Um preço alto

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Ela era sem dúvida linda, como um raio do sol que ilumina todo canto por onde passa , era inacreditável  ter que esconder-se por entre as colunas do palácio para ver-la , pois era...Mas lá estava ele , a dar uma desculpa a uma reunião importante , num negócio multimilionário, só para ver-la passar , só para ver ela sorrir , nem que fosse um pouco , mesmo que não fosse para ele .

E porque seria afinal de contas ?Porque seria ?
Obrigou-a a casar , ameaçou a sua família , roubou a sua vida e a sua profissão, ele já sabia que não merecia sorrisos de ninguém, que não era alvo de sorrisos , não era isso que causava nas pessoas , estava completamente habituado com isso , até ela chegar , não se reconhecia , queria ver-la sorrir , queria ver-la sorrir para ele , e só...Somente para ele ...

E quanto mais a queria , mais as palavras do seu primo martelavam na sua cabeça ;

Não é um preço muito alto ?...É o pai dela Zayed...Não é preço muito alto ?

A feiticeira com o sari rosa claro , mexia com a sua cabeça , estragava os seus planos e o punha maluco , a graciosidade do seu andar , o seu falar , ele nunca vira esse sentimento nos olhos de um ser humano , mesmo com todos os motivos para não ser assim , ele nunca vira tanta ...Bondade, bondade na maneira como fala com os empregados do palácio , na maneira como abraça a pequena Aisha , na maneira em que olha para o céu.

—Filho meu...—  ouviu alguém o chamar , mas quando olhou para trás só viu o seu primo  na sua mente

Observando a tua mulher?Ainda não tomaste coragem para te desculpares ?— disse o seu primo enquanto olhavam para o jardim florido em que Disha e Aisha brincavam alheias ao mundo , alheias à tudo e por algum motivo era assim que ele queria que fosse, protegê-las da parte do mundo , que ele conhecia .

Ele deu uma última olhada na razão da sua perca de juízo e virou-se andando em direção ao escritório ignorando o primo que tagarelava a sua trás:

—Devias pedir desculpas , eu sei que ...—interrompeu

—Não achas que estás muito interessado na minha vida conjugal ?

—Alguem tem que te ajudar , já que tu não sabes como tratar a tua mulher .

Zayed trancou o maxilar , mesmo que ele soubesse que realmente ele tinha razão , ele jamais admitiria em voz alta , era pedir demais .

—Vai falar com ela ...Nunca te vi tão consternado como agora , estás alterado , não fazes a barba e não destrancas essa cara de mal humorado , nem uma reunião conseguimos terminar , estás definitivamente apai...— interrompeu

—Não ouses terminar essa frase!

—Se eu disser mais alto , torna-se mais real não é...?

É não é...? sussurrou no seu subconsciente 

—É incrível como te é agradável cruzar os meus limites . Não fui severo o suficiente contigo Calim.— disse ironizando enquanto abria a porta do escritório

—Alguém tem que cruzar , se não perde toda diversão.

—Maldito.

—Eu também te amo , meu querido Sheikh .

Ouviu-se um bater na porta , e Calim a abriu com um grande exagero ainda debochando do mal humor do primo.

—Suynet  o que te traz por cá ?

—Layle Sahidi Sahidis

—Layle Sahidi ...—disseram em uníssono

—Uma chamada do palácio real , para os Sahidis , do Emir .— disse esticando o telefone

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