precisa de ajuda? — Nada. — Caramba, você não da conta nem de um cara? — Brinquei me aproximando do espaço aberto.
Assim que atravesso a janela, não vejo nenhum sinal da minha irmã. O homem estava desmaiado na escada.
— S/n? Cadê você? — Tento a escuta e, novamente, nada. — Kate? Peter? Vocês sabem onde a S/n está?
— Não. — Os dois respondem juntos.
Começo a ficar preocupada, aquilo não era normal. Ela nunca tinha sumido do nada, principalmente no meio de uma missão.
Olhei para o homem desmaiado na minha frente e pensei que ele poderia estar envolvido no sumiço da minha irmã.
— Peter, avisa ao Fury que vamos demorar para voltar pro complexo.
— Mas por quê?
— Quando você e a Kate terminaram aí embaixo, podem subir que vocês vão descobrir.
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Em outro universo (Hailee Steinfeld x you)
Ficção CientíficaS/n Romanoff, irmã de Natasha Romanoff e Yelena Belova, se encontra no meio de uma missão com sua irmã Yelena e sua amiga Kate Bishop, até que tudo escurece. Quando S/n acorda, ela percebe que está em outra cidade e em outro universo. S/n = Seu no...
