Hailee POV
Desde que vi aquele cenário na minha sala de estar, S/n sangrando e desmaiada, as verdadeiras Yelena Belova e Kate Bishop no outro lado do cômodo e três caras apagados, eu simplesmente desliguei.
Tudo que eu fiz, vi e ouvi foram absorvidos em segundo plano no meu cérebro e por mais que eu lembre de tudo, eu só consegui processar naquele momento.
Quando liguei para o Griffin, tive a sorte dele já ter planejado levar os meus pais para Miami, no evento de corrida que acontece lá. Eles já estavam até a caminho do aeroporto, me fazendo ficar mais aliviada.
Tudo aquilo era extremamente louco. Claro que talvez a Hailee de dois meses atrás teria desmaiado ou achado que tinha endoidado de vez, devido a grande quantidade de trabalho.
Mas, agora, eu já sabia de toda a veracidade do multiverso, além de que todas as histórias que S/n me contou, me aproximavam ainda mais de sua realidade caótica que só via em filmes de ação.
Só que eu preciso admitir, não imaginava que iria chegar tão próximo dessa situação. O fato daquilo ter sido causado pela Wanda Maximoff controlada pela Valentina, tornava o problema tão pior que o fato de eu estar em contato com a personagem que eu faço, tão perto de mim, era a menor das novidades.
— Sabe, talvez você devesse parar de pensar nisso tudo um pouco — Kate me desperta. Estávamos andando pela pousada, aproveitando a paisagem do sítio em que se encontramos. — Vai acabar saindo fumaça daí — Brincou, me fazendo rir um pouco.
— Eu sei... é que é meio doido tudo isso, sabe... nunca imaginei, mesmo com S/n aqui, que algo assim poderia vir acontecer — Disse, parando na frente de um pequeno lago que tinha atrás dos chalés.
— Não achava que a gente viria atrás da S/n? — Parou ao meu lado.
— Bom... acho que pensei que isso seria quase impossível. Ela manteve a esperança no começo, mas depois desistiu também — Expliquei.
— Yelena não iria descansar enquanto não achasse a irmã.
— Eu imagino isso... mas nem S/n sabia como tinha chegado aqui e não imaginávamos que vocês iam associar o sumiço dela com isso, também — Ela apenas concorda com a cabeça, ficando em silêncio por um tempo.
— É engraçado saber que nós duas namoramos com Viúvas Negras — Tornou a falar. — Acho que a única coisa, exceto o rosto igual, que também compartilhamos — Riu.
— Você tem razão — Ri junto. — Como é a sua relação com a Yelena?
— Nós conseguimos, de alguma forma, nos encaixarmos. Temos nossas desavenças e provocações, mas que no fim, só serve pra nos atrair mais... você deve saber disso, me interpreta no cinema.
— Não é a mesma coisa, obviamente.. eu não interpreto os pensamentos e sentimentos de vocês, apenas finjo — Dei de ombros. — Mas, de qualquer forma, acho que sei o que quer dizer... S/n... — Mencionei, deixando subentendido.
— Elas são bem parecidas, principalmente quando se trata de emoções e traumas... mas cada uma se destaca de alguma forma.
— Se refere à comportamento?
— Também... acredito que tenha percebido que S/n é mais carente e desorganizada...
— Sim... ela se apegou demais a minha cachorrinha e sempre procura manter o contato com uma parte do meu corpo — Lembrei. — Já a outra característica... bom, sempre encontro a arma dela perdida em algum lugar da minha casa — Expus, fazendo Kate rir.
— Enquanto S/n tem essas características... Yelena é mais calculista e organizada, não que ela seja fria, mas ela tem mais dificuldade em se soltar com as pessoas.
— Mas essas coisas são normais... são suas personalidades e tem o lance da Sala Vermelha também — Não entendi onde ela que chegar.
— Sim, eu sei, mas a equipe se preocupa com essas características específicas delas... principalmente por ser extremo.
— E chegaram a algo?
— ... Não, mas temos teorias do provável motivo de serem essas as características de ambas — Apenas concordei e esperei ela continuar — Yelena já era grandinha e entendia as coisas quando foi para a Sala Vermelha. Seu treinamento, no começo, não era com o controle mental e isso a fez ter uma disciplina mais rígida, onde o mínimo erro podia se tornar um inferno. Ela adquiriu essas características antes do controle e isso se manteve durante e depois dessa prisão.
— E quanto a S/n?
— Sua situação é um pouco mais delicada. Ela era tão pequena quando chegou lá, que só começou a ter noção de vida, já com o controle mental. Ela não criou personalidade própria, não do jeito que a gente cria na infância. O pouco de humanidade que ela tinha, foi graças a Yelena, mas não era suficiente. Quando ela ficou livre, sua personalidade era como a de um bebê, ou seja, em formação, e ela só se torna a espiã experiente em momentos necessários, como em perigo, ameaça, raiva e manuseamento de equipamentos que conhece bem.
— Uou... isso explica algumas coisas — Fiquei mal pelo que ouvi, mas era necessário aprender esse lado da vida dela. — Ela nunca comentou sobre isso...
— Não contamos essa teoria para ela, afinal, apenas suspeitamos disso, mas Yelena sabe e acha que faz sentido.
— Não acham que seria bom explicar isso para ela?
— Achávamos... mas Yelena ficou com medo de isso causar uma reação negativa nela e ela desligar esse lado dela — Disse, prestando atenção em mim para ver se eu entendia o que ela queria dizer.
— Igual ela faz com o sotaque? — Tentei compreender.
— É, tipo isso, as duas tem essa capacidade de desligar as emoções e se tornarem aquelas Viúvas frias e assassinas...
***
— Espero que elas se contentem com isso — Kate diz, se referindo aos pacotes de salgadinho que pegamos na máquina. Estávamos de frente para a porta do chalé.
Depois da nossa conversa sobre elas, andamos mais um pouco pelo local, com um papo mais leve e divertido.
— Vão ter que aceitar — Digo já abrindo a porta e entrando no quarto — Voltamos... o que estão vendo? — Perguntei quando vi que elas prestavam atenção na TV.
— As notícias... pelo visto ninguém soube da invasão no prédio, o que é estranho — S/n responde.
— Isso não é bom? — Kate pergunta.
— É... mas como S/n disse, é no mínimo estranho. Parece que ninguém viu o que aconteceu — Yelena responde.
O toque do meu telefone me faz parar de prestar atenção no que ela dizia. John Manager pisca na tela, me fazendo suspirar.
— Quem é? — S/n me pergunta, vendo minha reação.
— O John — Revira os olhos. — Provavelmente quer falar de ontem.
— Ele não tem vida pra cuidar não — Reclama e eu dou de ombros, sentando ao seu lado.
Eu ignoro o telefone, deixando ir para a caixa postal.
— Quem é esse John? — Kate pergunta, entregando a S/n um pacote de salgadinhos para logo se sentar na outra cama com Yelena, junto de outro pacote.
— Um homem insuportável que é pago pra resolver os problemas da Hailee — A russa responde, mas eu logo corrijo.
— Meu manager
— Entendi...
E ficamos ali, naquele clima de conversa e descanso até a noite, apenas esperando seja lá o que.
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Em outro universo (Hailee Steinfeld x you)
Ciencia FicciónS/n Romanoff, irmã de Natasha Romanoff e Yelena Belova, se encontra no meio de uma missão com sua irmã Yelena e sua amiga Kate Bishop, até que tudo escurece. Quando S/n acorda, ela percebe que está em outra cidade e em outro universo. S/n = Seu no...
