Capítulo 26

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Hailee POV

Eu já tinha trocado de roupa e estava deitada na cama, esperando por S/n. Resolvemos não falar sobre o que aconteceu na festa, já que não queríamos estragar o resto da noite por causa de um babaca qualquer.

A russa estava apenas com uma calça moletom e um top esportivo, inclinada sobre a mala, escolhendo uma blusa para vestir.

Aproveito seu momento de distração e jogo um travesseiro em sua direção, acertando seu corpo e me fazendo rir alto com o susto que ela levou.

Ela vira para mim com uma sobrancelha arqueada e uma falsa cara de séria, enquanto eu ainda ria na cama.

— Como ousa jogar um travesseiro em mim, enquanto estou distraída? — Me perguntou.

— Ué, achei que era boa nos reflexos — Resolvi provocar e ela me lançou um olhar desacreditado pela minha coragem.

— Vou te mostrar no que eu sou boa — E com isso, ela se aproximou da cama em uma velocidade e quando eu percebi, eu estava sendo atacada com cócegas pela minha barriga, braços e axilas.

Eu me contorcia debaixo dela, sem conseguir parar de rir.

— P-para S-S/n.

— Vai se render?

— E-eu me r-rendo! — Disse, fazendo ela parar com o ataque e sair de cima de mim, se deitando ao meu lado. — Isso não é justo, eu só joguei um travesseiro em você — Cruzei meus braços como uma criança, fazendo um biquinho com a manha.

Ela se virou para mim e sustentou a cabeça em seu braço para conseguir me olhar.

— A vida não é justa, milaya — E plantou um selinho em meus lábios.

Eu me virei para ela, agora, e ficamos em um silêncio confortável, olhando uma para a outra.

Depois de alguns segundos, baixo o meu olhar para o seu abdômen nu, analisando suas cicatrizes que me despertavam curiosidades. Sem perceber, levo minhas mãos para as marcas, passando o dedo em cada uma.

— Você lembra como conseguiu cada uma delas? — Acabei pensando alto.

— Sim... — Ela responde baixinho, só observando os meus movimentos ali. — Você quer saber...?

Concordei com a cabeça e ela se sentou, virando de frente para mim.

— Essa daqui — Apontou para uma cicatriz grande que tinha em sua costela do lado direito. — Foi uma faca. Eu estava treinando com uma Viúva e ela não tinha gostado de apanhar por uma mais nova. Essas outras duas, aqui perto do umbigo, foi em uma missão contra a máfia italiana, era eu contra 10 capangas armados com faca. No meu ombro, foi um tiro de uma pistola, pegou de raspão.

— E essa aqui? — Apontei para a lateral da sua costela do lado esquerdo, onde tinha uma marca um pouco maior, mas não parecia ser de faca ou tiro.

— Foi um maçarico. Eu tinha entrado disfarçada em um evento e aí a luta aconteceu na cozinha. O alvo foi esperto e usou o maçarico na única parte que o meu vestido não cobria.

— E o que aconteceu depois?

— Eu... esfaqueei ele — Olhou para o nada como se tivesse lembrando da cena.
Eu fiquei mal por ter perguntado. Sabia que ela se culpava pelas vítimas, mesmo não tendo escolha de fazer diferente.

— Não foi culpa sua... — Segurei a sua mão.

— É... mas meu rosto continua sendo a última coisa que eles veem antes de perderem a vida, principalmente os inocentes que foram vítimas por estarem no lugar errado... — Ela diz, voltando a olhar para mim. — Bom, nas minhas costas tem mais algumas.

Ela se virou e eu pude ter a visão das suas costas cheias de marcas. Ali, as formas eram diferentes. A maioria das marcas eram feitas em uma sequência, com tamanhos iguais. Tinham algumas que eram aleatórias, iguais a do abdômen e tinha outras duas que se destacavam por serem diferentes de todas as anteriores.

— Uou... — Foi o que eu consegui dizer quando vi a sua pele.

— Eu sei... acho que as minhas costas eram um alvo muito desejado — Ela brinca, dando uma risadinha. — Então... tem duas cicatrizes que mais marcam as minhas lembranças ai, mas vou deixar elas para o final. Acho que você percebeu que tem umas cicatrizes parecidas e alinhadas, certo?

— Sim...

— Essas são as marcas das punições. Uma Viúva Negra precisa ser perfeita, caso contrário, é cortada por uma superior e depois torturada. Eu falhei algumas vezes... perdi o alvo em uma missão, faltei uma aula de balé, eu odiava aquelas aulas; derrubei a arma no estande de tiro e... mencionei o nome da Natasha quando ela já era inimiga do Dreykov.

— Te torturaram porque você falou o nome da sua irmã? — Perguntei horrorizada com aqueles relatos. Ela suspirou.

— Ela não era considerada minha irmã ali...

— Você... disse que essas punições eram feitas pelas Viúvas superiores... Yelena já teve que fazer isso em você?

— Ela nunca fez isso comigo. Dreykov até tentou dar a ordem, mas ela conseguiu ser mais forte que o controle e não obedeceu... foi a primeira vez que vi alguém conseguir ser mais forte que o controle.

— Mas teve consequências, né?! — Perguntei com medo da resposta.

— Quebraram suas mãos e ela foi torturada por dois dias seguidos... — Vi suas mãos fechando em punho. — Eu fiquei com tanta raiva. Ela queria me proteger e pra isso teve que ser machucada. E no fim, a minha punição veio de qualquer jeito, então foi inútil.

— Ela não queria ser a responsável por te machucar...

— Eu sei...

— E... as marcas especiais?

— Oh verdade. Bom, as outras foram de missões e treinos, iguais as cicatrizes da parte da frente, facas, tiros de raspão e objetos pontiagudos. Já essas duas, bom, a do final das costas, foi uma katana. Estávamos no Japão e estávamos lutando contra a Yakuza, a maior máfia japonesa. Eu, Yelena e outra Viúva, precisávamos roubar um caderno com nomes importantes, mas do nada apareceu 10 ninjas com essas espadas e um acabou conseguindo enfiar em mim. Yelena também teve uma enfiada na perna. Foi como uma conquista pra gente, nenhuma Viúva tinha lutado contra ninjas e saído viva pra contar história, além de que tínhamos uma cicatriz pra comprovar.

— Então você gostou de ser perfurada por uma katana?! — Perguntei, soltando um riso nervoso.

— Em partes, sim... é estranho, eu sei — Ela ri um pouco.

— E a última...? — Me referi a última marca que ficava no ombro dela.

— Kate Bishop me acertou com uma flecha! — Ela fala soltando uma risada.

— O que? Mas ela não conseguiu atirar na Yelena, achei que também não tinha conseguido com você...

— Oh não, isso foi depois. A gente estava treinando e ela quis acertar uma fruta apoiada no meu ombro e comigo de costas. Só que o Peter resolveu assustar ela na hora e bom, a flecha desviou um pouco do alvo — Ela ria contando, o que me fez rir mesmo sendo uma história trágica.

Em outro universo  (Hailee Steinfeld x you)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora