0.6

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Ainda com os olhos fechados, passo a mão pelo espaço vazio ao meu lado. Estou deitado em algo macio e confortável. Uma cama de casal?

Meu quarto não tem cama de casal.

Acaricio algo fofo, peludo... que balança o rabo e ronrona baixinho, esfregando a cabeça na minha mão, pedindo mais carinho.

Algo peludo...?

Então escuto o som do chuveiro ligado. Não muito longe.

O chuveiro... ligado?!

Sento-me de supetão, o coração acelerado. O bichano — agora acordado — me encara por um segundo, mas logo rola de lado, se esticando e voltando a dormir como se nada fosse. Estou oficialmente em surto. Não lembro de nada da noite passada. Será que… eu…? Ah, Deus.

Meus olhos varrem o ambiente à procura de pistas. O quarto é todo preto, com detalhes em madeira escura, elegante, arrumado, organizado até demais. Um espelho enorme ocupa quase toda a parede do armário embutido. Uma porta preta ao lado — não sei para onde leva. As mesinhas de canto com luminárias suspensas criam um clima aconchegante. Cortinas de seda branca escondem uma janela que vai do chão ao teto. Ao lado, uma poltrona preta, um abajur de chão, uma estante com livros, um umidificador, dois porta-retratos... e plantas.

Porta-retratos?!

Me aproximo. Em ambas as fotos está o mesmo bichano, mas com o dono parcialmente escondido. Um olhar, parte de um rosto... mas eu reconheço. É Vegas. E então tudo começa a se encaixar. Mas por que ele me trouxe para cá, sabendo onde eu moro...?

Antes que eu possa organizar os pensamentos, o chuveiro desliga. Me preparo para qualquer coisa — menos para o que vejo a seguir.

Vegas sai do banheiro com apenas uma toalha na cintura. No ombro, outra toalha pequena, que ele usa para enxugar os cabelos encharcados. Gotas deslizam lentamente pelo seu peito nu, escorrendo por suas costelas até a linha da toalha. Seus cabelos molhados colam na testa. O ar se torna denso.

Fico imóvel, preso ao que vejo.

Assim que me nota, ele sorri — um sorriso grande, genuíno. Nunca o vi sorrir assim. Ele está lindo. Perfeito.

— Good morning, baby — [Bom dia, baby] diz com a voz rouca e baixa, me encarando profundamente. Coro imediatamente. Um novo apelido? — Como você está?

— M-Muito bem... — respondo, confuso, tentando lembrar o que aconteceu. Nenhuma dor de cabeça, nenhum enjoo... Mas será que a gente...?

— Não, Pete. — Ele ri com calma. — Só cuidei de você. Eu gosto de transar com corpos imóveis, mas não desacordados. Isso seria estupro.

— Ah... — murmuro, sem saber onde enfiar a cara. Ele caminha até o armário, pega uma camiseta branca e uma calça de moletom.

Ele vai se vestir na minha frente?!

— Você estava desmaiado. Eu não ia te deixar sozinho em casa naquele estado — diz enquanto se vira pra mim. — Você vomitou no meu carro, aliás. E passou a noite murmurando coisas absurdas.

Então ele engatinha pela cama até mim, ficando rosto a rosto, com um brilho malicioso no olhar.

— Como vai me recompensar por isso?

Teacher - VegasPeteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora