Vegas
Já fazia sete meses desde que eu havia voltado dos Estados Unidos.
E, mesmo com o tempo, ainda não conseguia me adaptar à rotina sufocante de professor.
Ser sincero? Aquilo era tortura.
Talvez um castigo pelos erros que cometi. Ou o preço por estar tentando fazer as coisas do meu jeito, mesmo que isso signifique fingir ser alguém que não sou.
Para que meu plano funcione, preciso suportar tudo isso. O que me fere não é a fachada… mas o fato de que, agora, parte do sucesso depende de outra pessoa.
Dele. E isso me consome, porque se as coisas saírem do controle, não saberei como reagir.
Entrei na sala dos professores com meu humor habitual: péssimo.
Ignorei os olhares, as vozes, os sorrisos forçados. Tudo naquele lugar me sufocava. Peguei um café sem dizer uma palavra, como sempre, e fui direto para minha sala de aula.
O problema era esse lugar. Essa gente.
Esses alunos que não fazem o mínimo - estudar. Vivem tentando arrancar de mim qualquer migalha da minha vida pessoal. É insuportável. E o toque? O contato? A invasão do meu espaço? Odeio tudo isso.
Nessa escola, não existe paz.
Por sorte, hoje eu teria apenas duas aulas.
Um alívio. Com o tempo livre, eu poderia investigar a sala de Korn. Algo lá dentro me dizia que eu estava perto. A resposta estava em algum lugar entre aquelas gavetas, papéis ou arquivos ocultos.
Mas… ultimamente, eu estava perdendo muito tempo com Pete. E o pior é que, com ele, o tempo parecia diferente.
Pete me tirava do personagem.
Com ele, eu não precisava manter a pose de professor exemplar. Não precisava mentir o tempo todo. Apenas… existia. Era eu mesmo. Talvez o pior de mim, talvez o mais verdadeiro.
Mas isso me assusta.
O sorriso dele é radiante. Ilumina qualquer ambiente. E eu? Eu sou escuridão pura. Não quero apagar aquele brilho. Não quero mentir para ele - embora já esteja fazendo isso. E mesmo se eu quisesse me afastar… não conseguiria. Já é tarde demais.
Droga.
Saí da aula e fui direto para o pátio. Estava vazio, como eu esperava. Um momento raro de silêncio. Minha intenção era dar uma olhada na sala do diretor. Korn não estaria lá naquele horário – eu sabia. Meu celular vibrou no bolso, me arrancando dos pensamentos. Procurei um canto discreto e atendi.
— Sim? – disse, seco.
— Senhor Vegas? – ouvi a voz do outro lado. — Big conseguiu as informações que o senhor pediu.
— Ótimo. Me envie por e-mail.
— Algo mais?
— Mantenha-me informado. Tudo o que acontecer, eu quero saber.
— Sim, senhor.
Desliguei. E, antes que pudesse dar mais um passo, vozes se aproximaram de onde eu estava.
Resolvi ignorar. Não era problema meu.
— Eu gosto de você! – uma das vozes soou mais alta.
Mais um casalzinho idiota se confessando…
Mas então, veio outra voz.
— Assim não, Chay… tenta assim: “Eu gosto de você.”
Pare.
Aquela voz eu conhecia.
Aquela voz fazia meu coração acelerar mesmo contra a minha vontade.
Pete.
Olhei.
E o que vi fez meu sangue ferver.
Um garoto - que eu nunca tinha visto antes - estava encurralando Pete contra a parede, os braços apoiados de cada lado do corpo dele.
Quem é esse moleque?
Por que ele tá tão perto?
Antes de perceber, já estava andando até eles.
As palavras saíram da minha boca como faca:
— O que vocês estão fazendo?
Pete me olhou surpreso, corado.
O outro garoto deu um passo para trás, claramente assustado.
— Ay! Professor Vegas… a gente… é… – o menino tentou se explicar.
Fica quieto.
— Professor Vegas, eu e o Chay estávamos apenas conversando – Pete interveio, tentando acalmar a situação. – Desculpe.
— Você não tem aula? Vá para a sua sala. – disse, sem tirar os olhos do garoto.
Ele assentiu, ainda meio tremendo.
— Sim, senhor. Desculpe – respondeu, lançando um olhar de desculpa para Pete antes de sair.
— Professor Vegas… não precisava disso. – Pete me olhou, um pouco decepcionado.
Mas eu não disse nada.
Só segurei a mão dele e o puxei comigo.
○○○○○○
Fomos para o banheiro próximo da quadra. Estava vazio.
Tranquei a porta. Pete caminhou até a pia e se encostou ali, me observando sem entender.
Meu peito ardia.
— Quem era ele, Pete?
Tentei manter a calma, mas falhei. Minha respiração estava pesada.
— É o Porchay. Do segundo ano. Irmão do Porsche… meu amigo – respondeu, com voz baixa.
Irmão do Porsche…
Claro. Eu devia imaginar.
— He likes you?
[Ele gosta de você?]
— Não… ele gosta de outra pessoa – disse Pete, com um tom estranho. Quase… triste?
— But what about you? Do you like him?
[Mas e você? Gosta dele?]
— Não… – ele respondeu, firme, me encarando nos olhos.
E, naquele momento, eu me aproximei.
Coloquei as mãos na pia, uma de cada lado do corpo dele, prendendo-o ali. O perfume suave dele se espalhou pelo meu espaço. Tudo nele me atraía: a respiração trêmula, os olhos que me analisavam em silêncio, os lábios entreabertos.
E então…
Eu o beijei.
Toquei seus lábios com os meus, devagar.
Quentes. Macios. Exatamente como imaginei durante noites demais.
Vegas, ele é seu aluno.
Foda-se.
Eu nem sou professor de verdade.
Quando ele abriu levemente a boca, minha língua procurou a dele.
Tímido. Quase hesitante. Mas ele me correspondeu.
Minha mão subiu até sua nuca, enquanto a outra apertou sua cintura.
Sua falta de experiência era clara… mas isso o deixava ainda mais real.
Mais… meu.
Tentei ser delicado. Juro que tentei.
Mas falhei. O desejo era muito.
Por alguns instantes, o mundo inteiro desapareceu.
Só havia nós dois.
Só havia o gosto dele.
Quando o ar se tornou necessário, nos separamos. Apoiei minha testa na dele, ainda ofegante. Seus olhos demoraram a se abrir. Mas, quando o fizeram, estavam dilatados. As bochechas, coradas. Os lábios… vermelhos e levemente inchados.
Ele estava lindo.
E foi ali, naquele instante, que eu soube com certeza:
Sim, eu gosto do Pete.
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Teacher - VegasPete
FanfictionOnde Pete se vê apaixonado pelo seu professor. Ou Onde Vegas não tira o sorriso de seu aluno da cabeça, e ao mesmo tempo tenta esconder seus segredos. 【🍄】 𝐕𝐞𝐠𝐚𝐬𝐏𝐞𝐭𝐞 | 𝐀𝐮 【🍄】 @𝐓𝐮𝐥𝐢𝐩𝐁𝐥𝐨𝐨𝐨�...
